Música

Måneskin: como a banda italiana passou de tocar na rua para a vitória na Eurovisão

A banda italiana é muito jovem e os membros juntaram-se durante a escola secundária. Em Itália, concorreram ao “X Factor”.
Os membros do grupo têm entre 20 e 22 anos.

De unhas e olhos pintados, fatos brilhantes e também com alguma pele à mostra, os Måneskin conquistaram o festival da Eurovisão no sábado, 22 de maio. O quarteto italiano conseguiu conquistar o público e o júri com o tema “Zitti E Buoni”. Há mais de 30 anos que Itália não vencia o concurso.

O grupo de jovens — que têm entre 20 e 22 anos — mal tinham conquistado a Eurovisão e já estavam envoltos numa polémica. Um movimento do vocalista, Damiano David, terá levado muitos espectadores a pensar que tinha consumido cocaína em direto, a partir da mesa da sua delegação.

O grupo apressou-se a explicar, na conferência de imprensa, que não tinha consumido quaisquer drogas. E Damiano David submeteu-se voluntariamente a um teste, cujos resultados ainda não são conhecidos.

“Acho que este tipo de polémica é ultrajante. Somos jovens com uma grande paixão pela música e estas coisas estão a ofuscar a nossa vitória. Mas faremos o teste de drogas e teremos a prova de que tudo é especulação“, disse após a conquista da Eurovisão.

Damiano David explicou ainda que outro dos membros da banda, na euforia de celebração da vitória, partiu um copo de vidro, que caiu para debaixo da mesa. Era isso que ele estava a ver quando colocou a cabeça para baixo, no tal movimento captado pelas câmaras. Uma imagem começou depois a circular nas redes sociais: demonstra que, de facto, havia um copo partido por baixo da mesa, algo que a organização do evento confirmou.

O grupo é também formado pela baixista Victoria De Angelis, o guitarrista Thomas Raggi e pelo baterista Ethan Torchio. O grande pilar dos Måneskin é, segundo vários meios de comunicação, Victoria De Angelis, que na escola secundária fez parte de diversas bandas.

Uma delas já tinha o vocalista Damiano David. Chamava-se The Third Room, porque tocavam numa sala de aula. Mas Damiano acabou por ser afastado: era um grupo de heavy metal e o vocalista soava muito a pop na altura.

Alguns anos depois, e sem ressentimentos antigos, surgiu uma nova banda, que viria a ser os Måneskin, reunindo Victoria de Angelis e Damiano David, ao lado dos outros dois membros. O nome da banda é uma palavra dinamarquesa, uma das línguas nativas de Victoria (já que o seu pai é dinamarquês). Significa “luar”.

Começaram a tocar em festivais de música independente e também na rua, onde recolhiam moedas que os transeuntes deixavam no estojo da guitarra. Atuavam sobretudo na Via del Corso, uma das principais avenidas de Roma.

Foi com esse dinheiro que conseguiram alugar pela primeira vez um estúdio de gravação — apesar de mais tarde lhes terem dito que não era possível pagar em moedas (especialmente das pequenas). 

A banda no “X Factor”, há quatro anos.

Em 2017, tornaram-se conhecidos em Itália após participarem no programa de televisão “X Factor”, que não ganharam, mas que lhes deu uma grande projeção — e que serviu para que gravassem os temas para o primeiro disco, “Chosen”, que foi álbum de dupla platina.

A derradeira consagração no seu país aconteceu quando venceram a última edição do Sanremo, o concurso italiano que determina quem é o representante nacional à Eurovisão — e parece que a escolha dos Måneskin foi acertada.

Itália já tinha assegurado um segundo lugar em 2019, com a prestação de Mahmood, e os Måneskin devolveram a glória ao seu país. Desde sábado já foram felicitados oficialmente pelo governo italiano e pelo governador de Roma, a cidade por onde começaram a tocar nas ruas. Na Eurovisão, o grupo espalhou a mensagem de que quer manter o rock n’ roll bem vivo. Para o ano, o festival acontece em Itália graças a eles.

Leia ainda o artigo da NiT sobre o fenómeno dos zero pontos atribuídos ao Reino Unido nesta edição do festival.

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