Foram precisos apenas poucos segundos para que os Turnstile transformassem o concerto do MEO kalorama numa descarga de adrenalina. Este domingo, 30 de agosto, a banda norte-americana subiu ao palco pelas 22h30 e encontrou um público pronto para vibrar com a energia do grupo. Mal o concerto tinha começado e já havia mosh pits abertos, corpos aos saltos e fãs a correr em círculos em frente ao palco.
Brendan Yates tratou de acelerar ainda mais o caos. Logo nos primeiros temas, o vocalista saltou para junto da multidão e aproximou-se de quem estava nas primeiras filas, numa espécie de convite para que ninguém assistisse ao espetáculo de braços cruzados. Não foi preciso insistir muito. O público respondeu com sucessivos encontrões, rodas de mosh e uma entrega que se manteve durante praticamente toda a hora de atuação.
“Birds” abriu caminho para “Real Thing” e “Endless”, numa sequência que deixou clara a intenção dos Turnstile: não dar tempo para respirar. A bateria de Daniel Fang e as guitarras puxaram o som para o lado mais agressivo da banda, enquanto Yates ia de um lado ao outro do palco, sempre a desafiar a plateia a aproximar-se ainda mais daquela espécie de caos coletivo.
Foi difícil perceber onde terminava o concerto e começava aquilo que acontecia no público. Em “I Care / Dull”, “Don’t Play” e “I Don’t Wanna Be Blind”, o espaço à frente do Palco MEO voltou a abrir-se várias vezes para novos mosh pits, enquanto mais atrás havia quem saltasse sem sequer tentar entrar na confusão.
Formados em Baltimore, nos Estados Unidos, os Turnstile começaram dentro do circuito hardcore, mas há muito deixaram de caber apenas nesse território. “Glow On”, lançado em 2021, foi o disco que os levou a um público muito maior e os transformou numa das bandas de guitarras mais celebradas da atualidade. No Kalorama, essa evolução percebeu-se quando o peso do hardcore começou a conviver com refrões mais melódicos e momentos quase pop.
“Mystery” foi um desses exemplos. O tema manteve a intensidade do concerto, mas encontrou uma reação diferente, com mais gente a cantar e menos fãs no círculo de corpos que continuava a formar-se junto ao palco. “Sole” e “Look Out for Me” prolongaram essa mistura entre violência, melodia e catarse.
Depois chegaram “Holiday” e “Blackout”, dois dos temas que ajudaram a consolidar o sucesso de “Glow On”. Foi aí que o concerto deixou de parecer apenas uma atuação de hardcore e passou a funcionar como uma celebração coletiva. Já não eram apenas os fãs mais habituados a este tipo de concertos que acompanhavam as músicas. A energia espalhava-se por grande parte do recinto e o Palco MEO parecia, por momentos, pequeno para tudo aquilo que estava a acontecer.
Os Turnstile também trouxeram a Lisboa “Never Enough”, o quarto álbum, lançado em 2025. O tema que dá nome ao disco surgiu na reta final e mostrou novamente como a banda consegue alternar entre agressividade e melodia sem perder intensidade. É essa capacidade que os distingue: podem abrir um mosh pit num minuto e, no seguinte, entregar um refrão capaz de ser cantado por milhares.
A atuação terminou com “T.L.C. (Turnstile Love Connection)”, ao fim de cerca de uma hora. Nessa altura, pouco restava da contenção com que muitos tinham chegado ao concerto. Havia corpos suados, braços levantados e gente que ainda parecia ter energia para continuar.
Foi um dos melhores concertos desta edição do MEO Kalorama. Não apenas pela violência (controlada) dos mosh pits ou pela proximidade entre banda e público, mas porque os Turnstile conseguiram transformar um palco enorme numa sala de concertos onde tudo parecia acontecer a poucos centímetros de distância. Durante uma hora, foram uma espécie de comprimido de energia tomado de uma só vez. E o Kalorama engoliu-o inteiro.
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