Música

Ivete Sangalo: “Faço um show que não deixa alternativa. Têm que me chamar de volta”

A celebrar 30 anos de carreira, Ivete Sangalo volta a subir ao Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa. Atua a 19 de junho.
Completa 50 anos a 27 de maio.

Na nona edição do Rock in Rio Lisboa, como em todas as outras, Ivete Sangalo vai presentear o público português com um espetáculo que não deixará ninguém com o pé no chão. A artista brasileira, conhecida por temas como “Quando A Chuva Passar”, “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” e “Sorte Grande”, atua a 19 de junho no Palco Mundo. Muse, The National, Liam Gallagher, The Black Eyed Peas, Ellie Goulding, Xutos & Pontapés e Anitta, por exemplo, também vão passar por lá.

Enquanto o momento não chega, a cantora, que a 27 de maio comemorou 50 anos e se encontra a celebrar três décadas de carreira, falou com a NiT via Zoom. Da pré-adolescente que sonhava assistir ao Rock in Rio, mas não tinha possibilidades para o fazer, à mulher que entrou pela porta da frente e encantou multidões entre Lisboa e Rio de Janeiro já soma 15 apresentações — e à relação com o público português e Portugal, onde se sente em casa, tudo foi abordado.

Nove edições do Rock in Rio, em Lisboa nove participações da Ivete. É impossível falar da história do festival em Portugal sem falar de si.
Estou me sentindo. Como a gente fala aqui, no Brasil, estou toda metida. Fico muito orgulhosa ao ouvir as pessoas dizerem isso. O próprio Roberto Medina [fundador do festival] fala ‘Ivete, você é o meu pé de coelho, minha sorte, um amuleto que eu tenho’. E isso é lindo. Fico muito lisonjeada porque, de facto, o Rock in Rio tem uma importância muito grande na minha vida, tanto na profissional como na pessoal, já que o acompanhei desde o momento em que apareceu. O sonho de qualquer pré-adolescente era estar no Rock in Rio, mas não podia ir: o meu pai não deixava, não tinha condições, uma série de coisas. Anos depois, entrei pela porta da frente e isso foi muito importante para mim, artística e emocionalmente, como espetadora do festival. A partir daí fomos construindo uma história e uma parceria lindas, um caminho em que colecionei momentos preciosos. Nesse caminho todo, entra um público que assina em baixo. Aí vou vivendo e curtindo.

O público português continua a surpreendê-la?
Sim. Imagine você sair do seu país para cantar noutro e ser tratada como uma filha do lugar. É assim que me sinto em Portugal. Nos inúmeros shows que já fiz em Portugal, não só em Lisboa, fui sempre recebida como uma pessoa da família, como prata da casa. Para mim isso tem um valor enorme. O amor que demonstram e a confiança no meu trabalho são as maiores honras que o povo português me poderia entregar. Em toda a história que venho construíndo em Portugal, esse é o grande presente — ser considerada uma filha do lugar. É algo que sinto na pele. Todas as atuações foram muito lindas, gostosas e emocionantes. Todas me surpreenderam.

A vontade de regressar a Portugal começa ainda antes de partir?
Já começa sim. E tenho uma história linda e pessoal com Portugal. Foi o primeiro país que o meu filho conheceu e as nossas melhores viagens foram aí. A gente tem um vício com esse país. Vamos todos agora, a família inteira. E sempre que vamos criamos muitas expetativas. É sempre muito bom. Como lhe falei, me sinto em casa, um conforto emocional. Estou em Portugal, estou em casa. Não há uma distância. Não conto os dias para voltar [para o Brasil] quando estou aí. É muito massa. Gosto muito de estar aí.

Aqui, gosta de visitar algum lugar em especial?
Gosto muito de viajar de carro por Portugal. A gente conhece lugarzinhos muito pequenininhos. Já fiz shows no Algarve, em Fátima, tantos lugares lindos. Gosto sempre de ir numa carrinha, como vocês dizem aí, e ir parando, comendo uma coisinha aqui, rezando e fazendo oração. Enfim, seria uma ingratidão minha falar um lugar específico. Gosto de tudo.

Quais as diferenças entre a Ivete que aceitou o primeiro convite e a que se vai apresentar a 19 de junho no Rock in Rio?
Acredito que tenha mais maturidade, até profissional, que me ajuda muito a ter mais calma, a respirar mais fundo, mas não estou muito diferente. Continuo a mesma menina agoniada, pronta para entrar e querendo entrar logo no palco, desejando que chegue a hora. Ainda tenho ainda essas sensações, e é maravilhoso. Permanece essa palpitação, que é o que me mantém viva: a ansiedade de fazer, de entrar no show.

Acho que não mudei muito. Obviamente, tenho mais experiência e a maturidade que veio com a vida, não só a profissional. Como o show e essas estadas em lugares como Portugal nada tem a ver com trabalho e nunca sei o que vai acontecer, é só emoção. Então eu vou e me jogo mesmo, me encharco daquela emoção que me faz ter essa vibração, essa energia sempre renovada. É uma coisa que faço com muito amor e acaba por dar certo.

Tem momento ou história que recorde de forma particular destes anos de Rock in Rio?
Fizemos o lançamento do Rock in Rio Lisboa na Torre de Belém. Um show enorme, num palco vermelho. Para mim, foi um dos momentos mais bonitos porque aquele lugar tem uma simbologia muito grande, para o povo português e para o Brasil. E a cidade inteira parou e estava lá para assistir. Eu via Lisboa na frente do meu palco. Senti como se fosse uma validação. Como se recebesse um título de cidadã. Uma entrega, uma permissão. Eu, uma brasileira, noutro país, um país irmão, num lugar completamente emblemático para as duas nações, a cantar naquela noite, com a cidade a assistir. Então é ‘Ivete, você é nossa também, você pode fazer isso aqui’. Isso para mim foi uma grande honra. E houve uma coisa que me perguntei durante o show: ‘meu Deus do céu, é isso mesmo? está acontecendo isso?’. Porque abriram a casa, disseram que era minha e podia estar ali do jeito que bem entendesse. Foi um momento bem importante. Aí eu entendi ‘pronto, está selado aqui esse elo e ninguém vai desfazê-lo — jamais’.

Essa não foi a sua primeira atuação em Portugal.
Não. A primeira foi no Coliseu, que é muito famoso, tem uma tradição de receber grandes artistas do mundo e nem acreditei, falei ‘gente, vamos tocar no Coliseu?’. Falava assim ‘rapaz, vai ter três pessoas. A gente vai mesmo?’. E me lembro como se fosse hoje, foi impactante na hora que entrei. O povo cantava até os arranjos da música. Era um negócio ensurdecedor. Eu falei ‘ah, esse povo eu vou abraçar’. Desde então, só tem coisa boa.

O que pode o público esperar do espetáculo deste ano?
Esse ano é muito importante para mim, é comemorativo. Completo 30 anos de carreira e faço 50 anos. Mais uma vez no Rock in Rio. O que é que eu vou levar? Um show lindo, porque o povo português merece o meu melhor. Então vou me exibir muito. Vou chegar belíssima naquele palco. Ninguém me segura.

E o que espera a Ivete dessa apresentação?
Essa é a certeza que eu levo. Sei que o público vai corresponder, atender ao meu chamado e vai ser lindo — como sempre é.

Podemos continuar a contar com os seus concertos em Portugal?
Toda vez que eu faço um show, faço um show para voltar. Não deixo alternativas. O cara tem que me chamar de volta. É uma estratégia mirabolante que tenho. Faço um show bem bom e não há jeito, tem que me chamar de volta.

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