Música

Macklemore é expulso da digressão de Ed Sheeran após falar sobre Gaza. Artistas já reagiram

A polémica começou no início de setembro. Durante um concerto nos Estados Unidos, o rapper defendeu uma "Palestina livre".

Já é uma das maiores polémicas da música pop este ano. Macklemore foi afastado das restantes datas da digressão norte-americana de Ed Sheeran, onde fazia a primeira parte, após ter gritado “Palestina livre” durante um concerto no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, a 4 de setembro.

Durante um discurso em palco, o artista de 43 anos disse que uma das razões pelas quais tinha aceitado participar na digressão era poder subir a palcos e estádios norte-americanos para defender a causa palestiniana. Acrescentou que queria que as pessoas em Gaza soubessem que “não foram esquecidas”.

No mesmo concerto, interpretou “Hind’s Hall”, tema lançado em 2024 em apoio à Palestina. Durante a atuação, foram exibidas imagens relacionadas com a destruição do território. Macklemore também criticou as autoridades norte-americanas e classificou o ICE, serviço de imigração e controlo fronteiriço dos Estados Unidos, como uma “organização terrorista”.

O discurso gerou críticas de organizações e figuras ligadas à comunidade judaica nos Estados Unidos. A organização StopAntisemitism acusou o rapper de transformar um concerto num momento de “propaganda anti-Israel”. A publicação foi partilhada pela cantora Pink nas stories do Instagram.

Pink, que é judia, acabou por esclarecer a sua posição depois de receber críticas pela partilha. A cantora afirmou que não se opunha à expressão “Palestina livre” e que não estava a pedir que Macklemore fosse silenciado ou despedido. Disse, no entanto, que se sentiu incomodada com a forma como o discurso foi apresentado num concerto e que tinha o direito de expressar o medo sentido por si e por outras pessoas judias.

A 14 de setembro, soube-se que Macklemore tinha sido afastado da digressão. Segundo a empresa Messina Touring Group, promotora da etapa norte-americana da digressão, vários dos recintos onde estavam previstas as próximas atuações informaram que não permitiriam a realização dos concertos com o cantor no alinhamento. Afirmou ainda que mantê-lo poderia levar ao cancelamento dos espetáculos e afastar centenas de milhares de espectadores.

O rapper reagiu através do Instagram e afirmou que tinha tido “conversas difíceis” com Ed Sheeran. “Espero que este não seja o fim da minha relação com o Ed. 13 anos de amizade não desaparecem por causa de uma discordância dolorosa”, escreveu. “A habitual postura apolítica dele foi posta à prova como nunca antes tinha sido.”

“Eu não precisava de 10 espetáculos, precisava de dois. Duas oportunidades de estar à frente de 90 mil pessoas e dizer palavras que se tornaram perigosas demais: Palestina livre”, concluiu.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por BEN (@macklemore)

A resposta de Ed Sheeran

Esta terça-feira, 15 de setembro, o cantor de 35 anos finalmente quebrou o silêncio. “Estou chocado com o conflito entre Israel e a Palestina. O sofrimento e a dor causados de ambos os lados são uma tragédia humana. Há demasiadas guerras em todo o mundo a provocar uma dor incomensurável, nenhuma das quais deveria ser tolerada”, começou por escrever numa publicação no Instagram.

“O Macklemore pediu para participar na minha digressão no ano passado e eu aceitei, porque o respeito enquanto artista. Tal como acontece com todos os artistas convidados para a primeira parte dos meus concertos, concordo que apresentem um alinhamento à sua escolha”, acrescentou.

Revela também que, depois das atuações de Macklemore, “os espaços onde vão decorrer as próximas datas da minha digressão comunicaram que cancelariam os espetáculos caso ele continuasse como artista convidado”.

“Fui informado de que esta posição se baseava na forma como o Macklemore transmitiu parte da sua mensagem durante a atuação, e não em tudo o que foi dito. Passei toda a semana a falar com os espaços para tentar construir uma ponte. Uma dessas pessoas foi Robert Kraft. Também participei em conversações diretas com promotores, juntamente com ativistas dos dois lados, numa tentativa de encontrar uma solução que funcionasse para todos, mas a decisão dos espaços e dos promotores foi final”, escreveu o vencedor de quatro Grammys.

E acrescenta: “Quem já esteve num dos meus concertos sabe que são sobre união, alegria, evasão, amor e um lugar onde todos se podem sentir bem-vindos. Não sou cúmplice. Tenho as minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. O facto de escolher não falar publicamente sobre isso não significa que não as tenha, nem significa que não me importe. Também não significa que não apoie causas à minha maneira, a nível pessoal.”

Sheeran afirmou depois que há uma razão para não usar a sua música e até os concertos para falar de política. “O meu público inclui jovens, muitas vezes miúdos, de todas as origens. Quem vai aos meus concertos não espera um fórum político. Respeito a determinação do Macklemore em defender e gritar por aquilo em que acredita. No entanto, há espaço para diferentes abordagens com o mesmo objetivo: a paz. Escolho usar a minha fama e a minha plataforma como um lugar seguro e de refúgio, para manter a diplomacia e as conversas abertas, e não fechadas. Se nos concentrarmos apenas em quem grita mais alto, nada irá mudar. Existem diferentes formas de defender uma mudança.”

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Ed Sheeran (@teddysphotos)

ARTIGOS RECOMENDADOS