Música

Hélio Morais: “O maior desafio foi afastar-me dos Linda Martini e dos Paus”

A NiT entrevistou o músico português que, aos 41 anos, se estreia a solo com o projeto Murais.
O músico lança-se a solo depois de uma longa viagem.

Conhecemo-lo sobretudo como baterista dos Linda Martini e dos Paus, entre outros projetos em que participou ao longo dos anos, mas nos últimos tempos Hélio Morais tem estado a construir uma identidade artística a solo.

Um ano depois da data inicialmente prevista para o lançamento, vem aí o seu primeiro disco em nome próprio, “Murais” (que tanto é o título do álbum como do artista). Vai ser lançado esta sexta-feira, 16 de abril, em Portugal e no Brasil, onde foi produzido.

As salas de espetáculo podem reabrir a partir de segunda-feira, dia 19, mas o cenário ainda é de completa incerteza. Como Hélio Morais explica à NiT — ele que também marca os concertos de outras bandas, como agente —, ainda assim cada reagendamento de atuação é um sinal de esperança, mesmo que temporário.

Com os Paus, tem um concerto marcado para 23 de abril, em Vila Real. Já os espetáculos de apresentação de “Murais” estão marcados para junho: Teatro Maria Matos, em Lisboa (dia 1); São João da Madeira (dia 4); Hard Club, no Porto (dia 5); e Salão Brazil, em Coimbra (dia 6). Leia a entrevista da NiT com Hélio Morais, sobre o longo processo de construção deste disco, a procura por uma identidade a solo e os desafios do último ano, entre outros temas.

Ao longo destes anos todos em que trabalhou em Linda Martini, nos Paus e com outras bandas, só recentemente é que descobriu a vontade de fazer música a solo? Ou foi algo que já existia e que foi desenvolvendo lentamente?
De alguma forma, sempre fui fazendo coisas sozinho. Só não tinha era intenção de as apresentar e editar. Talvez a primeira música deste disco seja o “Outono”, e acho que já é de 2011. Fui sempre fazendo coisas, mas não tinha intenção de tocar sozinho, de iniciar uma carreira sozinho. Fui só fazendo porque sim, e há tantas pessoas que têm músicas suas e nunca as editam, não fazem da música vida. Acho que foi um bocadinho como isso. E foi um acaso, na verdade. Foi o piano que fez a tour do Sufjan Stevens na Europa em 2010 que foi parar à sala de ensaios dos Linda Martini e dos Paus, o Haus. Eu não sabia tocar nada de jeito na guitarra, então pensei que conseguisse mais facilmente com o piano. Comecei a debruçar-me sobre aquilo e fui fazendo umas coisas. Tudo muito lentamente e nem era algo que me ocupasse a cabeça. Acho que o objetivo só chegou mesmo à séria no final de 2017, quando gravei umas demos. Queria pegar num conjunto de músicas que tinha e gravá-las, sei lá, nem que fosse para as abandonar. Pelo menos, ok, estão aqui, já as fiz, foi o que andei a fazer nos últimos anos e agora está na altura de passar à frente. Mas não tinha certezas de nada.

Quando é que chega essa intenção de perceber que tem aquelas músicas e as quer juntar para um disco a solo?
Acho que no final de 2018. Quando decidi marcar estúdio e aí gravei mesmo… havia muita coisa que eu queria tocar no Rhodes, não queria que soasse a piano, porque é raro eu gostar mesmo de músicas que tenham bateria e piano. Então regravei algumas baterias e os pianos e também as vozes. Aí já tinha as coisas a soar minimamente decentes e comecei a pensar no que é que faria com aquilo. Em 2019, fui ao Brasil com os Paus, fomos lá gravar um EP. E convidámos o Dinho, o vocalista dos Boogarins, para cantar uma música. Nessa mesma altura eles estavam a lançar o single “Sombra ou Dúvida” e adorei o som dessa música, ficou na minha cabeça, deu-me o clique, é isto, é exatamente este som que eu gostava que o meu disco tivesse. Então lembrei-me: porra, o Benke, o guitarrista que produz os discos deles desde sempre, vou-lhe mandar as canções para ver o que ele acha e se teria interesse em produzi-las. Ele foi ouvindo, disse que curtiu, mas só em agosto, quando voltámos ao Brasil para tocar num festival em Goiânia, a cidade natal deles, estivemos juntos e eu passei-lhe mesmo as músicas e decidimos que íamos trabalhar juntos. A consciencialização de que vou mesmo lançar isto e quero editar isto foi quando o Benke disse que queria produzir.

