Música

Nem a chuva parou os Muse num concerto enérgico, agitado e cheio de hits

A banda voltou ao Rock in Rio Lisboa, onde já tinha sido feliz três vezes, para fechar o Palco Mundo no primeiro dia de festival.
Os Muse encerraram o Palco Mundo no sábado.

Ao contrário dos The National, experientes em palcos portugueses mas estreantes no Rock in Rio Lisboa, os Muse conhecem bem o Parque da Bela Vista. Afinal, a banda de Matt Bellamy e companhia já tocara naquele recinto três vezes — e repetiu a façanha este sábado, 18 de junho, para substituir os Foo Fighters (a banda americana cancelou a tour devido à morte do baterista Taylor Hawkins).

A escolha dos Muse foi particularmente pertinente porque, além de ser uma banda querida do público português, vinha com bastante material para apresentar. O grupo britânico prepara-se para lançar em agosto o nono álbum de originais, “Will of the People”. E regressaram com uma identidade refrescada.

Vestidos de preto e com máscaras, os Muse apresentaram um concerto visualmente espetacular e mais pesado do que em atuações anteriores — tem tudo a ver com o seu novo disco, mais obscuro, que irá refletir muitos dos problemas atuais do planeta. 

Da pandemia à guerra na Europa, passando pela ascensão dos populismos autoritários e as alterações climáticas, tudo isto serviu para inspirar o novo disco da banda. Que, como se poderá perceber, não será propriamente dos mais alegres e ligeiros.

Os Muse intercalaram canções novas com temas icónicos dos seus (muitos) discos anteriores. “Hysteria”, “Time is Running Out”, “Supermassive Black Hole”, “Plug in Baby”, “Uprising” ou “Starlight”, claro, não falharam o alinhamento eclético e diversificado que serviu bem para demonstrar toda a versatilidade (e talento) dos britânicos.

O público correspondeu da melhor maneira aos riffs pesados de guitarra, à energia visceral da banda que ao mesmo tempo é altamente melódica e harmoniosa, e nem a chuva que entretanto fez cair desmobilizou a grande maioria dos presentes. Antes abençoou todo aquele cenário. 

Os efeitos de pirotecnia adornaram ainda mais a peça — bem como as serpentinas e confetti — e reforçaram a presença imponente dos Muse em palco, agitando o Parque da Bela Vista depois do embalo íntimo dos The National. 

Os Muse voltaram a provar porque têm sido uma das grandes bandas mais frequentes em Portugal nos últimos 20 anos — e suspeitamos que o próximo cartão de visita não tardará assim tanto, tendo em conta que vem aí o novo disco. O próprio Matt Bellamy deu a entender isso mesmo, dirigindo-se à multidão: “Tenho a certeza de que vamos voltar a ver-nos noutra altura, em breve”. Lá estaremos, Muse.

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