Música

Macklemore: o animal de palco que veio falar de política — e pôs o Rock in Rio a vibrar

Subiu ao Palco Mundo para defender a causa palestiniana e, pelo caminho, deu um dos melhores concertos desta edição do festival.
Um dos melhores concertos do Rock in Rio.

Macklemore subiu ao Palco Mundo alegre e bem-disposto, a cantar o “direito de cada um a amar quem quiser amar”. Uma amostra do que aí vinha — e veio muito.

Dono de uma energia contagiante e uma capacidade de criar empatia com o público como poucos, o rapper norte-americano não veio apenas picar o ponto. Veio ao Rock in Rio com uma mensagem e, no fim, do segundo tema disse logo ao que vinha. “Nos últimos oito meses, o que tem estado na minha mente e no meu coração é o povo da Palestina“, atirou. 

“Estamos aqui para nos divertirmos, para aproveitar, mas está a acontecer um genocídio no mundo. Não podemos esquecer isso — a nossa liberdade depende da liberdade da Palestina”, sublinhou. O momento foi solene — tanto quanto poderia ser, com 50 mil pessoas de braços no ar, a beber cada palavra de Macklemore, — quer concordassem ou não. Embora se tenham visto as palavras “Free Palestine” em alguns cartazes.

A seguir, chegou “Hind’s Hall”, o single que lançou de surpresa a 6 de maio, altura em que se tornou especialmente vocal em defesa do povo palestiniano. O título do tema de apoio aos protestos estudantis pró-Palestina que estão a decorrer em todo o mundo, especialmente nos EUA, é uma homenagem à Hind Rajab, uma menina de seis anos morta pelo exército israelita a 29 de janeiro.

A canção de protesto sobre a guerra Israel-Hamas de Macklemore, tem sido descrita como um “hino contundente e uma raridade numa era de música apolítica”. 

Esta não foi a primeira vez que o rapper aproveitou o palco para defender a causa. Esta sexta-feira (21), atuou em Espanha, no festival Marenostrum, em Fuengirola (Málaga) — e, a dada altura, desceu ao público e agitou vigorosamente uma bandeira da Palestina. 

No início do mês, a 1 de junho, durante um concerto em Monchengladbach, na Alemanha, também se referiu ao conflito no Médio Oriente. E fê-lo abordando um tema delicado naquele país e que raramente é referido em público por um artista da dimensão de Macklemore.

“Nunca haverá reparações para o Holocausto. A única maneira de podermos expiar o nosso passado hoje é levantando-nos contra o apartheid, contra a ocupação e contra o genocídio pela Palestina livre. Essa é a única maneira”, afirmou diante de uma multidão de 19 mil pessoas.

Este sábado, eram mais — 50 mil, como não se cansou de repetir, mas nem por isso foi menos incisivo. Geopolítica à parte, uma coisa é certa: aos 41 anos, Macklemore é um verdadeiro animal de palco que não pára um minuto e não dá descanso ao público.

Ainda se ouviam os acordes de “Dance Off” quando resolveu chamar duas pessoas do público, que estivessem “dispostas a dançar”. O casting-relâmpago tinha alguns requisitos.

“Quero pessoas que SAIBAM realmente dançar, não quero ninguém que tenha estado a beber”, clarificou. Após uns minutos de hesitação, as candidatas escolhidas subiram ao palco (foram ajudadas pelos seguranças a saltar a barreira).

Matilde do Porto, que segurava um cartaz que dizia: “Let me dance with you. Dance off?”, e Beatrice, 11 anos, tiveram 20 segundos cada uma para mostrar o que valiam. Ambas em êxtase.

“Dançaram frente a 50 mil pessoas SOZINHAS, aplaudam!”, gritou Macklemore, velho mestre de cerimónias, que sabe como manter o público ao rubro. 

Entre muitos agradecimentos a “Portugal, Portugal”, mais uma injeção de energia. Chegou o momento “Glorious”: parece que faz tudo, canta, dança, simula flexões. 

Seguiu-se “Good Old Days”, o público canta a plenos pulmões, e Macklemore apresenta a banda — e, verdade seja dita, é um reconhecimento mais do que justo. Sem eles, especialmente sem os back vocals da “Kamila from LA”, o show seria outra coisa, bem mais morna.

Já no encore, “aqui é quando costumo despedir-me, vou para os bastidores, como e enrolo-me em posição fetal”, oferece mais um hit à multidão, “Can’t Hold Us”, do álbum “The Heist”, de 2012, com o qual ganhou reconhecimento internacional. 

Como não poderia deixar de ser, voltou a interpelar a público — de 50 mil pessoas, repetiu mais uma vez: “Obrigada por mostrarem que é preciso aparecer. PAZ, PAZ, PAZ. FREE PALESTINE”

No minuto seguinte andava nos braços da multidão, algo cada vez mais raro nos grandes concertos (e nos festivais em particular). “Os meus amigos chamam-me Ben, por favor chamem Ben também. Estou ansioso para voltar”, gritou.

Um sentimento partilhado pelas 50 mil almas que ali estavam. Mackelmore, cujo nome verdadeiro é Benjamin Hammond Haggerty, deu um dos melhores concertos desta edição do Rock in Rio.

Carregue na galeria e veja mais imagens do espetáculo que deixou o público a pedir mais.

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