Música

James Morrison: “Os portugueses têm um grande ecletismo musical e um ótimo humor”

O músico britânico, conhecido por "You Give Me Something" ou "Broken Strings", atua agora em Portugal. A NiT entrevistou-o.
O músico tem 37 anos.

James Morrison apresentou-se ao mundo, com estrondo, em 2006 — quando lançou o single de estreia “You Give Me Something”. Foi um enorme sucesso e catapultou-o imediatamente para o circuito internacional de música pop. Acabaria por lançar o seu primeiro disco nesse ano e mais tarde destacar-se-ia ao lado de Nelly Furtado no tema “Broken Strings”.

Desde então, lançou discos, atuou por todo o mundo, escreveu para artistas como Demi Lovato e Kelly Clarkson, e agora vem tocar a Portugal. Este sábado, 21 de maio, dá um concerto na Feira de Leiria, no estádio da cidade. No mesmo dia atuam Pedro Abrunhosa e Noble. Os bilhetes estão à venda por 20€.

A sua voz rouca característica vem do facto de ter tido um caso grave de tosse convulsa, que quase o matou quando era bebé. James Morrison cresceu numa casa com muita música, no contexto social da classe trabalhadora pobre do Reino Unido.

Era uma comunidade atormentada pela pobreza e pelo alcoolismo, onde era ostracizado na escola por se dedicar mais às artes e menos ao desporto. Começou a tocar em bares durante a adolescência, e foi descoberto num pub pelo seu primeiro manager, que lhe garantiu o contrato de estreia com uma editora. O resto é história.

Aos 37 anos, James Morrison é um músico com uma carreira sólida — mas parece nunca ter cedido ao mundo do entretenimento e das celebridades, mantendo uma postura humilde e genuína, distante da ostentação e de hábitos excêntricos. Leia a entrevista da NiT.

Vem atuar a Portugal, onde já esteve no passado. Tem alguma memória ou história relacionada com o nosso País?
Sim, tenho muitas. Já toquei em vários festivais, como o MEO Sudoeste ou o Rock in Rio, já toquei no mesmo dia que os Linkin Park. Tenho muitas memórias. Cresci com amigos da minha mãe que eram portugueses, adoro rojões, são incrívis. E os portugueses têm um grande ecletismo musical, têm um ótimo sentido de humor, boa comida e cervejas. É ótimo, adoro estar aí, onde também já fui algumas vezes de férias. A música “Person I Should Have Been”? compus em Portugal, numa altura em que estava a passar um mau bocado, o meu pai não estava bem. E depois pude interpretá-la ao vivo, uns dois anos depois, em Portugal. Teve muito significado. E gosto da música portuguesa, o fado é incrível — uma espécie de flamenco triste, com muita soul.

O que é que os fãs podem esperar do concerto em Leiria?
É um concerto com rock e muita soul, tudo tocado e cantado ao vivo, muito bem oleado nas transições entre músicas. Ao mesmo tempo, não tenho um guião, falo sobre coisas diferentes no espetáculo, sobre as tretas que me apetecer. Continuo a ser muito inspirado por referências dos anos 60 e 70, em termos de som e performance. Já tocámos em sítios com condições muito más, mas o nosso trabalho é sempre dar o nosso melhor e fazer com que as pessoas passem um bom bocado. E agora neste festival em Portugal vai ser ótimo, certamente. Já não dou concertos há algumas semanas, vai ser bom regressar e celebrar com umas cervejinhas.

Tem algum ritual que faça antes de subir ao palco, que repita sempre?
Nas últimas tours, tenho estado no banho antes de ir tocar — com a água o mais quente possível. É para estar cá em cima, ter energia. E também tomo bebidas saudáveis, de limão ou gengibre, que ajudam bastante. É importante porque as digressões são muito desgastantes para o teu corpo, para a tua voz. Oiço um bocado de música, reggae ou drum n’ bass — o objetivo é ter energia e espírito positivo para subir a palco e estar pronto.

O James está a caminho dos 20 anos de carreira, uma vez que se estreou oficialmente em 2006. Pensa em manter-se relevante, ou nem por isso?
Sim, claro que penso. Mas não penso nas vendas, nas rádios nem nos prémios. Penso em tocar coisas diferentes, descobrir coisas distintas, que me entusiasmem e permitam que continue a não me preocupar como pagar as contas. Ser relevante é continuar a tocar aquilo de que gosto e apostar no meu próprio caminho. Optar pela autenticidade em vez das tendências, tentando não me preocupar assim tanto com a relevância. Claro que posso perder alguma coisa com isso.

O que é que sente que ainda tem por conquistar?
Mais do que  qualquer outra coisa, penso que ainda não cheguei ao ponto de ter composto a música que me permita durar. Ou seja, a música que vai ficar durante anos e anos. Ainda posso demorar algum tempo a lá chegar, ainda não atingi o auge do músico que posso ser. 

Ao longo dos anos falou sobre as dificuldades que tem sentido ao lidar com a fama. É algo com que se aprende a lidar?
Ainda estou a aprender a lidar. Claro que já tive situações más com fãs, pessoas que se aproveitaram de mim, mas tento sempre corresponder e dar um autógrafo ou tirar uma fotografia. Tento não ser uma pessoa inabordável, não ter a arrogância que vem com o facto de seres um músico famoso. Não quero transmitir a mensagem “sou alguém”. Estou feliz por não ser ninguém. Sou só um tipo que toca canções.

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