Música

New Talent: Cece, a baterista precoce que sonha criar concertos visuais

Perdeu o medo do palco, ousou juntar a voz à bateria e quer pôr toda a gente a dançar. Vencer este concurso é a primeira etapa.
Aprendeu a tocar bateria aos seis anos

Nunca gostou de cantar sem a proteção que lhe oferecia a amiga de longa data, a bateria. “Sempre achei que não tinha força suficiente para encarar o público, que não tinha a confiança necessária para estar sozinha como frontwoman”, confessa Cecília Costa — Cece para os amigos e fãs da banda.

A subida ao palco do Festival da Canção de 2020 foi a primeira prova de fogo da vocalista dos então Meera — e que hoje se dão pelo nome de Basilda —, que cantava sempre atrás da barreira da sua bateria. Nessa noite, na televisão, a bateria ficaria guardada. Agora, dois anos depois, arrepende-se da decisão.

“Foi muito desconfortável para mim. Sempre me habituei a tocar a cantar ao mesmo tempo”, recorda. Se fosse hoje, teria feito tudo de forma diferente. “Acho que se tivesse mantido a originalidade do que faço, teria sido mais interessante. Como eu nunca soube estar só como cantora, acabou por ser demasiado esquisito.”

É natural que a artista de 27 anos anos se sinta sempre mais à vontade de baquetas na mão. Tinha seis anos quando recebeu a primeira bateria, uma espécie de medicamento prescrito pelo médico, que tentou acalmar a ansiedade dos pais da jovem de Santa Maria da Feira.

“Eu era muito, muito inquieta, andava sempre pendurada em todo o lado tipo macaco. Os meus pais pensaram que talvez fosse necessária alguma medicação. O médico disse que eu precisava de gastar energia”, conta Cecília, uma das dez finalistas do New Talent. Este concurso promovido pela NiT, TVI e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pretende eleger os melhores jovens talentos de Portugal na área do lifestyle — e cujo vencedor irá receber 10 mil euros para desenvolver um projeto pessoal ao longo do próximo ano.

Dar um instrumento barulhento a uma criança de seis anos poderia ser problemático. Felizmente, acabou por ser uma dádiva. Os vizinhos habituaram-se ao ruído constante e Cecília aperfeiçoou a técnica e o conhecimento de música. Aprendeu a tocar piano e começou a ter aulas.

Ninguém era particularmente dado à música na família. O irmão mais velho ultrapassou rapidamente a fase da guitarra e recorda-se apenas do avô que tocava trompete. “Tenho ideia que isso nunca me influenciou na decisão de seguir a música. Lembro-me que já tinha ritmo em mim.”

Apesar do ritmo, nos planos estiveram um par de carreiras alternativas. Ponderou o curso de barbeira, imaginou-se como cozinheira num curso de hotelaria e chegou mesmo a ficar a um passo de terminar a licenciatura em ciências do desporto. Todas perderam para a música.

Entrou tarde no conservatório e fez os primeiros graus entre alunos bem mais novos do que ela. Por essa altura já aprendia música na Escola de Jazz do Porto, onde também deu os primeiros concertos.

“Tinha tido aulas de bateria a partir dos 15, mas sentia alguma limitação porque tentava copiar algumas músicas. Fui para o conservatório porque sentia que me faltavam algumas coisas na formação musical.”

Embora tivesse feito parte de algumas bandas durante os tempos de escola, só quando recebeu um convite dos Fingertips é que a carreira na música se tornou mais séria. Recomendada por um amigo e hoje companheiro de banda, viu-se a ir “do oito ao oitenta”.

“Eles tinham um projeto à escala global na altura. Estivemos muito tempo na Ásia, América, fizemos concertos com uma dimensão já grande, um festival em Shanghai. Passei de coisas muito pequeninas para coisas muito grandes, foi um bocado estranho na altura”, conta.

Ainda não se tinha entregue ao microfone e ao papel de vocalista — apenas fazia algumas vozes secundárias. “A bateria dava-me muita segurança lá atrás”, brinca.

Foi quando se juntou ao agora colega de banda João Abrantes, no seu projeto Johnny Abbey, que foi desafiada a perder o medo. E juntos, ao lado do terceiro elemento Leonardo Pinto, criaram os Meera.

Apesar de ter já uma carreira mais a sério no mundo da música, a paixão não pagava as contas. Foi também por isso que procurou um emprego part-time que acabaria por se tornar em algo a tempo inteiro, mesmo quando trocou o Porto por Coimbra. “Sou operadora de loja no Continente, acabei por ficar efetiva e isso deu-me a estabilidade financeira de que precisava.”

Fora do supermercado, continuava a apostar nos “ritmos felizes” de que gostava, uma eletrónica dançável, positiva. “Associo a música dançável a uma mensagem mais feliz, a uma forma mais leve de ver as coisas.”

Haviam de tentar algo diferente em 2020: concorrer ao Festival da Canção com um tema em português. Acabariam por ser eliminados na primeira semi-final, mas para Cece, foi uma experiência que não se importaria de repetir.

“Acho que foi muito interessante, mas não sei se os rapazes ficaram com a mesma ideia”, conta. “Foi uma forma diferente de nos expormos. É diferente tocar num estúdio e tocar para pessoas que não estão ali, temos que interagir com a câmara. Voltaria a fazê-lo, mas nunca sem a bateria.”

Hoje, trocaram o nome para Basilda e já com um disco editado — chama-se “Keep on Dancing” e foi lançado em julho —, estão a percorrer o País em concertos de apresentação. Tentam esquecer os tempos duros provocados pela pandemia, que lhes roubou aquele que seria a grande oportunidade, um concerto no NOS Alive.

Agora, Cece olha para a potencial vitória no New Talent e para o prémio de 10 mil euros como uma forma de catapultar os concertos da banda para outro patamar.

“Nós ao vivo somos um bocado estáticos, eu estou na bateria, o João nos teclados e guitarra e o Leonardo também nos teclados. Não há muita dinâmica em palco”, nota, enquanto explica que têm em mente uma estratégia para contornar essa questão, entre apostas na tecnologia, videomapping e outras.

“Gostávamos de usar o prémio para criarmos um espetáculo diferente dar aos espectadores uma experiência visual, levá-los numa viagem, como se estivessem a assistir a um filme, mas na realidade estão num concerto.”

Veja o vídeo realizado por Cece para explicar porque é que merece vencer o concurso New Talent deste ano. A partir do dia 3 de dezembro já vai poder votar no seu finalista favorito.

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