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Joana Cruz sobre o cancro: “Foi a maior pausa na minha vida e não é para repetir”

A radialista está de volta à RFM, após ter vencido a luta contra o cancro da mama. Foi um processo que demorou 8 meses.
Joana Cruz fez 43 anos em agosto.

Foi no início de 2021 que Joana Cruz anunciou ao mundo que tinha sido diagnosticada com cancro da mama. Depois de vários meses de sessões de quimioterapia, e de uma cirurgia, a radialista revelou em meados de agosto que estava curada da doença.

Não perdeu tempo a voltar ao trabalho. Na segunda-feira, dia 30, regressou ao programa da RFM, “Wi-Fi”, com Rodrigo Gomes e Daniel Fontoura, das 18 às 20 horas, de segunda a sexta-feira. Este foi o pretexto para a NiT falar com a radialista de 43 anos sobre este regresso à rádio, após longos meses de luta contra o cancro, processo que foi partilhando nas redes sociais.

Já tinha muitas saudades de fazer rádio?
Já, sim senhor, concerteza. Era aquele regresso ao aquário, porque uma pessoa sente-se sempre peixe na água, portanto tranquilamente voltei para trabalhar com amigos e colegas, que é sempre bom quando os colegas também são amigos.

Imagino que, desde que começou a trabalhar na rádio, nunca tinha feito uma pausa tão grande.
Não, nunca tinha, na vida toda. Mais de 20 anos a trabalhar e isto nunca tinha acontecido, foi de janeiro ao final de agosto. Foi a minha maior pausa na vida e, pronto, é para não repetir [risos].

Obviamente, a Joana estava ocupada com o problema de saúde, mas sempre continuou esse bichinho de querer regressar ao trabalho? Foi algo que a acompanhou?
Exatamente, esse bichinho da rádio nunca saiu. O outro, que era para sair, saiu, felizmente [risos]. Mas a rádio é sempre bom, é como andar de bicicleta, não se esquece e de facto faz falta. Fazermos aquilo de que gostamos e voltarmos onde somos felizes é sempre maravilhoso, claro que sim.

Foi acompanhando, mesmo que à distância, o trabalho dos seus colegas e amigos, como estava a dizer?
Sim, sim, nós falávamos praticamente todos os dias. O que é que fizeram? O que é que andam a fazer? Como é que vai a vida? Como é que não vai? Foi tudo impecável mesmo. O Daniel Fontoura passava aqui em casa, “olha, deixaram-te não sei o quê”, fazia de estafeta [risos]. Mantivemos sempre o contacto. Porque a amizade está acima do trabalho até.

Além daquilo que é óbvio, no que é que diria que esta experiência mudou a sua vida?
Eu já era uma pessoa que valorizava muito a vida e o bem-estar, e as coisas boas que, por mais pequenas que sejam, devemos dar valor. E agora ainda mais. Aqui algures no tempo devo ter-me distraído um bocadinho, mas agora é mesmo para estar sempre a lembrar-me de que é assim que devemos todos viver e que para sermos felizes e saudáveis não é muito complicado. É mesmo tratarmos bem de nós, estarmos bem connosco e é isso que nos ajuda muito a estarmos bem, a não atrair, quem sabe, estas situações, e depois também a sair delas da melhor maneira, como foi o caso.

Pretende manter-se ligada à causa da sensibilização para o cancro da mama?
Sim, claro que sim. Não só pelos convites que tenho tido para dar algum depoimento relativamente ao assunto, mas para continuar obviamente esta posição que tenho, de falar para um público, poder fazer sempre esse lembrete às pessoas, da questão do auto diagnóstico, dos exames rotineiros não serem adiados. Isso é sempre importante e se já achava que o era, agora ainda acho mais e está mais presente, até pelas pessoas que me contactam diretamente. Há muitas pessoas para sensibilizar e eu não tinha ideia da quantidade de pessoas que depois me contactam a dizer “já estive na mesma situação”, “estou a começar o processo”, “não sei se não vou ter porque estou à espera de resultados de exames”. É muita, muita gente. É uma chatice.

Neste momento, continua a ter alguns cuidados ou hábitos em termos de saúde, ou já recuperou totalmente a sua vida normal?
Sim, já recuperei, praticamente não há restrições. Agora só volto lá daqui a seis meses para dizer olá e a rotina de controlo. Felizmente já não há mais nada a fazer neste momento — só aproveitar as coisas boas.

Nesta fase de revigoração, que sonhos profissionais é que sente que ainda tem por concretizar?
Ora, continuar a fazer o programa na RFM — porque isto é um desafio que é diário e nós não somos muito de ficar encostados à coisa boa que fizemos ontem, anteontem, na semana passada ou há um mês, fazer sempre mais e melhor do que no dia anterior. E depois, quem sabe um dia, poder voltar a fazer televisão. Já acumulei as duas funções durante alguns anos e gostei sempre imenso. Portanto, quem sabe. E também a participação com o Sporting, não é? Talvez fazer um projeto novo com o Sporting, que ainda não está de todo definido, mas está idealizado num plano ainda muito vago. Mas quero continuar com esta relação verde, deste amor verde. Há vontade de ambas as partes.

Curiosamente, a sua recuperação coincide com o desconfinamento. Há alguma coisa que não tenha conseguido fazer nos últimos meses, por causa das circunstâncias, mas que tenha muita vontade?
Viajar, pois claro. Tivemos todos um bocadinho amarrados a casa. Claro que já se podia fazer umas boas viagens indo para fora cá dentro, mas apanhar um avião e ouvir outra língua é o que está aqui agora mais assim a fervilhar. E jantar fora agora é quase todos os dias [risos]. Tem que ser. 

E tem algum destino pensado?
Sim, já estou aqui a cozinhar um safarizinho para 2022. A panela já está ao lume à espera que levante fervura.

Portanto, por agora vai focar-se no regresso ao trabalho.
Exatamente, e continuar a lembrar as pessoas de que, quando encaramos as coisas com otimismo, e mesmo às vezes nas situações más tentar ver os lados positivos e as coisas boas que, mesmo assim, ainda são muitas, a par daquilo que nos possa estar a acontecer… Acaba por ser um bom caminho para encontrarmos facilmente a placa da saída.

Sentiu muito o carinho das pessoas ao longo destes meses?
Sim, desde a primeira hora. Isso sempre foi notório e absolutamente massivo, incrível e inesperado. Fiquei muito feliz por isso, sentir que as pessoas estavam completamente do meu lado e a dar-me a maior das forças, fosse em orações, em bons pensamentos, isso foi mesmo incrível. Mesmo que não estejamos a ver, isto é tudo uma questão de energia. Quando a coisa está toda a apontar para o mesmo lado, e são muitos, é um empurrãozinho que a gente leva e às vezes não sabe bem de onde é que foi mas ele existe.

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