Dois anos após os primeiros atos de contrição, o magnata do hip-hop Kanye West (também conhecido como Ye) voltou a abordar publicamente as controvérsias em que se tem envolvido nos últimos tempos. Numa carta aberta publicada no “The Wall Street Journal” (WSJ), esta segunda-feira, 26 de janeiro, o artista de 48 anos atribui a sua retórica antissemita e promoção de símbolos nazis a “crises de saúde mental e danos neurológicos”.
O pedido de desculpas, enquadrado num anúncio de página inteira do jornal (pago pela sua marca, Yeezy, segundo a “Vanity Fair”), surge num momento estratégico para o artista. Os mais céticos associam a retratação “com pompa e circunstância” ao lançamento iminente do seu próximo álbum, previsto para esta sexta-feira, 30 de janeiro.
Afinal, já não seria a primeira vez. Em 2023, quando West se retratou publicamente dos comentários antissemitas que havia feito no passado, o pedido de perdão à comunidade judaica, publicado em hebraico, surgiu poucos dias antes do início da promoção de “Vultures 1”. O álbum, inicialmente previsto para o final desse ano, acabou por ser lançado apenas em fevereiro de 2024.
O texto agora publicado no WSJ descreve um historial médico complexo. Em 2002, Kanye West afirma ter sofrido um acidente de viação que lhe causou “uma lesão no lobo frontal direito do cérebro, que passou despercebida durante décadas”. Segundo o rapper, que já havia tornado público o seu transtorno bipolar, o traumatismo cerebral só foi “devidamente diagnosticado em 2023”.
“Completamente enredado na minha mania, perdi de vista o impacto das minhas palavras no mundo real”, afirma. “Sentia que estava a ver o mundo com clareza, quando, na realidade, estava a perder o controlo. Disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente.”
O artista confessa ter passado por um “episódio maníaco de quatro meses”, no início de 2025, período em que utilizou um anúncio no Super Bowl para vender T-shirts com suásticas por 20 dólares (cerca de 17€). “Nesse estado fraturado, gravitei em direção ao símbolo mais destrutivo que pude encontrar. Estou profundamente envergonhado”, afirmou.
Apesar de detalhar a sua luta contra a psicose e a paranoia, Kanye West enfatiza que não justificam as suas ações. “Isto não desculpa o que fiz. Eu não sou nazi nem antissemita: amo os judeus”, assegura. O músico acrescenta estar a fazer terapia e a seguir “um regime rigoroso de medicação”. Agora leva “uma vida limpa” e está a canalizar a sua energia para criar “arte positiva”.
No final da missiva, pede paciência ao público: “Não estou a pedir vossa simpatia, nem uma carta branca, embora deseje vir a ter, um dia, o vosso perdão. Escrevo simplesmente para pedir a vossa compreensão enquanto encontro o meu caminho de regresso a casa.”

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