Música

Israel ameaça abandonar Eurovisão se organização rejeitar o tema do país

A letra da canção não faz referência concreta ao conflito entre o Hamas e os israelitas, porém pode ter algumas indiretas.
"October Rain" é o tema em questão.

Israel ainda está em dúvida se vai participar na 68.ª edição da Eurovisão. A comissão daquele país ameaçou abandonar o festival caso a organização do evento rejeite a letra da sua canção por razões políticas.

“October Rain”, de Eden Golan, foi o tema israelita selecionado para levar ao concurso europeu. A letra da canção, que em português significa “Chuva de Outono”, não refere explicitamente o ataque do Hama a Israel a 7 de outubro do ano passado. Porém, a cantora está a ser acusada de fazer referências, tanto em inglês, como em hebraico, às vítimas do conflito.

A União Europeia de Radiodifusão (EBU), que organiza o concurso, terá agora de decidir se a letra representa, ou não, uma declaração política. Caso considerem que sim, Israel terá a oportunidade de apresentar um novo single, ou uma nova letra para o tema apresentado.

No entanto, a emissora pública israelita já anunciou que está em conversações com a EBU sobre a participação do país no concurso e que não tem “qualquer intenção de substituir a canção”. “Se não for aprovada, Israel não irá participar no concurso”, afirmaram os responsáveis.

O ministro da Cultura e do Desporto de Israel, Miki Zohar, considerou “escandalosa” a possibilidade da proibição da canção, dizendo que apenas “exprime os sentimentos do povo e do país atualmente” e que “não é política”.

A participação de Israel nesta edição está envolta em Polémica. As primeiras críticas à organização do festival surgiram após ter aprovado a participação do país na edição que terá lugar na Suécia. Agora, os protestos subiram de tom com a petição de mais de 1.400 artistas finlandeses à UER. O abaixo-assinado lançado a meados de janeiro já soma 30 mil assinaturas e defende que o país deve ser banido da Eurovisão devido aos crimes de guerra cometidos em Gaza.

“Israel viola os direitos humanos e não achamos correto que utilize o concurso para polir a sua imagem”, explicou Lukas Korpelainen, um dos assinantes, ao jornal “Hufvudstadsbladet”. Os finlandeses já afirmaram que tencionam desistir do concurso, caso a UER mantenha a sua decisão. Na Suécia, que acolhe a edição deste ano, já foram registadas mais de mil assinaturas de cantores, músicos, bailarinos e outras profissões do meio artístico.

Os artistas argumentam que a Eurovisão sempre teve como objetivo unir nações e cidadãos com canções. Ao permitirem a participação de Israel, tal não irá acontecer e poderá reforçar a ideia de que os crimes de guerra cometidos não têm consequências.

“O facto de quem desrespeita os direitos humanos ser bem-vindo a participar em eventos culturais destes banaliza as violações do direito internacional e torna invisível o sofrimento das vítimas”, pode ler-se comunicado publicado no jornal sueco “Aftonbladet”.

Como a NiT já lhe tinha contado, Portugal vai subir ao palco da 68.ª edição do Festival Eurovisão da Canção a 7 de maio e a final está marcada para dia 11, em Malmö, na Suécia.

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