Música

Miguel, o músico de rua que se tornou viral — e já tocou com David Carreira

Ao longo da curta carreira, o jovem de 25 anos já se viu envolvido em muitos episódios caricatos. É um fenómeno online.
Também já tocou com David Carreira.

“Vai mas é trabalhar”, “Andas a pedir dinheiro” e “Estás aqui na moina” são algumas expressões que Miguel Magalhães costuma ouvir frequentemente. É ele que dá música à Rua de Santa Catarina, no Porto, com o seu piano. Embora isto lhe dê muito prazer, por vezes surgem situações mais complicadas.

“Uma vez veio um senhor de dentro do Grande Hotel, eu acho que era um gerente, e perguntou-me: ‘já não te disse para te pores no caralho?’ Fiquei surpreendido. Se ele me estava a dizer aquilo é porque era alguém com poder”, conta à NiT o músico que hoje é seguido por milhares de fãs nas redes sociais.

Natural do Porto, o artista de 25 anos sempre viveu na cidade. Outra constante tem sido o amor pelo piano, e tudo começou graças à sua mãe, que é psicóloga. “Achou por bem pôr-me a tocar um instrumento porque é benéfico para o desenvolvimento cognitivo.” Começou com seis anos, e desde cedo lhe disseram que tinha “muito bom ouvido e muito jeito”.

Quando tinha seis anos, frequentou a Academia de Música Costa Cabral. Aos nove, candidatou-se ao Conservatório de Música do Porto. Foi chamado para a prova às 9 da manhã, mas a sua vez só chegou às 19h30. Esteve lá o dia todo e, quando chegou a altura de finalmente tocar, “correu muito mal”.

Pelo menos foi isso que Miguel pensou. Passado uma semana, ligaram-lhe. Não só tinha sido aceite, como tinha sido o melhor entre mais de 500 alunos. “Sempre fui perfecionista. Enganei-me uma vez ou duas”, recorda.

@miguellmagalhaes

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♬ som original – Miguel Magalhães

Esteve nesta escola durante cerca de quatro anos e fez lá parte essencial da sua formação enquanto músico. A evolução foi muito natural e completou o oitavo grau de conservatório — que equivale ao 12.º ano — em regime integrado, ou seja, tinha aulas normais e aulas de música. Haveria de seguir os estudos na Escola Superior de Educação para tirar, claro, um curso de Música.

Frequentou a universidade durante dois anos, mas acabou por congelar a matrícula. “Achei que não valia a pena. Senti que graças ao que aprendi no conservatório, estava só a perder o meu tempo.”

Com 19 anos e sem grandes perspetivas ou planos, viu um antigo colega do conservatório a tocar piano na Ribeira. Ficou curioso. “Ele convidou-me para ir ter com ele para tocarmos juntos. Em 45 minutos, fizemos 150€. Comecei a delirar”, brinca.

Atuaram em conjunto durante algum tempo, mas Miguel decidiu seguir por um caminho a solo — e assim se mudou para a Rua de Santa Catarina, uma das mais turísticas da cidade. É por lá que continua a tocar um pouco de tudo, de jazz aos hits mais populares dos Coldplay.

“Comecei a ter mais visibilidade, também porque estou sempre a sorrir e as pessoas gostam disso.” Não foi tudo à base de sorrisos. Em simultâneo começou a partilhar os seus vídeos nas redes sociais e hoje tem 147 mil seguidores no Instagram e 388 mil no TikTok.

A popularidade online já lhe abriu muitas portas. Teve a possibilidade de abrir o espetáculo de Ivo Lucas no Teatro Sá da Bandeira, participou no Rock in Rio e, na passagem de ano de 2022 para 2023, esteve no Dubai com Mariana, a namorada que também é cantora.

@miguellmagalhaes

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“Antes da Covid ela conheceu um casal francês que a ouviu e adoraram-na. Nunca mais teve notícias deles, mas quando voltaram a ver os conteúdos dela comigo convidaram-nos para irmos atuar no Burj Al Arab, um hotel de sete estrelas. Foi uma experiência surreal”, recorda.

No verão de 2023, Miguel Magalhães também tocou ao lado de David Carreira. A equipa do artista descobriu a sua página e convidou-o para uma interpretação conjunta. 

Por norma, está pelas ruas do Porto entre as 15 e as 17 horas. Raramente está sozinho. Mariana, a namorada, também o acompanha. Graças a este trabalho, o artista formou amizades próximas com muitos dos comerciantes que ali trabalham. A mais famosa é Nandinha, uma vendedora de meias à qual Miguel chama de “amante” nos seus vídeos — é tudo uma brincadeira, claro.

As suas partituras tiveram ainda papel num pedido de casamento que partilhou nas redes. Um casal de namorados estava a passar por ele e comentaram que gostavam muito do seu trabalho. Deram-lhe uma nota de 10€ e Miguel achava que a interação tinha ficado por ali.

Uns minutos depois, o namorado volta atrás e pergunta se o músico pode tocar um tema para pedir a namorada em casamento. “Ele fez o pedido e ela disse que sim. Tinha corrido tudo bem”. Pelo menos era isso que pensava. Cerca de uma semana depois, descobriu que se tinham separado. “O rapaz enviou-me uma mensagem para me dizer isso”, recorda.

Nem tudo são rosas nas ruas. A concorrência é feroz e não é raro que outros músicos tentem boicotar o trabalho. “Já chamaram a polícia quando eu estava a tocar para me tirarem do meu lugar e irem eles para lá. Já não acontece há algum tempo, mas antes era muito recorrente”, recorda. Hoje, já conhece bem as autoridades, até os “polícias que estão à paisana”. “Eles próprios veem os meus vídeos”, brinca.

Há também as ocasionais escaramuças com músicos e vendedores. Diz Miguel que o fazem por inveja. “Viam as moedas e as notas a cair e ficavam com a sensação de que o dinheiro estava a vir todo para mim e não para eles”, comenta. 

Miguel não se vê num programa de talentos, mas já tem muitos planos. Gostava de lançar um álbum com a namorada e fazer atuações ao vivo em salas de espetáculos. Quanto a colaborações de sonho, refere nomes como Nininho Vaz Maia e Fernando Daniel.

@miguellmagalhaes

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