Desde 1993 que Rui Ferreira tem uma carreira ligada à música — trabalha na Rádio Universidade de Coimbra, é fundador da editora Lux Records, onde foi manager de The Legendary Tigerman ou dos Wraygunn, e acabou de abrir a sua primeira loja de discos.
Chama-se Lucky Lux e fica na baixa de Coimbra. “Fazia falta dinamizar esta zona da cidade e promover iniciativas culturais”, conta o dono, de 49 anos, à NiT. “E também me pude dedicar à música a tempo inteiro.”
A loja foi inaugurada este sábado, 11 de fevereiro, e vai ter cerca de seis mil discos à venda quando forem todos lá colocados — Rui Ferreira ainda está a carregar caixas. “80% deles são discos que fui acumulando ao longo dos anos.” Apesar de quase todos serem usados, também há uma secção de álbuns novos.
A grande maioria da música cabe na categoria pop/rock, mas também há secções grandes de música portuguesa — “o fado em Coimbra é muito importante” —, alternativa, brasileira ou africana. “Também há uma pequena secção de jazz.”
Até aqui, Rui Ferreira tinha uma vida dupla ao equilibrar o trabalho na área da música com o facto de ser enfermeiro no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Agora as agulhas em que pega são apenas as dos gira-discos. E garante que não há melhor remédio. Na rádio, foi presidente, diretor de programas ou tesoureiro. “Já fiz tudo na RUC, basicamente.”
Atualmente, é locutor do programa “Cover de Bruxelas”, que só passa versões covers, e participa em “Preto no Branco”, um programa dos veteranos da RUC onde cada um faz o que quer quando lhe calha, normalmente uma vez por mês. “No último que fiz só passei The Stranglers.”
Na Lucky Lux, que tem um espaço com 55 metros quadrados, a maioria dos discos custa entre 10€ e 15€ — mas os novos são mais caros e podem ultrapassar os 30€. Do lote de vinil que ainda está para chegar à loja estão algumas caixas de singles que estarão à venda por 1€. O mais caro que existe na loja é “Metal Box” dos PiL (Public Image Ltd), literalmente uma caixa de metal que inclui três discos diferentes e está à venda por 90€. A Lucky Lux também tem CD e DVD à venda, apesar de o vinil dominar o espaço.
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Apesar de ser a sua primeira loja, Rui Ferreira já tinha trabalhado na Quebra Orelha, outra loja de discos, onde esteve de 2012 a 2015, quando fechou. A primeira experiência aconteceu na XM, uma livraria que também tinha uma secção de música da qual era responsável. “Lembro-me que comecei na XM em 1999, os discos ainda se vendiam aos escudos.” Saiu em 2005, mas entretanto tem sido um vendedor em várias feiras de artigos em segunda mão.
Rui Ferreira é um grande fã de música desde pequeno, apesar de os seus pais não terem um único disco em casa enquanto crescia, sempre em Coimbra. “Colecciono desde os 17 anos. O primeiro álbum que comprei foi ‘Steve McQueen’, dos Prefab Sprout, em 1985. O meu irmão mais velho também foi uma influência.” Mas a banda favorita de sempre são os Psychadelic Furs. “Acho que são a única banda de que tenho todas as edições. E também tento ter dos Velvet Underground.” Outros músicos de que gosta são Beck, Tindersticks ou os Stereolab. Talvez estes sejam mais complicados de arranjar na Lucky Lux, a não ser que sejam repetidos.
A Lux Records foi fundada em 1996, e editou discos de Belle Chase Hotel, Wraygunn ou The Legendary Tigerman, grupos de quem foi manager. “Este ano também vou tentar organizar um Lux Festival.”

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