Música

Nesta nova escola de música não faltam professores famosos — Rui Reininho é um deles

A Atlantic Music Performance Institute foi inaugurada este mês em Matosinhos. É um projeto do músico e professor Sandro Norton.
Sandro Norton é o responsável pelo projeto.

No Dia Mundial da Música, a 1 de outubro, foi oficialmente inaugurada a Atlantic Music Performance Institute (AMPI), em Matosinhos. Trata-se de uma mega academia de música, centrada em diversas vertentes e instrumentos, que tem um lema bastante concreto e apelativo: “construímos carreiras”.

A ideia estava a ser pensada há quase cinco anos pelo músico portuense Sandro Norton, um dos mais conceituados guitarristas portugueses e especialista em jazz. Além dos projetos em nome próprio, colaborou com músicos como os Jethro Tull, Gary Burton, Luís Represas, Maria João ou Jorge Fernando, entre tantos outros.

Sandro Norton, que também dá aulas na universidade de Arkansas nos EUA e foi docente em escolas do Reino Unido, sempre teve gosto pelo ensino da música. Há vários anos que dá aulas privadas ou de grupo na zona do Porto, mas explica à NiT que o estúdio já “estava a abarrotar” e a ficar sem horários.

Decidiu dar um passo em frente e abrir este instituto privado — que pretende ser muito mais do que isso. “A ideia de abrir uma academia nasceu para desenvolver um método de ensino próprio — idealizado e desenvolvido ao longo dos anos e que teve a ver um pouco com o meu percurso académico. Estudei em Londres e nos Estados Unidos, onde tive a possibilidade de aprender com grandes mestres da música. Vários desses métodos foram convergindo para a idealização de um método educativo que comecei a pôr em prática”, diz Sandro Norton.

O objetivo, explica, sempre foi dar uma grande importância à parte prática e performativa. “Os alunos motivam-se muito mais se estiverem num instituto onde também têm essa parte performativa de forma constante.”

Sandro Norton apresenta a AMPI como uma academia de música moderna e adaptada ao mercado de trabalho. “O músico dos dias de hoje precisa de se adaptar ao mainstream. E isso é saberes tocar na televisão, seres músico de estúdio, seres músico de orquestra, saberes tocar numa banda, aprenderes a ler música, saberes tocar blues, rock, funk, R&B… É toda esta abrangência que incluímos na preparação do aluno. No fundo, esta escola é uma incubadora de músicos, porque os prepara para o mundo atual.”

É uma escola para alunos de todas as idades, “dos três meses aos 80 anos”, embora a grande maioria dos alunos tenha entre 16 e 25 anos. São pessoas, lá está, que querem construir uma carreira na música. Todos os professores têm experiência na área e a maioria são músicos profissionais.

O edifício costumava ser do Porto Canal.

Rui Reininho vai dar aulas de escrita criativa. Manuel Marques ensina saxofone. Cláudio César Ribeiro dá aulas de guitarra. Tiago Simões ensina piano e formação musical. Francisca Pinto Machado vai ensinar a tocar violino, já Ana Seixas dá aulas de canto. Mário Barreiros e Flávio Medeiros dão produção musical. David Richard Okkerse ensinará a tocar guitarra e Carl Minnerman ensina baixo e teoria musical. Haverá também aulas para bebés.

Além disso, como explica Sandro Norton, alguns professores internacionais vão dar aulas online. “Vou ter um professor de arranjo que fez a orquestração do ‘Tomb Raider’, vamos ter aulas dadas por vencedores de Grammys. Em breve, também vamos começar a ter workshops regulares, com artistas portugueses e internacionais.”

O modelo premium da AMPI é um curso completo que dura quatro anos. Está planeado ainda um modelo de conservatório e a partir de 2022 haverá licenciaturas e mestrados, estabelecidas através de parcerias com universidades internacionais. Os alunos podem ter aulas privadas ou de grupo, consoante o valor que estiverem dispostos a investir.

Dez salas de aula e oito de ensaios

Um dos elementos mais importantes para a nova academia são as instalações, que ficam no antigo edifício do Porto Canal em Matosinhos. “São topo de gama. Era o meu grande objetivo funcionar num local que obedecesse um pouco à imagem de onde fui estudar, em Londres e nos Estados Unidos.”

O prédio tem cinco andares com dez salas de aula, oito salas de ensaios, estúdios de gravação e vários espaços equipados. Há uma sala específica para baterias, outra para guitarras e outra para pianos. “Todas as condições necessárias para que não só o professor se sinta feliz a ensinar como o aluno se sinta dentro de um espaço musical.”

As obras profundas duraram dois anos e meio e foi o próprio Sandro Norton que foi o “controlador de obras” do projeto.

Há salas específicas para diferentes tipos de instrumentos.

Espaço “aberto à comunidade”

A ideia é que a AMPI seja uma escola aberto. “Tem duas missões: ensinar a um alto nível técnico mas também criar uma comunidade. A partir de novembro vamos ter workshops e jam sessions de jazz. À terça-feira vamos ter a noite do Brasil, de bossa nova.” Serão eventos abertos ao público.

Além disso, a academia tem um café-bar e a ideia é que funcione também como um “centro cultural”. A inauguração foi a 1 de outubro, antes disso já tinham sido realizados vários testes. Sandro Norton revela que já ali gravou temas para Jorge Fernando e Fábia Rebordão. Em breve vai ser ali gravado um disco “para uma pessoa nos Estados Unidos, vencedora de 15 Grammys”. “Entretanto, há mais pessoas a marcar gravações e ensaios a acontecer.”

Quanto aos alunos, as inscrições neste “ano zero” estão a decorrer a bom ritmo e os horários dos professores começam a ficar compostos. A AMPI também está disponível para receber eventos corporativos e ações de team building — onde os trabalhadores de determinada empresa poderão experimentar gravar um disco. Todas as informações sobre inscrições e o instituto estão disponíveis no site oficial do projeto.

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