Para si, foi fácil criar uma identidade artística a solo, depois de tantos anos nas bandas em que esteve e está? Ou não foi uma questão?
Não, não foi nada fácil. Na verdade, o facto de eu recorrer a alguém que está separado de mim pelo Oceano Atlântico foi precisamente para me afastar da sonoridade dos Linda Martini e dos Paus. Ainda que tenha gravado instrumentos no Haus, por isso é que não queria produzir lá o álbum. Não queria que soasse remotamente parecido. Foi muito importante ter conseguido trabalhar com alguém que, mesmo conhecendo o nosso universo, não o vive diariamente. Tem o distanciamento que eu achava necessário para trabalhar estas músicas sem qualquer tipo de preconceito. Preconceito no sentido de “ok, isto não é muito Hélio”. Não, isto se calhar até é [risos]. Não é muito Linda, nem muito Paus, mas era mesmo isso que eu procurava. A minha maior dificuldade foi afastar-me e encontrar um espaço que não tocasse em nenhum dos dois. Foi o maior desafio. E, curiosamente, o que mais me custou foi encontrar a direção das baterias. Não queria que fosse demasiado tropical e dançável como os Paus, também não queria que fosse demasiado rock e a puxar para a frente como Linda Martini. Então foi o que me custou mais. O que não deixa de ser engraçado, tendo em conta que eu sou baterista nessas duas bandas. Fui buscar referências a bandas como Portugal. The Man no primeiro e terceiro disco, e também alguma influência na forma de tocar do baterista de Grizzly Bear, que joga muito com os silêncios.

E quando estava a criar a solo, foi logo para este tipo de sonoridades ou experimentou outro tipo de sons até chegar aqui?
Fui trabalhando essencialmente nestas. Mais recentemente é que já me tenho dedicado a fazer coisas que não encaixariam necessariamente em Murais. No ano passado fiz uma música que achei que… estava com vontade de fazer um disco muito violento, soturno e cheio de ruído, pesado e lento. Não encaixaria em Murais, mas depois até mostrei a Linda e pegámos nela e fizemos dela outra coisa. É uma música, entre outras, nas quais temos estado a trabalhar. Ou seja, não, não tenho feito só coisas para Murais, mas é algo mais recente. São músicas que ainda não têm um propósito pessoal nem nas bandas. Depois uso no que fizer sentido. 

Basicamente sente que, se fizer músicas a solo que sejam diferentes desta linha de Murais, que não quer lançar como Murais? Devem sair como outra coisa?
Sim. Não é que eu ache que eu tenha de ficar, enquanto Murais, num compartimento. Mas quando são coisas mesmo muito diferentes se calhar prefiro dar outro nome e fazer outra coisa. Eu para Murais neste momento já tenho ali uma direção pensada, mesmo o próximo álbum já está a ser muito bem pensado. E qualquer coisa que eu faça que fuja daí não me faz sentido. Porque, para já, vai ficar na gaveta mais tempo. Ainda agora estou a lançar este [risos]. E se há coisa que aprendi com este projeto é que não gosto da ideia de ter coisas de lado durante tanto tempo. É algo que não quero fazer mais: deixar as coisas a marinar durante muito tempo.

