Música

“Just a Notion”: oiça a nova música dos ABBA (que foi gravada nos anos 70)

O tema faria parte de "Voulez-Vous", o sexto álbum do grupo sueco. Agora, fará parte do novo "Voyage".
É a terceira música que lançam desde o seu regresso.

Têm fãs de todas as idades e, até os que não viveram durante a época de ouro dos ABBA ansiavam pelo regresso. Mantiveram a esperança durante os 40 anos que durou a pausa na carreira do grupo sueco. O novo álbum, “Voyage”, sai já a 5 de novembro. Em setembro lançaram duas novas músicas: “I Still Have Faith In You” e “Don’t Shut Me Down”. Mais de um mês depois, o grupo apresentou um novo single — “Just a Notion”.

Este novo tema é, na verdade, uma canção antiga dos ABBA: foi gravada em 1978. Contudo, só chegou aos ouvidos do público até esta sexta-feira, 22 de outubro. Se a ouvirmos, percebemos bem que o tema se aproxima bastante da sonoridade clássica da banda.

“Just a Notion” tinha sido gravada para entrar no álbum “Voulez-Vous”. É o disco que inclui temas como “Chiquitita”, “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)” e, claro, a faixa que deu nome ao sexto álbum de estúdio do grupo composto por Agnetha Fältskog, Anni-Frid Lyngstad, Björn Ulvaeus e Benny Andersson. A música foi descartada de “Voulez-Vous” mas fará parte do álbum “Voyage”, o primeiro dos ABBA desde 1981.

A vida dos membros do quarteto suceo, especialmente das mulheres, não consistiu apenas em concertos esgotados e glamour. Por trás das luzes da ribalta, Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad tiveram períodos de vida bastante conturbados, que incluíram divórcios e mortes de familiares.

Casamentos falhados, suicídio e stalkers 

Agnetha Fältskog era a loira de olhos azuis dos ABBA. Para muitos, era também a estrela do grupo sueco. Conheceu Björn Ulvaeus por mero acaso num café quando tinha 19 anos. Um ano depois, em 1971, estavam casados. Eram metade dos ABBA e um dos casais que constituía o grupo. Estiveram casados durante nove anos e tiveram dois filhos, Linda Elin Ulvaeus, que tem agora 48 anos, e Peter Christian Ulvaeus, agora com 43 anos.

O casal separou-se em 1980. Na altura, corria o boato de que os membros dos ABBA não formavam efetivamente dois casais e dizia-se que tudo não passava de uma estratégia de marketing. No entanto, foram precisamente as próprias relações amorosas que levaram ao fim do grupo, visto que, embora tivessem tentado, já não sentiam prazer em gravar novas músicas depois dos divórcios.

Embora difícil, o divórcio de Fältskog e Ulvaeus deu ao grupo um dos seus maiores sucessos: “The Winner Takes It All”, uma música que fala da separação entre o casal, e que acabou também por exprimir o que os quatro membros do grupo sentiam.

“Foi fantástico fazer aquela música porque podia-me identificar-me com aquele sentimento. Não me importei em partilhá-lo com o público, não me parecia errado”, explicou a cantora ao “Daily Mail”.

Enquanto ainda faziam parte dos ABBA, tanto Agnetha como Björn iam descrevendo o divórcio como “amigável”, a versão que escolheram contar aos meios de comunicação social. “Sempre dissemos que era um ‘divórcio feliz’, o que era, obviamente, mentira. Não existem divórcios felizes, especialmente quando existem crianças envolvidas. Além disso, a nossa separação estava sob o olhar dos média”, confessa a cantora em “As I Am: ABBA Before & Beyond”, a sua biografia, publicada em 1997.

Em 1990, a artista casou-se com Tomas Sonnenfeld, um cirurgião. A relação de ambos foi mantida em segredo até se divorciarem, em 1993. Quatro anos depois, em 1997, Agnetha apaixonou-se por Gert van der Graaf, um stalker que a perseguia desde 1995 e que chegava até a aparecer na sua casa. “Dedicava-me uma atenção muito intensa, e passado um tempo, deixei de conseguir resistir”, relembrou Agnetha. Formaram um casal durante dois anos mas, em 2000, a vocalista dos ABBA já procurava obter uma ordem de restrição contra o ex-namorado. Devido ao incumprimento do mandato, acabou por ser deportado da Suécia para a Alemanha, mas continuava a voltar à casa de Agnetha. Em 2006, foi preso a poucos metros do seu quintal.

