Música

“Grandes eventos com lotações reduzidas? Temos de ir para um recinto com o dobro do tamanho?”

A NiT falou com o diretor do NOS Alive, Álvaro Covões, e com o responsável pelas Revenge of the 90’s, Paulo Silva.
O NOS Alive está marcado para julho.

O plano de desconfinamento foi apresentado e o setor da cultura também vai reabrir por fases. A 15 de março abrem as livrarias e bibliotecas. A 5 de abril é a vez dos museus, das galerias de arte e exposições. Dia 19 há um grande avanço: é a data prevista para a reabertura dos cinemas, teatros e salas de espetáculo no geral. E a 3 de maio há a incógnita dos “grandes eventos de exteriores”.

Ainda é cedo para os profissionais do setor da cultura e dos eventos conseguirem perceber de que forma é que vão conseguir trabalhar ao longo das próximas semanas. Mas para já está a ser recebida como uma ótima notícia, como dizem à NiT o diretor da promotora Everything is New, Álvaro Covões, e o responsável pelas festas Revenge of the 90’s (entre tantos outros eventos), Paulo Silva.

“Quando dizem ‘podem começar a partir de determinado dia’ é a melhor notícia do ano”, diz Álvaro Covões. “Começámos o ano quase sem poder trabalhar, e a partir de 19 de abril abrem as salas de espetáculos. Yes. Os museus e galerias de arte e exposições abrem antes. Porreiro. Agora há ali uma coisa estranha. Ainda ninguém percebeu bem o que são os ‘grandes eventos de exteriores’, com redução de lotação. Temos de esperar pela métrica para perceber o que é que aquilo quer dizer”, explica o promotor do NOS Alive.

“Quando falamos de teatros, recintos fixos licenciados, quando se fala em redução de lotação é fácil. Quando estamos a falar de um espaço exterior, o que é a redução de lotação? Se pensarmos nos festivais, isso quer dizer o quê? Temos de ir para um recinto com o dobro do tamanho? De certeza que vai aparecer uma métrica e agora temos que esperar. Deve ser anunciado amanhã ou nos próximos dias.”

Se os festivais de grande dimensão ainda são uma grande incógnita, pelo menos as salas de espetáculo fechadas deverão poder funcionar como no ano passado a partir de 19 de abril, provavelmente com uma lotação reduzida a metade, com os espectadores sentados cadeira sim, cadeira não.

Álvaro Covões explica que tem agora dez concertos de músicos portugueses para reagendar — porque estavam, sem grande esperança, marcados para o final de março e início de abril — e que esta sexta-feira, 12 de março, o que vai fazer é reunir com os artistas e as salas para perceber se há disponibilidade de ambas as partes para marcar os espetáculos a partir de 19 de abril. David Carreira, Rui Veloso e Camané estão entre os artistas em causa.

“Ainda faltam cinco semanas, é duro. São quase quatro meses sem trabalhar. Mas como foi anunciado um apoio extra à cultura, vamos esperar por amanhã. Mas é sempre uma boa notícia ter data para voltar a trabalhar. Pelo menos temos um plano, é uma luz ao fundo do túnel. As cinco semanas também permitem ter tempo para planear. Mas aquilo que também me preocupava, os festivais, temos de ver o que quer dizer a regra do 3 de maio. Obviamente estou embriagado [de felicidade], amanhã se calhar estamos zangadíssimos quando olharmos para aquilo a fundo. Mas pelo menos estão a dizer que vamos abrir, qualquer um de nós está embriagado.”

Paulo Silva tem a mesma perspetiva. Diz que é uma grande notícia, mas ainda é tudo muito incerto. “Falta um mês e não tens absolutamente conhecimento nenhum de nada do que é que vai… Ou seja, eles disseram: isto vai acontecer. Agora, em que moldes?” E deixa uma crítica ao governo: “É o mesmo que eles sempre fizeram. Vai haver dinheiro para toda a gente, mas agora esperem lá três meses para saber como é que pedem, para quem, e como é que se consegue.”

Contudo, o empresário sente-se otimista com o cenário. “Eu fiquei muito feliz, estávamos a falar nisso, é incrível poder voltar a fazer eventos. Digam-nos só é como. Só queremos é trabalhar. Estabeleçam as regras mas que fique fixo e para toda a gente para conseguirmos fazer alguma coisa.”

Tal como Álvaro Covões, Paulo Silva questiona se será viável fazer eventos de grande dimensão com viabilidade financeira. “Ainda é muito cedo para chegar a alguma conclusão, porque podes fazer eventos de grande dimensão mas se calhar com duas pessoas em cada dez metros quadrados, que foi o que aconteceu da outra vez. Podes fazer feiras, mas só com duas pessoas por 10 metros quadrados. E a feira precisa de 10 mil pessoas para ter rentabilidade. Estar a pedir isto é mandar areia para os olhos de quem vive disto. Mas ficámos super felizes, o importante é deixarem-nos saber e regulamentar bem para nós sabermos com o que podemos trabalhar. Porque se se puder ir para salas de espetáculos, se for cadeira sim ou cadeira não, vamos fazer. As pessoas estão a precisar urgentemente de se divertirem, está tudo a dar em doido.”

Além disso, as empresas na área dos eventos e da cultura estão urgentemente a necessitar de trabalhar. “Tenho há exatamente um ano 0 por cento de faturação. Precisamos de saber com que ferramentas vamos poder trabalhar.”

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