Aqui também demorou bastante tempo por causa da pandemia. Acredito que para um músico haja aquela urgência de lançar as músicas e, de certa forma, concluir o ciclo.
Sim, sem dúvida. Já passei por tantas fases com este disco. Estava muito ansioso antes de o lançar, na data em que era suposto ter saído, em abril do ano passado. Estava expectante, a ver o que é que as pessoas achariam, como é que o receberiam. Depois foi adiado e a dada altura tive que me afastar dele. Como não ia poder trabalhar nele achei que seria melhor, mas depois foi surgindo um concerto ou outro, tive de me reaproximar e foi fixe porque estive alguns meses sem o ouvir e, quando voltei, gostei. E depois tive que me afastar outra vez dele. Agora quando começámos os ensaios fui ouvir as músicas e havia coisas que já nem me lembrava que lá estavam. Acabei por redescobrir o disco. E agora só quero lançá-lo porque já não faz sentido estar na gaveta mais tempo.

Além das sonoridades e dos instrumentos, como o caso do piano da tour do Sufjan Stevens, houve coisas específicas que o tenham inspirado para criar estas músicas?
Não é necessariamente um disco autobiográfico, porque há muitas histórias que não são minhas, apesar de as ter visto. O “Até da Manhã” não é uma história minha, é uma história que pude observar de fora e claro que está ficcionada. Mas até é bastante recorrente aquele tipo de relação, especialmente no início. Ninguém se quer comprometer realmente e normalmente há um papel de género expectável. O homem é que é o sujeito da relação que está, “mas atenção que eu não estou bem, isto não é uma coisa séria”. E neste caso ele não estava à espera que ela respondesse na mesma moeda e bateu de frente com uma mulher empoderada e muito consciente daquilo que quer fazer. Há esse choque e é algo que vamos observando na vida. Mas no refrão querem mesmo é estar juntos [risos], por isso aquela defesa toda inicial é um disparate. Até pode chegar a ser tóxica. Sei lá, o “Outono” é uma história minha, o “Oi Velho” também. Fala da minha relação com o meu pai, do dia em que eu revisitei o hospital onde ele morreu e foi estranho, porque me soava tudo igual: os enfermeiros, o cheiro, a disposição das camas, aquilo era tudo igual. Exceto as caras, que não eram as mesmas, mas foi estranhíssimo para mim. O “Manobra de Heimlich” é uma história de um amigo que sinto que tem coisas muito bonitas dentro dele mas que às vezes tem muitas dificuldades em deixá-las sair. O “Catatua” começou por ser uma coisa pessoal mas depois partiu para outra e acaba por ser uma música sobre as pessoas cuscas das nossas vidas, aquelas que não têm mais nada que fazer se não falar da vida dos outros. Claro que, mesmo as histórias que não são pessoais, acabam por ter uma visão pessoal.

Já está a pensar no segundo disco de Murais.

Foi natural para si, pegar nestas histórias, sejam suas ou não, e traduzi-las para música?
Sim, eu sempre gostei de escrever. Apesar de que escrever para música é muito mais difícil para mim do que escrever prosa. Antigamente eu tinha um blogue, que alimentava muito e ainda fiz também uma ou outra crónica, para a “Vogue” e para a “Blitz”, e mesmo em If Lucy Fell, a banda que tinha antes dos Paus, boa parte das letras era eu que escrevia. Fui sempre escrevendo, é algo de que gosto. Tenho é tentado aprender a escrever melhor para música, que a meu ver é mais difícil. Perguntaram uma vez ao Nick Cave se era mais fácil escrever romances ou letras para música e ele disse que escrever para música é como meter uma galinha dentro de um ovo. É um bocado isso [risos]. Às vezes tens menos sílabas para dizer o que queres dizer, então tens de ser mais criativo.

