Música

Membro das Pussy Riot: “Putin é um perigoso ditador que tem de ser travado”

Nadya Tolokonnikova, que já foi presa pelo regime russo, disse ainda que espera que o líder do seu país morra em breve.
A artista esteve presa quase dois anos.

Foi há dez anos que as Pussy Riot se tornaram conhecidas em todo o mundo. A banda punk russa, totalmente composta por mulheres, atuou numa catedral de Moscovo e protestou contra o regime de Vladimir Putin. Era mais um dos seus atos artísticos de ativismo político. Algumas das artistas foram detidas e cumpriram penas de quase dois anos de prisão.

Foi esse o caso de Nadya Tolokonnikova, que ao longo dos anos se tem afirmado como a principal porta-voz do grupo. Agora que a Rússia invadiu a Ucrânia, Tolokonnikova fez novas declarações públicas sobre a liderança do seu país.

Este sábado, 26 de fevereiro, num concerto em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a música ativista disse para a plateia: “Odeio a guerra. Amo a paz. Apoio a Ucrânia. Que se lixe o Putin. Espero que morra em breve”.

Depois, a cidadã russa deu uma entrevista à revista americana “Rolling Stone”, onde falou sobre a angariação de fundos de NFT que tem organizado para apoiar o povo ucraniano. Em 24 horas, conseguiu angariar o equivalente a mais de dois milhões e 600 mil euros.

“No início do concerto disse que espero que o Putin morra. Não planeei dizer isso, mas saiu-me…” E acrescentou: “É óbvio que Putin é um perigoso ditador que tem de ser travado”.

Nadya Tolokonnikova explicou ainda que tem contactado com diversos ucranianos, que entendem que esta agressão não é por parte do povo russo. “Para mim, isso é muito importante, porque muitos russos têm saído à rua para recuperar a liberdade e as suas vidas. Penso que o mais fascinante nos ucranianos é que nunca vão desistir.”

E realçou a coragem e ousadia que é necessária para que os russos protestem contra as ações do seu estado — tendo em conta que é “extremamente perigoso”.

“Nos últimos quatro dias, milhares de pessoas foram presas e estão a ser espancadas enquanto nós estamos aqui. Nos Estados Unidos, é completamente diferente. Aqui, as pessoas podem protestar e até podem ser detidas, mas provavelmente serão libertadas um ou dois dias depois. No meu país, podemos facilmente ir parar à prisão e ficar lá cinco anos por participar num protesto ou até por fazer um tweet. Tenho duas queixas contra mim por causa de posts que fiz nas redes sociais. Nem precisas de participar em manifestações; abres a boca no YouTube, Twitter ou Instagram. Eles seguem as nossas stories no Instagram.”

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