Música

Numa noite de nostalgia no Rock in Rio, os Duran Duran fizeram tudo bem

Simon Le Bon já não tem a voz de outrora, mas os britânicos mantêm-se como uma banda marcante e valiosa ao vivo.
Os Duran Duran foram os cabeças de cartaz.

Num dia de Rock in Rio Lisboa em que “nostalgia” era o conceito que abarcava tudo, os Duran Duran seriam, sem dúvida, a banda mais esperada pelas 70 mil pessoas que se deslocaram ao Parque da Bela Vista neste sábado, 25 de junho. Há mais de dez anos que a banda britânica de pop rock e new wave formada no final dos anos 70 não atuava em Portugal. Para uma geração, trata-se do grupo responsável por muitos dos hinos de juventude com que vibraram em escutas partilhadas através de discos de vinil, nas danceterias, ou que serviram de banda sonora para alguns dos momentos mais emocionantes e entusiasmantes das suas vidas.

Sendo assim, era de esperar que os Duran Duran fossem recebidos por uma enorme multidão no Palco Mundo. A fasquia era alta e, como em qualquer grupo com mais de 40 anos de atividade, a resistência ao teste do tempo é fulcral para que a sua mera existência e apresentação ao vivo faça sentido. Os Duran Duran já não são os mesmos que tocaram no Super Bock Super Rock em 2008, nem tampouco aqueles que passaram pelo Coliseu dos Recreios em 2005. Quanto mais os jovens que fizeram três datas em Portugal em 1982.

Porém, e como é óbvio, a idade traz experiência e umas quantas vantagens. O frontman Simon Le Bon e companhia — o baixista John Taylor, o teclista Nick Rhodes ou o baterista Roger Taylor, sendo que a formação é alargada em palco — mostraram funcionar como uma máquina bem oleada.

Para uma banda como os Duran Duran, o alinhamento é previsível mas eficaz. Os fãs querem ouvir os grandes êxitos — e o grupo faz questão de os tocar o melhor que sabe, incluindo pelo meio alguns temas mais recentes, neste caso, do álbum “Future Past”, de 2021, que não geraram grande entusiasmo junto da plateia.

Foram, claro, canções como “Notorious”, “Hungry Like The Wolf”, “Come Undone”, “Girls On Film” (que culminou num crossover moderno com “Acceptable in the 80’s”, de Calvin Harris), “Save A Prayer”, o grandioso e apropriado “Rio” ou “Ordinary World”, dedicado ao povo ucraniano que tem sofrido diariamente desde fevereiro, que animaram verdadeiramente o público.

Apesar de a sua voz não ser a mesma, e de a rouquidão se notar a partir de certo momento do espetáculo, Simon Le Blon conseguiu atingir a grande maioria das notas certas e, com a ajuda de duas vozes femininas de apoio, cumpriu o seu desígnio. 

Ao vivo, e como reflexo direto dos seus temas, os Duran Duran mantêm-se como uma banda anglo-saxónica pop rock invulgarmente recheada de groove — com destaque para o baixo, instrumento tantas vezes menosprezado na música pop e rock, e para o saxofone. Ao contrário, por exemplo, do caso dos A-ha (que estão em boa forma e também deram um concerto bastante competente), a música dos Duran Duran soa atual e virtuosa. 

Sim, sabemos que foi composta num determinado tempo e contexto, mas não a pressentimos como uma peça museológica com 40 anos quando a ouvimos nas colunas do Palco Mundo do Rock in Rio — continua refrescante. E penso que esse seja um dos melhores elogios que podemos dar a qualquer músico ou artista.

A banda pareceu estar genuinamente empolgada durante a atuação e também deixaram assim os fãs de longa data, que dançaram e vibraram com aquelas músicas que tão bem conhecem e que, por mais que o tempo passe, muito provavelmente vão continuar a ser as músicas das suas vidas. Qualquer melómano que se preze terá de defender a descoberta constante de novos sons e artistas, mas a nostalgia é um refúgio natural — e inofensivo — do ser humano. Deixemo-nos envolver por ela em noites como esta.

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