E sente mais responsabilidade e que está mais exposto por agora ser um disco a solo?
Claro, essa era uma das razões da minha ansiedade. Por um lado, eu podia pensar: todos os possíveis louvores que venham são só para mim. Pois, mas também todas as críticas negativas que venham são só para mim [risos]. Sinto-me muito mais exposto. Estava-te a dizer que fui adiando porque não era oportuno, agora havia Linda e depois Paus, e acho que parte da razão pela qual isso foi acontecendo e foi sendo um processo tão demorado também teve que ver com isso. Com insegurança. Estás-te a expor sozinho, ainda para mais num papel em que as pessoas não estão acostumadas a ver-me. Por mais que eu cante nos Paus, em todas as músicas e ao vivo também, na maior parte das vezes cantamos os quatro e a minha voz não tem destaque. As pessoas não estão assim tão familiarizadas com a minha voz a cantar. E é normal que haja um choque. E a voz é a tua voz, não podes mudar propriamente a tua voz [risos]. Quando estou a tocar bateria e alguém diz “esse beat não vale nada”, o meu ego fica zero afetado. Se for a voz é mais difícil [risos]. Estou a falar em timbre, a afinação tu trabalhas e consegues tornar-te melhor, mas não consegues modelar assim tanto a tua voz. Na bateria consegues. Na voz é claro que as críticas magoam mais, quando são más. Quando são boas, também se calhar sabem melhor [risos].

Mas sente que, todos estes anos depois, o amadurecimento profissional e mesmo pessoal foi importante para agora ser o momento certo?
Sim, sim. Se eu tivesse editado isto quando comecei, logo em 2017, acho que não estava preparado. Nem tecnicamente nem mentalmente. Acho que isto chegou na altura que tinha de chegar. Se bem que, por outro lado, a partir do momento em que comecei a trabalhar nisto à séria, também me obriguei a trabalhar mais sozinho. A ensaiar mais, a tocar mais piano, a descobrir melhor a minha voz. E no início não, a minha intenção era só fazer umas canções e dizer umas coisas. Por isso este tempo foi muito fixe, sinto que aos poucos tenho estado a encontrar o meu espaço.

O disco era para ter saído há um ano, estamos há pouco mais de um ano nesta situação de pandemia. Agora há quem esteja otimista, outros estão mais pessimistas, como é que está neste momento? Que cenário antevê para os músicos?
Eu confesso que não estou muito otimista. Para já, porque há uma espécie de nuvem acima de todos que é aquele gráfico do número de infetados por 100 mil habitantes e do Rt. É uma ferramenta do governo para nos deixar alerta, e temos que estar alerta e manter todos os cuidados, estamos no meio de uma pandemia. Mas enquanto sociedade, sinto que estamos todos debaixo de olho e à beira de sermos repreendidos e de voltar atrás com algumas coisas que já estariam a abrir. Acho sinceramente que este ano vai ser pior do que o ano passado por vários motivos. Porque de facto o processo de vacinação está a ser um desastre na União Europeia, ao contrário de outros países. E além disso é ano de eleições. Se no ano passado ainda tivemos alguns municípios a querer fazer espetáculos ao ar livre, este ano eu acho — tendo em conta este mesmo medo que nos sobrevoa as cabeças constantemente — que vai haver ainda menos presidentes de municípios com vontade de fazer coisas, com receio de que haja um surto no seu concelho e que com isso possam perder as eleições. Os teatros, que são das poucas provas de resistência neste momento, têm estado a programar mas têm muitos reagendamentos para fazer. Portanto há pouco espaço. Os festivais quer-me parecer que não vão acontecer. Por isso acho que este ano vai ser muito pior, por isso é difícil sentir-me otimista [risos]. Agora, se isso me faz não fazer coisas? Isso não, continuo a fazer coisas e continuarei. Mas porque preciso disso, por uma questão de sanidade mental.

E quando diz fazer coisas significa criar música?
Criar música e continuar a agendar concertos, mesmo com a consciência de que possam vir a ser adiados porque pode haver um retrocesso nas regras. Mas tem que se fazer. Ficar só em casa na expetativa também não faz bem a ninguém. Pelo menos durante um período de tempo tu acreditas que aquilo vai acontecer [risos]. Depois pode ser adiado outra vez, mas pelo menos há um período em que tens esperança. Acho que isso é preciso.

