Música

Os 10 novos concorrentes de “The Voice Portugal” — vistos pelo humorista Miguel Lambertini

O cronista da NiT escreve sobre a segunda ronda das Provas Cegas. O programa já vai na nona edição.
Mariana Rocha foi uma das concorrentes.

A segunda ronda das Provas Cegas da nona edição do “The Voice Portugal” foi emitida este domingo, 24 de outubro, e foram apurados dez concorrentes. Eis o que fiquei a saber sobre cada um deles e a minha apreciação sobre o seu estilo.

Pedro Tavares 

Tem 21 anos e vem de São Domingos de Benfica. Gostei do estilo “acabei de vir de uma road trip numa caravana e agora vou só aqui participar no ‘The Voice’”. É estudante de Teatro, na Escola Superior de Teatro e Cinema. Está no primeiro ano. Já tinha tirado o curso de Ciências da Comunicação, mas quando terminou percebeu que não era por aí o seu caminho… queria mesmo estar à frente das câmaras.

É de Aveiro, e está em Lisboa desde os 18 anos, quando veio para a faculdade. Estar no “The Voice” é um grande teste para conseguir perceber os seus limites e para ganhar mais experiência e conhecimentos na área da música. Pedro cantou “Best Part”, virou as quatro cadeiras dos mentores e escolheu fazer parte da equipa de Marisa Liz.

Andreia Rio

Tem 34 anos e vem de Faro. Gostei do estilo “fadista Oktoberfest” e da emoção que a cantora conseguiu transmitir na voz. Natural de Boticas, é casada e tem dois filhos. Enfermeira de formação, mas uma eterna apaixonada pelo fado. Em 2012, a Andreia e o marido, que também é enfermeiro, decidiram ir trabalhar para a Bélgica porque não conseguiam arranjar trabalho em Portugal.

Na Bélgica, no primeiro fim de semana em que lá esteve, foi logo cantar. Foi o marido que em 2018 a inscreveu no “The Voice Belgique”. Adorou a experiência e encantou com a sua interpretação do tema “Ó Gente da minha Terra”. O seu maior sonho é ver o seu talento reconhecido em Portugal. Andreia fez virar todas as cadeiras, exceto a de António Zambujo. Escolheu ficar na equipa de Marisa Liz.

Inês Marques Lucas 

Tem 26 anos e vem de Oeiras. Gostei muito do estilo “Khaleesi Mãe dos Dragões, se ela vivesse em Oeiras” e da tranquilidade que a Inês transmite. É designer gráfica. A música começou quando tinha cinco anos: a mãe apanhou-a a rezar ao menino Jesus a pedir piano. Depois disso, inscreveu-a numa escola de música para aprender a tocar piano. Mais tarde, deixou o piano e começou a tocar guitarra. Também toca bandolim e flauta transversal.

O seu maior sonho é ter um estúdio cheio de instrumentos e saber tocar todos. Estar no “The Voice” é uma oportunidade de continuar a fazer música. Inês cantou “Somewhere Only we Know”, dos Keane, e virou todas as cadeiras. A jovem, que já tinha participado no “The Voice Portugal” em 2014, tendo ficado na equipa de Marisa Liz, escolheu desta vez Diogo Piçarra como mentor.

Maria Mendonça 

Tem 22 anos e é de Lisboa. Já trabalhou num escritório de advogados mas percebeu que o que queria mesmo fazer era dedicar-se à música. Gostei do estilo beta de Lisboa e acho que tomou uma ótima decisão porque uma voz daquelas era um desperdício a debitar artigos do Código Penal pelos tribunais deste País. Tem um original, “8 ou 80”, que passou na Rádio Comercial e foi produzido pelo Luís Roquette. Maria fez com que os quatro mentores virassem as cadeiras. António Zambujo foi bloqueado por Diogo Piçarra. Maria escolheu Marisa Liz.

Edson Daniel

Tem 23 anos e é de Loures. Gostei do estilo “James Earl Jones”, com um vozeirão de rádio a acompanhar. O Edson tem uma vibe muito porreira e encheu o palco com a sua boa disposição. Está no segundo ano da faculdade, em Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia. Também trabalha a part-time num café bar.  Está no mundo da música há dez anos. Toca piano e guitarra há sete. A família gosta de o ouvir cantar, mas não veem a música como uma carreira e uma coisa para a vida. Acham que é um hobbie, mas o Edson quer fazer da música a sua vida e mostrar que é capaz. 

O que mais se orgulha de ter conseguido é de ter lançado dois singles com o seu esforço. Acredita que o programa pode lançá-lo para o mundo da música, concretizar sonhos de solidificar a sua carreira e poder cantar com grandes artistas portugueses e internacionais. Edson cantou “I Surrender” e virou apenas a cadeira de Aurea, ficando assim na equipa da cantora.

