Música

Óculos 3D, eletrónica pioneira e efeitos alucinantes: a viagem dos Kraftwerk foi épica

A performance dos alemães no MEO Kalorama foi alienígena — no bom sentido — e transportou o público pelo tempo e o espaço.
O grupo levou Lisboa aos ecrãs da performance.

Assistir a um concerto dos Kraftwerk é embarcar numa viagem. No tempo, até à altura em que estes alemães se tornaram pioneiros e vanguardistas da música eletrónica. E no espaço, sendo o espetáculo e a música da banda tão marcada por elementos futuristas e de ficção científica.

O público no MEO Kalorama apertou os cintos de segurança, colocou os óculos 3D e foi transportado através de um mundo robótico de batidas repetitivas e melodias pop que se revelou uma jornada inesquecível.

Nos anos 70, os Kraftwerk afirmaram-se como um dos primeiros fenómenos pop da música eletrónica. Na altura, deveriam parecer autênticos alienígenas vindos das naves espaciais de “Star Trek” ou “2001: Odisseia no Espaço”. Os músicos alinhados em palco, vestidos da mesma forma como se fossem andróides despidos de personalidade e emoções, munidos de sintetizadores.

Tirando alguma espetacularidade visual conseguida através de tecnologias mais recentes, pouco mudou desde então. Ao vivo, os Kraftwerk continuam a apresentar-se da mesma forma, com os hits desse tempo, o que torna toda a experiência numa performance retrofuturista.

Para uns, o interesse em ver a banda alemã pode ter a ver com nostalgia. Para outros, a curiosidade e o fascínio em torno de um dos grupos que marcaram o século XX — e a história da música eletrónica — pode ser o mote para ter atraído tanta gente ao Palco Colina do MEO Kalorama (cujo piso desnivelado não beneficia de todo a pista de dança). E como quase nada mudou nos Kraftwerk, é quase uma experiência museológica assistir a um concerto da banda. Uma espécie de regresso a um passado estanque no tempo e que está mesmo à nossa frente.

As poucas letras são simples, diretas e repetitivas, mas carregadas de conteúdo. Seja quando alertam para o perigo nuclear em “Radioactivity”; quando falam da “Machine” como se fossem os Álvaros de Campos da música eletrónica; ou quando expressam a sua paixão e admiração profunda pela tecnologia em “Computer Love”. 

Os Kraftwerk são singulares e isso também se nota em todo o cuidado com a componente visual do espetáculo. Efeitos de luzes projetados no céu, visuais alucinantes nos ecrãs e, claro, os já referidos óculos 3D que foram distribuídos no Parque da Bela Vista para tornar o concerto mais imersivo e sensorial.

Mesmo que não se aprecie propriamente a música, digamos que assistir a uma performance dos Kraftwerk deveria ser obrigatória para qualquer interessado na cultura pop das últimas décadas. São, de facto, um marco e os alemães continuam a usufruir do efeito alien num mundo já completamente habituado a música eletrónica, festas com DJ e sintetizadores. Isso torna-os eternos, certamente, e lendários.

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