Música

O furacão Anitta passou pelo Rock in Rio — e não houve quem não se mexesse

Deu um dos concertos mais esperados do festival. Foi, sem dúvida, uma das principais razões para os bilhetes terem esgotado.
Anitta encantou o Parque da Bela Vista.

“Não tenho afinidade com a música dela, não achei que encaixasse.” As palavras são de Roberto Medina, fundador do Rock in Rio, que também disse que o “funk não tem a ver” com o festival em entrevistas dadas entre 2017 e 2018, referindo-se a Anitta, que nesses anos tinha explodido no Brasil (e por cá) com uma série de singles funk com uma estética relativamente pop. O público considerava que a cantora tinha de estar no cartaz, mas a organização só cedeu na edição de Lisboa em 2018.

Desde aí, Anitta tornou-se parte da família Rock in Rio, atuando na edição brasileira em 2019 e, uma pandemia depois, regressando ao festival em Lisboa neste domingo, 26 de junho. Que não haja dúvidas:  a cantora é atualmente um fenómeno transversal e com uma dimensão muito maior do que há quatro anos. E, muito provavelmente, terá sido a grande responsável pelo facto de o quarto dia do festival ter sido o único a esgotar os bilhetes, com 80 mil pessoas no Parque da Bela Vista.

Com 29 anos, Anitta é uma estrela global. Obviamente, faz tudo parte de um plano estrategicamente delineado. Ter canções no reportório tanto na sua língua materna como em espanhol ou inglês ajuda (muito). As colaborações com outros nomes gigantes do momento como Cardi B, J Balvin, Alesso, Major Lazer, Ozuna, DaBaby ou Maluma também contribuem para o sucesso. Bem como as parcerias com artistas icónicos como Madonna, Black Eyed Peas ou Snoop Dogg.

O palco, como mostrou no Rock in Rio Lisboa, é o seu habitat natural. Anitta usa os movimentos sensuais típicos do funk brasileiro para criar um espetáculo tão visual quanto sonoro. Acompanhada por uma equipa de bailarinos talentosos, cada momento da performance tem uma coreografia acertada.

Depois, Anitta tem ainda o dom de ser uma máquina de criar hits. A solo ou (muitas vezes) em colaboração com outros artistas, pode apresentar hoje um alinhamento praticamente apenas composto por grandes sucessos pop, mais do que testados e aprimorados. São músicas que as pessoas ouvem no dia a dia, seja nas rádios, nas pistas de dança ou em casa. E, portanto, o que aconteceu este domingo no Parque da Bela Vista foi uma celebração dessas canções que mexem com o corpo e agitam a mente.

Sim, Anitta abana ostensivamente o rabo durante os concertos. Sim, utiliza isso a seu favor. Sim, é uma mulher emancipada que faz o que quer com o corpo. E, provavelmente, sim, cada vez que o faz rasga mais um pedaço de conservadorismo misógino que ainda está implantado de uma forma ou outra na nossa sociedade.

Anitta pareceu estar genuinamente feliz com o espetáculo que deu em Lisboa — disse até ser um dos melhores dias da sua vida — e julgo que a maior prova disso é que trouxe toda a família toda do Brasil para partilharem aquele momento com ela. Não só estiveram presentes no festival, como subiram ao Palco Mundo para dançar com a própria. De resto, a convidada de honra foi MC Rebecca, que havia atuado naquele mesmo dia no Parque da Bela Vista e regressou para interpretar “Combatchy” com Anitta.

Entre “Vai Malandra”, “Movimento da Sanfoninha”, “Envolver”, “No Chão Novinha”, “Bola Rebola”, “Dançarina”, “Terremoto”, “Rave de Favela”, “Sua Cara”, “Romance com Safadeza” ou “Show das Poderosas”, foram muitos os temas que deixaram os pés, as pernas, as ancas e os braços dos fãs a mexer, em êxtase com a performance de Anitta e companhia em palco. Provavelmente, para surpresa de muitos, foi mesmo um dos grandes acontecimentos deste Rock in Rio Lisboa. E Anitta merece todo o sucesso que tem tido — bem como todas as portas que tem escancarado para o funk brasileiro.

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