Três costelas, clavícula e osso do antebraço partidos. Caso isto não fosse suficiente, muitos pensavam que já tinha dado tudo o que tinha para dar e que o seu auge havia passado. Madonna estava numa das fases mais difíceis da sua vida antes de entrar para o estúdio onde gravou “Confessions on a Dance Floor” — e onde provou que todos os seus críticos estavam errados.
Lançado em 2005, o disco disparou, logo na primeira semana, para o primeiro lugar de 40 países, desde os Estados Unidos e Canadá a França, Alemanha e Japão. Muito do sucesso deveu-se ao lead single “Hung Up”, considerado até hoje um dos grandes hinos da pop.
Para celebrar o vigésimo aniversário, a artista de 67 anos lançou a 7 de novembro uma nova versão do álbum. “Confessions on a Dance Floor (20th Anniversary)” conta com algumas das faixas mais conhecidas, como “Sorry” e “Get Together”, além de novos remixes e temas que, até agora, tinham sido mantidos na gaveta, nomeadamente “Fighting Spirit”, “Super Pop” e “History”.
Esta é, então, uma das maiores novidades de novembro, não fosse este o disco que a revista “Rolling Stone” descreveu como “uma obra-prima da pop eletrónica”, enquanto o “The Guardian” escreveu, na altura, que se tratava do “maior renascimento do século XXI”.
The Rolling Stones
Quem também voltou com uma nova versão de um clássico da música foram os The Rolling Stones. A 14 de novembro, foi lançada a “Super Deluxe Edition” de “Black and Blue”, editado pela primeira vez em 1976.
Tal como Madonna, o grupo britânico estava num período de dúvidas existenciais quando o projeto foi lançado. Afinal, este seria o primeiro trabalho sem o guitarrista Mick Taylor, que acabou por ser substituído por Ronnie Wood.
Musicalmente, o álbum surpreendeu pela fusão de rock com influências de reggae, funk e soul, uma abordagem inesperada para os Stones. Faixas como “Hot Stuff”, “Hand of Fate” e “Fool To Cry” mostraram uma evolução que muitos achavam não ser possível.
A “Super Deluxe Edition” foi remixada, oferecendo um som de alta resolução. Pode também contar com algumas faixas inéditas, como “I Love Ladies” e uma versão energética de “Shame, Shame, Shame”, originalmente de Shirley & Company. A isto juntam-se quatro jams instrumentais de 1975, com a participação de guitarristas que fizeram audições para se juntarem ao grupo, como Jeff Beck, Harvey Mandel e Robert A. Johnson.
Pablo Alborán
“Este disco é o meu novo ponto de partida, um agradecimento a todos os que me acompanharam até aqui. Começar do zero nunca fez tanto sentido na minha vida. Isso reflete-se nas minhas canções e na minha forma de ver a música.” Foi assim que Pablo Alborán descreveu “KM0”, o seu sétimo álbum de estúdio editado a 6 de novembro.
Neste trabalho, o artista malaguenho de 36 anos assume a autoria de todas as letras das canções, bem como a produção e os arranjos da maioria delas, para provar a sua maturidade musical.
O disco reúne 14 temas e quatro faixas bónus, onde explora uma apla paleta de estilos, desde o country/folk em “Vámonos de aquí”, até aos ritmos de salsa em “La Vida Que Nos Espera” ou merengue em “Si te quedas”.
“A minha vida baseia-se em perguntar ao espelho quem sou realmente. ‘KM0’ é também uma homenagem aos meus fãs, que têm sido o meu refúgio, mesmo sem o saberem.”, acrescentou.
Tiago Bettencourt
Em abril de 2024, Tiago Bettencourt isolou-se durante 15 dias em Bruson, Val de Bagnes, Suíça, num pequeno chalé de madeira rodeado de árvores, montes e neve. Foi ali que nasceu o esqueleto de “Foz”, o seu mais recente álbum.
“Regressado a Lisboa começou mais uma longa fase de experimentação. No princípio do verão de 2025, com as canções já avançadas, percebi que precisava de ajuda, no oceano eletrónico onde me encontrava, para continuar a viagem. Fui então ter com o meu velho amigo Fred Ferreira para produzir este disco comigo”, explicou.
O álbum nasceu, então, ao longo de dois anos, entre rascunhos guardados e momentos de recolhimento. A mistura final ficou a cargo de Charlie Beats, “numa colaboração improvável que encerrou o processo com precisão e sensibilidade”.
Portugal. The Man
A 7 de novembro os Portugal. The Man, um grupo que atua regularmente por cá, embora não tenha nenhuma ligação com o País (ao contrário do que o nome indica), regressou com “SHISH”, o décimo disco de estúdio.
Este trabalho é, acima de tudo, uma viagem introspetiva e geograficamente pessoal para o vocalista John Gourley, visto que é uma ode ao Alasca, uma região com fortes laços à sua infância, em particular à vila de Shishmaref, que inspirou o título do álbum.
Também é este local que inspira a sonoridade do projeto, que é simultaneamente caótico e calmo. Algumas faixas começam com uma abordagem serena, mas evoluem para batidas mais pesadas, chegando a riffs de nu-metal, sintetizadores e arranjos de cordas.
O lançamento foi precedido por singles como “Tanana” e “Mush”, que retratam a vida rural no Alasca. O alinhamento inclui outras faixas como “Denali”, “Angoon” e “Knink”.
Rosalía
Espanhol, árabe, inglês, francês, alemão, hebraico, italiano, japonês, latim, mandarim, português, siciliano e ucraniano. São estes os idiomas em que Rosalía canta no seu novo álbum, “Lux”, também editado a 7 de novembro.
Depois de revolucionar o flamenco contemporâneo com “El Mal Querer” e de explorar as sonoridades do reggaeton e pop experimental em “Motomami”, a artista catalã de 33 anos regressou com uma obra quase espiritual. “Lux”, que significa luz em latim, foi, de certa forma, inspirado na vida das freiras, algo que sempre fascinou a cantora.
O disco, o quarto da sua carreira, é composto por 18 faixas na versão física e 15 no streaming e está dividido em quatro momentos, como se se tratasse de uma obra clássica. Esta estrutura reflete a própria natureza do projeto, que combina música popular com elementos da música erudita, da eletrónica experimental e do flamenco mais puro.
Aqui, Rosalía colabora com a London Symphony Orchestra e com artistas como Björk, Yves Tumor, Estrella Morente e Silvia Pérez Cruz. Outra participação especial é a de Carminho — cantam juntas em “Memória”.
FKA Twigs
“EUSEXUA Afterglow”, lançado a 14 de novembro, foi pensado como uma edição deluxe de “EUSEXUA”, mas acabou por evoluir para um projeto autónomo, quase como uma espécie de sequência.
Afinal, o termo “Eusexua” descreve, segundo a cantora, “o vazio e o foco que alguém sente nos momentos que antecedem um orgasmo”. Já “Afterglow” explora precisamente os sentimentos que surgem depois desse momento de pico: é uma banda-sonora para as horas que seguem a rave, a ressaca emocional e física do êxtase.
Musicalmente, o disco mistura géneros como a eletrónica, o trip-hop e elementos avant-garde. As faixas também variam bastante: há momentos mais intensos, outros mais dançáveis e ainda passagens mais íntimas e quase meditativas.

LET'S ROCK






