As margens do Rio Coura voltam a servir de palco a um dos festivais mais carismáticos do País e da Europa, entre 12 a 15 de agosto. Aos nomes já confirmados no alinhamento — como Amyl and The Sniffers, Underworld, Wet Leg, Thundercat e Benjamin Clementine — junta-se agora o misticismo dos Hermanos Gutiérrez.
Formado pelos irmãos Estevan e Alejandro Gutiérrez, este duo instrumental tornou-se um fenómeno global ao redefinir a música de ambiente e contemplação. Nascidos e criados na Suíça, são filhos de pai suíço e mãe equatoriana. Esta dualidade é o pilar da sua identidade musical. A paixão pela guitarra, por exemplo, nasceu através da herança da mãe.
Durante a infância, as viagens ao Equador e a música que ouviam com o avô (em especial o estilo pasillo) plantaram as sementes do bolero e da melancolia latina que definem o seu ADN sonoro. Já a precisão e a disciplina da sua educação suíça refletem-se na estrutura minimalista e técnica impecável das suas composições.
Curiosamente, nem sempre tocaram juntos. Estevan e Alejandro tinham projetos separados até que, numa noite de jam session improvisada em Zurique, perceberam que as suas guitarras se completavam de forma natural. “Não precisamos de palavras; as nossas guitarras dizem tudo o que precisamos um ao outro”, costumam afirmar em entrevistas.
Embora os Hermanos Gutiérrez mantenham uma aura de mistério condizente com a sua música, sabe-se que existe uma diferença de idades de oito anos entre eles (daí o título do seu primeiro álbum, “8 Años”, lançado em 2017).
Estevan, o mais velho (terá cerca de 45 anos), é frequentemente visto como o “alicerce” rítmico do duo, toca a guitarra que marca o tempo e a base das canções. O mais novo, Alejandro (cerca de 37 anos) costuma encarregar-se das melodias mais fluidas e dos solos que dão aquela sonoridade “cósmica” às composições. Os Gutiérrez começaram por lançar álbuns de forma independente, como o de estreia e “Hijos del Sol” (2020), que rapidamente se tornaram favoritos para quem procura música de relaxamento e foco nas plataformas de streaming.
O ponto de viragem na carreira dos irmãos ocorreu quando foram descobertos por Dan Auerbach (vocalista dos The Black Keys e dono da editora Easy Eye Sound). Auerbach assinou contrato com eles e produziu os trabalhos mais recentes, elevando a produção “a um patamar cinematográfico e espacial”.
A performance dos Hermanos Gutiérrez na famosa série de concertos NPR Tiny Desk, a 31 de janeiro de 2023, tornou-se viral, o que consolidou a reputação do duo como “uma das atuações ao vivo mais magnéticas da atualidade, capazes de silenciar salas inteiras apenas a dedilhar guitarras”.
Além dos irmãos, o cartaz do Vodafone do Paredes de Coura inclui nomes como Amyl and The Sniffers, Underworld, Wet Leg, Thundercat, Benjamin Clementine, CMAT, MEUTE, Aldous Harding, Kurt Vile & The Violators, Cate Le Bon, Maruja, WU LYF, Getdown Services, Show Me the Body, Bassvictim, terraplana, Strawberry Guy, Vendredi sur Mer, Skegss, A Garota Não, First Breath After Coma + Salvador Sobral, Capitão Fausto ou Milhanas.
A organização ainda não divulgou o dia exato da atuação de cada artista. Geralmente, o alinhamento repartido por dias só é anunciado mais perto da data do festival.
Os passes gerais para o Vodafone Paredes de Coura já se encontram disponíveis online e nos locais habituais pelo valor de 130€.

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