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James: “Tocámos no Porto e o chão colapsou completamente. Foi uma noite incrível”

A banda dá o seu trigésimo concerto em Portugal esta sexta-feira, 29 de junho, no Rock in Rio Lisboa. A NiT falou com o grupo britânico que tem uma ligação forte e especial ao País.

O grupo toca às 18 horas no Palco Mundo.

Os James só podem ser uma das bandas mais adoradas pelos portugueses. O grupo britânico, formado no início dos anos 80 e que se tornou conhecido ao longo da década seguinte, já deu 29 concertos em Portugal — segundo a lista do site especializado Setlist.fm.

Estão prestes a fazer a trigésima atuação no País esta sexta-feira, 29 de junho, no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa. O espetáculo começa pelas 18 horas e a banda toca no mesmo dia que os The Killers, The Chemical Brothers e os Xutos & Pontapés, que farão uma homenagem especial a Zé Pedro.

Os James estão intimamente ligados a Portugal, até por várias razões familiares — alguns dos membros chegaram a viver no País quando não estavam em tour. A NiT falou com o guitarrista (que também toca violino) Saul Davies, um desses casos.

Os James já tocaram em Portugal 29 vezes, o que é um número extraordinário. Como é que descreve esta relação de amor da banda com Portugal?
Penso que somos como uma prostituta [risos], uma prostituta muito boa. Portugal continua a comprar-nos por uma hora. Não, penso que da primeira vez que fomos a Portugal, nos anos 90, fomos no momento certo. Os concertos que demos, lembro-me do Coliseu do Porto e o de Lisboa, foram atuações especiais. E tudo veio a partir disso, na verdade. Claro que também foi de alguma exposição na rádio, mas acho que sempre fomos muito respeitosos com Portugal, porque reconhecemos que é uma parte importante da nossa carreira, do sucesso que temos. Não fazemos sempre a coisa mais óbvia, e penso que o público português é muito sofisticado, tem um ouvido sofisticado. Por exemplo, muitas pessoas em Portugal falam inglês. Não têm nenhum problema em entender as nossas letras, não há nenhuma barreira.

E sente que criaram uma ligação especial com o público português?
Sim, bastante. Não é que pudéssemos ir a um país diferente do nosso e ser tipo: “yeah, yeah, yeah, whatever”, e depois ir embora. É diferente quando vais e conheces o país, crias uma ligação, é uma coisa bilateral. Quer dizer, o meu filho nasceu em Portugal, eu vivi em Portugal, a minha mulher é portuguesa — apesar de já não estarmos juntos —, e fiz amigos. Tenho uma ligação muito forte com o norte de Portugal: o Porto, Caminha, o Minho. São zonas que conheço bem.

Claro, é um lado muito pessoal.
Sim, e a irmã do Tim nos arredores de Lisboa, no campo, e a Maya, a sobrinha dele, faz novelas e esse tipo de coisas. Temos uma ligação muito forte e isso faz com que seja diferente.

E quais são as coisas que gosta mais de fazer em Portugal, que não consegue fazer no Reino Unido, por exemplo?
As sardinhas [risos]. No último ano, fui várias vezes à Beira Baixa, ali perto de Castelo Branco. E ir lá é descobrir um Portugal diferente. Um novo Portugal para mim. Ver aquelas pessoas mesmo, mesmo velhas, naqueles sítios. Pessoas da terra, que apanham frutas e plantam árvores, it’s fucking amazing. As pessoas são incríveis. Fui lá com a minha filha para que ela pudesse andar a cavalo, nós vivemos no norte da Escócia, por isso vivemos numa parte muito bonita e rural do mundo. Por isso vou para a Beira Baixa para ter algum Sol [risos]. Apaixonámo-nos por esta parte de Portugal que nem sequer é assim tão conhecida pelos portugueses, pelas pessoas do Porto, Coimbra, ou Lisboa. É fascinante, é uma cultura diferente.

E depois de todos estes anos com a banda a atuar em Portugal, qual é a história que gosta mais de recordar e a memória mais especial que tem?
Tocar no Coliseu do Porto e o chão colapsar. Foi uma noite incrível. Se bem me lembro, porque foi há muito tempo, foi a primeira vez que tocámos no Porto e o chão colapsou totalmente e o edifício teve de ser evacuado. Foi incrível. A multidão estava a saltar e a saltar e o chão ficou completamente fodido. Isso foi algo mesmo impressionante. Depois do concerto, víamos pedaços de madeira no ar. Do género: que sítio maluco é este? [risos] E também tenho de dizer que a última vez que tocámos no Rock in Rio, tive a oportunidade de fazer um discurso sobre aquilo que eu pensava sobre o caminho por onde Portugal estava a ir — estava só a viver praticamente em Portugal na altura — e fiz mesmo um statement político sobre a situação em como eu a via, sendo um estrangeiro. E este último disco que fizemos é um disco que tem alguns desses elementos, com algumas questões políticas. Vivemos tempos muito estranhos. Tudo está fodido, na realidade. Portugal parece que está numa situação melhor, para algumas pessoas, mas, sendo britânico, é uma altura muito estranha para se estar vivo, por causa do Brexit, por exemplo. Se fores americano e negro, é um tempo muito estranho para viveres, com tudo o que está a acontecer lá com Trump.

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