Música

Maro, a jovem que tocou com Eric Clapton — e que venceu o Festival da Canção

Chama-se Mariana Secca, tem 26 anos mas começou a tocar aos quatro. Vai ser a grande representante nacional na Eurovisão.
Mariana tem 26 anos

“Nem sei bem por onde começar”, explicava Mariana Secca numa publicação no Facebook feita em maio de 2020, em plena quarentena. O texto vinha acompanhado de um vídeo onde, num ecrã dividido, começava a interpretar a emblemática “Tears in Heaven” de Eric Clapton. Do outro lado do ecrã, o próprio, de guitarra na mão como sempre, a acompanhar a portuguesa.

“Ao Eric: sei que não sou capaz de estar ao nível das tuas épicas gravações e performances, mas obrigado por me deixares tentar. Estou eternamente grata”, desabafava a artista que passou do anonimato para a maioria dos portugueses, para a fama ao vencer a final do Festival da Canção, na gala deste sábado, 12 de março. Agora, será a grande representante portuguesa na final do Festival Eurovisão da Canção.

A pequena colaboração com a lenda do rock fez parte de uma série de vídeos feitos na pandemia e partilhados no YouTube, onde Maro — o nome artístico que adotou — convidada vários amigos para interpretar temas em colaborações remotas. A música, porém, começou bem mais cedo para a jovem de 26 anos.

A paixão já corria na família. A avó é pianista, o pai toca alguns instrumentos e a mãe é professora de música. Naturalmente, começou a tocar também ela muito cedo. O piano começou aos quatro anos. Alguns anos depois, aprendeu sozinha a tocar guitarra. A voz foi um apoio instantâneo.

“Até ao nono ano, eles sabiam que não havia escolha [senão terem aulas de música]”, revelava a mãe, Cristina Brito da Cruz, em entrevista à “TSF”, sobre a educação musical dos três filhos. Enquanto os irmãos desistiram, Mariana Secca quis continuar o percurso, agora mais a sério.

Ainda ponderou ser veterinária, mas o talento falou mais alto. E se era para ser boa, teria que estar no melhor sítio. Foi assim que tentou e conseguiu entrar na prestigiada Berklee, em Boston, nos Estados Unidos.

“Acabou por não ser difícil, porque foi uma descoberta tão feliz perceber que era mesmo isto que queria fazer. Ir para a América, sim é longe, mas já não interessava. Estar longe da família, sim é difícil, mas isto era o que eu queria mesmo fazer”, revelava em 2018, um ano depois de terminar o curso que demorou três anos a completar.

Mesmo nos Estados Unidos, Mariana foi deixando boas impressões em Portugal, através dos muitos vídeos que ia partilhando e que usava para interpretar temas estrangeiros e outros de artistas nacionais, de Mário Laginha a Rui Veloso ou a Ornatos Violeta.

Fechado o curso, era tempo de brilhar. Não voltou para Portugal. Mudou-se para Los Angeles e a debitar música atrás de música. Fez o seu primeiro disco, “MARO, Vol. 1” — no qual um dos temas tinha sido escrito quando tinha apenas 12 anos — e juntou-lhe mais dois volumes no mesmo ano.

Para ter dinheiro para as gravações, começou a dar aulas e foi se auto-promovendo nas redes sociais. Entretanto foi agenciada pelo artista norte-americano Quincy Jones e fez parte da banda do britânico Jacob Collier. Mas não precisava de convencer o mundo, quando já tinha convencido a mãe. “Ela tem um timbre único, afinação que eu adoro, e precisão rítmica”, explicou numa entrevista.

Agora, o desafio é outro. Mariana recebeu a pontuação máxima do júri e também do público, na final do Festival da Canção, que venceu com 24 pontos. Ao palco levou o seu tema “saudade, saudade”, que vai consigo até Turim em maio, para tentar também conquistar os europeus e vencer o Festival Eurovisão da Canção.

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