Não foram só as relações amorosas que a marcaram. Em 1994, Birgit Fältskog, a mãe da cantora, suicidou-se ao atirar-se da janela do sexto andar do apartamento que partilhava com o marido. Foi um ponto de viragem na vida da artista, que nunca mais voltou a ser a mesma: “A Agnetha ficou devastada. Foi-lhe difícil seguir em frente. Não conseguia acreditar que a sua mãe tinha sido capaz de fazer uma coisa assim. Ficou assustada e passou a sentir-se completamente sozinha no mundo”, revelou um amigo. Cerca de 12 meses depois, o pai de Agnetha também morreu.

Um ano antes, em 1983, a estrela de “SOS” sofreu um acidente que a fez correr perigo de vida.  O carro onde seguia capotou e Agnetha foi cuspida do veículo. “Devo ter um anjo da guarda a vigiar-me. Tenho tido tanta má sorte mas mesmo assim sobrevivo. É bom para enfrentar os meus medos”, disse a cantora ao “The Sun”.

Agnetha em 2013, ano quem voltou a atuar ao vivo, após ter passado 25 anos afastada dos palcos.

Agnetha Fältskog fez uma pausa na sua carreira musical que se estendeu por 17 anos. Quando voltou aos palcos foi recebida de braços abertos tanto pelos fãs, como os críticos. “My Colouring Book”, lançado em 2004, marcou o seu regresso à cena musical. Em 2013, atuou pela primeira vez ao vivo em 25 anos, num evento de angariação de fundos para crianças. Nesse mesmo ano, lançou “A”, um novo álbum de originais, o regresso triunfante de uma mulher que se pensava estar que ia permanecer afastada da música para sempre. Agora que está de volta, uma reunião dos ABBA já não parece impossível”, escreveu Will Hodgkinson, do “The Times Of London”. O regresso aconteceu oito anos mais tarde.

Do título de princesa e à morte da filha

Anni-Frid, mais conhecida como Frida, era avaliada em relação à sua parceira musical, comparação que menorizava as suas qualidades naturais. Embora não se destacasse tanto quanto Fältskog,  a voz de Frida é indissociável de alguns dos maiores êxitos dos ABBA, como “Fernando” e “Super Trouper”, aquela música que torna irresístivel não mexer pelo menos o pé. O seu marido era Benny Andersson, claro, o outro membro masculino do grupo.

Conheceram-se graças à música. Em 1969, Frida atuou num número de cabaré em Malmö, uma aldeia no sul da Suécia. Foi ness atuação que conheceu Benny. Dois anos depois já viviam juntos e partilhavam a vida. Ao contrário dos seus parceiros de banda, não se casaram imediatamente. Ficaram noivos em 1971 mas demoraram sete anos até se tornarem oficialmente marido e mulher. A espera foi maior do que o casamento, que, tal como aconteceu com Agnetha e Björn, acabou em 1980.

Um dúzia de anos mais tarde, em 1992, Anni-Frid Lyngstad recebeu o título de princesa, ao casar-se com o Príncipe Heinrich Ruzzo de Reuss, Conde de Plauen. A relação de ambos sempre foi bastante secreta mas sabe-se que começaram a namorar em 1982 e que viviam numa castelo na Suíça. Em 1999, Frida enviuvou quando Heinrich Ruzzo morreu com um linfoma. A cantora manteve o título de princesa e herdou também 75 milhões de libras (aproximadamente 87 milhões de euros).

No ano antes da morte do marido, Frida Lyngstad perdeu a filha. A 13 de janeiro de 1998, Ann Lise-Lotte Fredriksson Casper, a filha de 30 anos de Frida, conduzia por Livonia, em Nova Iorque, quando teve um acidente de carro. Não resistiu aos ferimentos do embate. 

Frida não se afastou por completo da ribalta, ao contrário da sua parceira de grupo. Em 2010, por exemplo, lançou um novo single “Morning Has Broken”, cuja sonoridade é idêntica a das músicas dos ABBA. No ano seguinte, participou numa peça de teatro na rádio, criada pela BBC. Mais recentemente, em 2018, lançou a sua própria versão de “Andante, Andante”, com o trompetista Arturo Sandoval.

“Voyage”, o novo álbum dos ABBA, será lançado a 5 de novembro de 2021, 39 anos depois do seu último projeto.

Frida Lyngstad no lançamento do filme “Mamma Mia”, onde se ouvem muitas das canções que tornaram os ABBA famosos.

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