Ika (Francisca)

Tem 16 anos e é de Braga. Gostei do estilo “bond girl dos anos 60” mas com aquela garra de quem é do norte e que a qualquer momento pode lançar um “e quê, chabalo?” Ika frequentou a escola do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. O instrumento que escolheram para ela, depois dos testes, foi o violino. Mas a Ika não gostou muito. Frequentou o coro e já teve a oportunidade de trabalhar com maestros portugueses e estrangeiros. Já cantou em salas emblemáticas do nosso País e também no banho, na escola, na casa das amigas… 

Esta sua paixão pela música é culpa do pai. Desde pequena que se lembra de ouvir o pai a tocar guitarra. Acha que o “The Voice” a vai ajudar a crescer como cantora e pessoa. Ika cantou “Feeling Good”, de Nina Simone, virou as quatro cadeiras e escolheu Aurea como mentora.

Lika

Tem 31 anos e vem de Alfornelos, mas é natural do Cazaquistão. Toca guitarra acústica e elétrica. Adorei o estilo “banda do Kill Bill” e basicamente tudo da atuação da Lika. Parafraseando o Vasco Palmeirim, “não brinco mais a isto” é pouco para comentar o poder desta senhora, que, como se não bastasse ter levado um cover de Nirvana, ainda faz solos de guitarra como se não houvesse amanhã. Like para a Lika. 

Foi no Cazaquistão que, aos 11 anos, começou a sua verdadeira paixão pela música, quando o tio lhe ensinou o primeiro dos muitos acordes que viria a aprender na guitarra. Estudou viola clássica durante quatro anos e, aos 14, criou a primeira banda de rock só de originais. Ainda que tenha terminado a Universidade de Economia, a música era a sua verdadeira paixão e logo entrou para o Tchaikovsky Almaty Music College. Orgulha-se de ter gravado um álbum nos melhores estúdios do mundo em Los Angeles. Lika cantou “Come As You Are”, dos Nirvana. Apenas Diogo Piçarra não virou a cadeira. A jovem escolheu fazer parte da equipa de Marisa Liz.

Beatriz Cepêda

Tem 15 anos e é do Porto. Adorei o estilo “executiva da city londrina” e fiquei cheio de inveja porque esta malta que canta e toca piano assim, com apenas quinze anos, só dá vontade de os esbofetear. Beatriz estuda no Conservatório de Música do Porto desde os seis anos, passou agora para o décimo ano e toca piano, bateria e guitarra. Os pais sempre a apoiaram. O pai é o seu maior fã. Ninguém na família é músico, mas a Beatriz sempre gostou muito desta arte. Beatriz é a concorrente mais jovem desta edição. António Zambujo foi o único a virar a cadeira e a jovem ficou na equipa do fadista.

João Neves

Tem 34 anos. Gostei do estilo corsário do século XVI mas principalmente dos falsetes, que mostram uma grande capacidade vocal. É do Porto, mas está em Lisboa há dez anos, para onde foi estudar música. Tem cantado em diversos contextos, incluindo para grandes plateias, maioritariamente por Portugal, mas também na Dinamarca, Alemanha, Reino Unido e Espanha. Participar no “The Voice” representa um passo importante no acesso a um público mais abrangente, permitindo alargar o circuito e assim assegurar um pouco mais o futuro neste meio. Ganhar seria o expoente máximo dessa exposição. João virou as quatro cadeiras mas Diogo Piçarra e António Zambujo foram bloqueados. O músico escolheu Marisa Liz. 

Mariana Rocha

Tem 24 anos e é de Ponta Delgada. Gostei muito do estilo “4 Non Blondes” mas ainda adorei mais a pronúncia de São Miguel que me fez lembrar a minha querida bisavó Carmen, que também tinha este sotaque. Só não cantava tão bem. Está no segundo ano de licenciatura em Music Business, em Londres. Já tocou violino e viola, durante nove anos, quando estudava no conservatório. De momento toca piano e guitarra. Também compõe de tudo um pouco, mais dentro da área pop.

Com 17 anos, veio para Lisboa tentar a sua sorte na música. Depois passou uns meses na Bélgica, onde concorreu à faculdade (curso de Filosofia), mas não entrou. Ficou triste e decidiu inscrever-se num curso na área da música. Entrou numa faculdade em Londres e está muito feliz com o que está a aprender e a pôr em prática. O seu maior sonho é poder viver da música sem ter que se preocupar com o amanhã. Mariana cantou “Arcade”, de Duncan Laurence, e conseguiu virar as quatro cadeiras. A açoriana escolheu Aurea como mentora.

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