Música

O espetáculo eletrizante de Doja Cat apagou as luzes do Rock in Rio

Dentro do seu atual género musical, a artista é um nome incomparável. E o concerto em Lisboa só provou isso mesmo.
Foi incrível.

Com sangue falso no nariz, típico dos seus looks arrojados e tresloucados, Doja Cat arrancou a sua atuação com uma generosa dose de playback no refrão de “Acknowledge Me”. Com o público ainda traumatizado pela atuação trágica de Camila Cabello, esperava-se o pior. Felizmente, a artista não desiludiu e quando a função era deitar para fora os versos de rap, não teve problemas em fazê-lo este domingo, 23 de junho, no último concerto do Rock in Rio Lisboa.

Poucos minutos depois de ter começado o set, Doja Cat levou-nos para um clube de striptease com uma coreografia sensual e nada fácil. Isto porque além de ser cantora, rapper e compositora, Doja é dançarina — e fá-lo de saltos agulha. Com um currículo destes, era impossível haver um único momento aborrecido no concerto.

Terminado o strip, teve o mérito de transportar o público do Rock in Rio para o inferno com o tema “Demons”. O fogo que saía do palco aumentou a temperatura do recinto e os fãs, que gritavam cada vez mais alto todos os versos do tema, agradeceram, sobretudo graças à intensa coreografia que ia acontecendo em palco. 

“Uau, Lisboa”, gritou Doja Cat antes de interpretar “Tia Tamera”, apenas um dos seus vários êxitos. Nesta altur tornou-se claro que, quando atua ao vivo, não tenta imitar aquilo que ouvimos nos álbuns, mas sim levar a um extremo de raiva e intensidade aquilo que já ouvimos nas canções. Pode não cantar os refrões constantemente, mas as restantes estrofes compensam.

O que também se tornou óbvio logo desde o início é que este é um concerto para os fãs não dos singles, mas dos álbuns. Neste caso, o protagonista foi o recente “Scarlet”. Isto significa que faltaram fenómenos como “Kiss Me More”, “Juicy” e “Boss Bitch”.

As suas prioridades são claras. Atualmente, só interpreta ao vivo aquelas canções que a deixam orgulhosa. Ou seja: estas verdadeiras máquinas de fazer dinheiro não têm lugar na nova fase da sua carreira.

Felizmente, quem a acompanha de um modo mais casual foi recompensado com alguns dos maiores hits da carreira, como “Streets”, “Agora Hills”, “Ain’t Shit” e “Get Into It (Yuh)”. Neste último tema, Doja usou todos os seus atributos para entregar uma interpretação impecável. Enquanto ditava todos os versos de forma acelerada e com uma dicção perfeita, atingiu algumas notas mais desafiantes, abanou o rabo para o público e, caso ainda houvesse dúvidas, provou que ela é o pacote completo.

Doja Cat entregou um espetáculo eletrizante do início ao fim, em que conseguiu controlar sempre o público mesmo estando sozinha no palco — isto se excluirmos os vocalistas de apoio que ajudam a criar uma performance ainda mais imersiva.

A sua versatilidade também foi comprovada com “Say So”, o tema que a popularizou em 2019. Aqui já mergulha no estilo pop, a segunda casa que acabou por abandonar em “Scarlet”, quando se começou a dedicar mais ao trap, hip hop e rap.

A passagem de Doja Cat pelo Rock in Rio Lisboa trouxe-nos uma performance realmente polida e grandiosa, onde nunca houve um momento aborrecido. Do início ao fim, a artista de 28 anos mostro-nos tudo: um cenário bem construído e chamativo, coreografia, plataformas voadoras e muita, muita presença de palco.

O espetáculo terminou com “Rules”, “Paint The Town Red” e “Wet Vagina”. Esta escolha apenas mostra que temos aqui o próximo grande nome do hip hop. Isto porque além de ter uma carreira com inúmeros hits, Doja é inteligente e sabe bem como fechar o alinhamento num festival como este.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias da apresentação de Doja Cat no Rock in Rio.

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