As salas de espetáculo têm ordem para poder reabrir a dia 19, mas, lá está, ainda é algo distante haver qualquer tipo de normalidade para concertos?
Sim, especialmente numa banda como Linda Martini. É uma banda que precisa de ter o público colado, junto e a fazer stage dive e aos saltos.

Não faz sentido haver uma plateia sentada, separada e de máscara?
Faz, já o fizemos… Fazemos recorrentemente tours de teatros e auditórios e não é menos agradável. Mas talvez não seja porque depois temos o outro lado. Temos um catálogo muito vasto, com músicas muito punk, músicas mais expansivas, e também adaptamos os sets de acordo com o espaço em que vamos tocar. E se calhar quando tocamos em teatros temos oportunidade para tocar coisas mais intimistas. Mas também temos a alegria dos outros espetáculos em que podemos tocar aquelas músicas mais agressivas e o público estar ali connosco. A partir do momento em que só tens uma hipótese também fica estranho.

Tocar e estar no palco é uma das coisas de que sente mais falta?
Sim. E não é só isso. Eu sou muito caseiro. Às vezes combino poucas coisas com os meus amigos. Mas acho que tenho pouco esse hábito porque eu trabalho com os meus melhores amigos. Ou seja, eu estou frequentemente com eles na estrada, seja com os Linda ou os Paus. E isso também te cria uma desabituação de combinar coisas com eles, porque estás com eles em trabalho há bastantes anos. Quando chega uma pandemia, não estás habituado a lidar com isso. É algo em que tens de trabalhar [risos], o contacto com os teus amigos, criar situações para estares com eles. É uma coisa nova para mim.

A capa do disco.

Ir a uma esplanada com eles é estranho [risos].
Sim, não é assim tão comum [risos]. É comum irmos, mas depois de um ensaio ou de uma reunião ou de algo assim. Claro que às vezes vamos jantar a casa uns dos outros, estou a dizer isto e parece um exagero, mas não é algo que faças todas as semanas. E esta pandemia trouxe-me o impedimento, mesmo quando se desconfina, de não haver esse hábito de combinar coisas. É uma experiência, uma situação nova para mim.

O que é que diria que esta situação lhe trouxe de novo, além desta questão?
Naquele primeiro confinamento, ao contrário do que o mundo romanceava, que era agora que iam ler os livros todos que tinham para trás, e ver as séries e os filmes, eu não tive tempo para nada. Porque como não sou só músico, sou agente também, tinha uma data de concertos de Capitão Fausto, mesmo dos Paus, de Fado Bicha, que tiveram que ser reagendados. E houve muita burocracia para tratar, especialmente quando eram espetáculos com municípios. Estive a trabalhar e muito preocupado. Quando se começou a desconfinar, aí sim comecei a ter algum tempo, e trouxe-me oportunidade para estudar algumas coisas que já queria, programas de gravação, explorar teclados, soluções de composição, tenho tocado muito mais guitarra. De repente, tornei-me uma pessoa que está sempre a pensar na última música que está a compor. Que era uma coisa que antes não me acontecia, como fiz este disco ao longo de muitos anos. Emocionalmente, trouxe-me preocupações. Tenho 41 anos, não é? Não sou propriamente um miúdo novo e teres dois anos da tua vida ativa… No caso das nossas bandas, nós não somos artistas do streaming.

Não somos artistas com milhares de seguidores no TikTok. Somos artistas que precisam da estrada para estar com as pessoas, para o nome se espalhar, para promover os discos, para ter mais espaço de imprensa. De repente vemo-nos remetidos ao digital, quando não somos o tipo de artista do digital, com esta idade fica preocupante. Pensas: isto vai voltar a ser como era? A estrada vai voltar? Quando é que vai voltar? Se isto continuar assim, fica estranho, vamos ter de nos adaptar e não sei como é que se faz isso de uma forma natural quando não é natural para ti estares a fazer dancinhas no TikTok, por exemplo. São anos difíceis.

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