Música

Metallica voltam a ser felizes em Portugal — com concerto explosivo no NOS Alive

A banda americana terminou a tour europeia com um espetáculo para a família no Passeio Marítimo de Algés.
James Hetfield a comandar os Metallica.

Foi como de costume, ao som de “The Ecstasy of Gold”, tema do mestre Ennio Morricone para a banda sonora de “O Bom, O Mau e o Vilão”, que os Metallica entraram de forma triunfal esta sexta-feira, 9 de julho, no NOS Alive. Eram, obviamente, os cabeças de cartaz da noite, a banda que esgotou o dia, provavelmente o maior nome de toda esta edição do festival.

Formados no início dos anos 80, os Metallica são uma gigante banda de culto, transversal a gerações e a características sociais. Apesar de tocarem com regularidade em Portugal, um País onde recebem (e também dão) muito carinho, os muitos fãs raramente perdem um espetáculo, o que faz com que o grupo esgote todas as salas por onde passa.

Naturalmente, os Metallica também jogam no campeonato da nostalgia. Ou seja, os fãs querem sobretudo ouvir as canções que os tornaram imortais nos anos 80 e 90. Mas o facto de se manterem em tão boa forma — e de a apoteose máxima de ouvir os seus temas acontecer ao vivo, no meio de uma multidão a vibrar — faz com que a banda soe sempre atual e refrescante. No seu campo, continuam a ser as referências máximas — nunca foram destronados.

“Whiplash” foi o tema de arranque para aquele que seria um espetáculo de mais de duas horas. De seguida, “Creeping Death” revelou um James Hetfield em esforço — naturalmente, a sua voz já não é a mesma, sobretudo num final de digressão. Mas, para a complexidade e exigência que acarreta interpretar as suas canções, os Metallica dão uma enorme tareia a qualquer concorrência.

O público certamente concordará. Assim que os primeiros acordes de “Enter Sandman” foram tocados, houve uma explosão de gritos, braços no ar e um coro a acompanhar a melodia do tema icónico. “Wherever I May Roam” seria outra das canções mais bem recebidas, antes de Hetfield se dirigir ao público com “41 anos depois, ainda partimos tudo”. E propôs-se logo a alargar o culto. “A família Metallica está aqui hoje? Claro que está. E se não sabiam que são, agora também fazem parte”, disse o vocalista perante uma plateia satisfeita, repleta de T-shirts oficiais da banda.

A balada “Nothing Else Matters”, provavelmente o tema mais pop do quarteto, foi o momento de destaque que se seguiu, com milhares de telemóveis a erguerem-se subitamente no ar. Foi também o primeiro sinal mais evidente do incrível jogo de luzes (e não só) que os Metallica trouxeram ao NOS Alive. A banda americana representa, certamente, a operação logística mais complexa que irá passar este ano pelo Passeio Marítimo de Algés. Isso acontece muito graças à sua “road crew”, a quem James Hetfield fez questão de agradecer e de apontar como sendo “factualmente, a melhor do mundo”.

“Este é um concerto agridoce”, admitiu o músico. “É o nosso último espetáculo da tour europeia. Divertimo-nos muito. Obrigado à nossa road crew e a vocês os três… só por serem vocês mesmos”, disse, num momento comovente, dirigindo-se a Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo, os colegas de banda.

Seguiram-se temas como “Dirty Window”, uma “Sad But True” para testar o volume da família, a famosa versão de “Whiskey In The Jar”, “For Whom The Bell Tolls” ou “Moth Into Flame”, quando os Metallica literalmente deixaram o palco a arder e fizeram o melhor uso dos seus painéis de fundo de palco. “Fade to Black” e “Seek And Destroy” também não falharam no alinhamento que, não sendo surpreendente, é aquele que se exige a um grupo como os Metallica. “Vocês fazem-nos sentir bem, Portugal”, exclamou Hetfield.

Depois de um encore mais do que assumido, que foi simplesmente uma pausa um pouco mais prolongada do que o habitual, uma bandeira de Portugal com o símbolo dos Metallica por cima apareceu estampada no ecrã do palco.

A partir daí houve fogo de artifício, incríveis efeitos de luzes, e, claro, “One” e “Master of Puppets”. Quando já grande parte do público se afastava do palco principal, o quarteto ainda regressou para as palavras finais. “Os Metallica adoram-vos. Obri-fucking-gado, vocês são brutais.”

41 anos depois, os Metallica continuam de facto a partir tudo, a fazer história, a perpetuar o legado, a exorcizar demónios e a expelir energia com a sua música precursora. Não podíamos pedir mais nada.

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