Música

A nova casa de espetáculos de Lisboa mudou drasticamente — e já não dá só rock

A Music Station quer receber concertos de diferentes estilos, da música cubana às tradicionais noites de fado.
Pretende chegar a um novo público. Fotografia do Instagram @tatiannamolko.

O nome com que se apresentou à cidade a 6 de janeiro não deixava grandes margens para dúvidas: na Rock Station ia ouvir-se sobretudo rock. Pois bem, os planos mudaram e a Rock Station é agora a Music Station e, como será fácil de prever, irá abrir-se a outros géneros musicais. 

Os fundadores rapidamente perceberam que seria melhor evitarem o foco apenas num estilo musical. “Fomos abordados por promotores que queriam organizar espetáculos. Alguns de música cubana, outros de música latina e algumas noites de fado. Chegámos à conclusão de que anunciar uma noite de fado na Rock Station não batia a bota com a perdigota, como se diz em bom português”, explica Alexandre Basto, o gerente da empresa, à NiT.

A simples palavra “rock” restringia à partida o acesso à casa. “O que nós pretendemos é que haja muitos concertos a acontecer, com todos os estilos musicais”, acrescenta o empreendedor de 60 anos. A decisão foi acordada no final de março. A ideia original, confessa, era bonita, mas não mostrou ser prática em função das necessidades que tinham em organizar espetáculos.

“Era uma ideia bonita há 40 anos, mas não se consegue repetir porque os tempos são diferentes. Não podíamos estar agarrados a algo que tinha um conceito inspirado no que era popular há quatro décadas”, reflete. Também acredita que, com esta alteração, a Music Station vai conseguir chegar a um público mais vasto, nomeadamente na vertente de discoteca que arranca por volta da uma da manhã até às quatro. Anteriormente, a faixa etária dos visitantes era dos 40 anos para cima. Faltavam os mais jovens.

“Hoje em dia, as pessoas dos 18 aos 35 anos, mais ou menos, já não se identificam com este tipo de música, se bem que gostam dos Queen e de outras bandas que consideramos rock, mas é um rock diferente dos Ramones, por exemplo.” As noites vão passar a acolher outro tipo de canções que se aproximam mais do house.

O site já está a ser mudado e o interior do espaço também vai sofrer algumas alterações ao longo do mês de abril. A lotação de cerca de 1.220 pessoas e a boa visibilidade para o palco não vão mudar.

A programação para os próximos tempos já está definida e continua a ir ao encontro da ideia original da Music Station. Esta sexta-feira, 12 de abril, o espaço vai receber um tributo aos RadioHead. No sábado haverá uma chuva de DJs “que vão explorar a música dos anos 70, 80 e 90, mas mais focado para o rock”. Daqui a uma semana, a 19 de abril, pode contar com uma festa da M80. No dia seguinte, está marcado um tributo aos Arctic Monkeys.

A Music Station fica na antiga fábrica da Kores, na Avenida Aquilino Ribeiro Machado. A oportunidade de renovar aqueles espaço surgiu quando um dos sócios reparou que separaram dezenas de caixas naquele local. Quando abordou os antigos proprietários, percebeu que tinha ali “uma localização que caiu do céu”, a cerca de 200 metros da Gare do Oriente.

“As pessoas que passam de comboio vão ver logo a Rock Station. Estamos ali, a cinco minutos do Altice Arena, e mesmo ao lado do Centro Comercial Vasco da Gama. E tudo o que oferece a nível de jantares e opções para quem chega ou vai embora do espaço”, contou um dos proprietários à NiT no dia de abertura em janeiro. Ainda assim, o processo foi sendo atrasado com várias alterações camarárias. “Quando achamos que está tudo, falta uma vírgula.”

Os valores costumam rondar os 10€, exceto em ocasiões especiais, onde podem subir ligeiramente.

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