Música

Os Karetus do Cacém transformam tudo em música. Do “morreram todos” ao golo do Éder

O grupo já lançou canções com momentos virais de Marcelo Rebelo de Sousa e, mais recentemente, José Rodrigues dos Santos.
Um grupo único em Portugal. Fotografia: @_batatz_

Os Karetus só precisaram de dez minutos de viagem para criarem um tema que se tornou viral nas redes sociais. Iam de carrinha para o Entroncamento, onde apresentaram a canção ao vivo. A inspiração? A forma insólita como José Rodrigues dos Santos abriu o “Telejornal” da RTP1 após o desastre do Titan. “Boa tarde. Morreram todos”, disse.

O momento foi presenciado por milhares de portugueses por volta das 20 horas de 22 de junho, uma quinta-feira — na quando os Karetus iam a caminho do concerto. O jornalista referia-se às cinco vítimas da implosão do submersível Titan (da empresa OceanGate) que ia investigar os destroços do Titanic, o navio que naufragou a 14 de abril de 1912.

“Assim que vimos aquele momento percebemos que era algo fora do comum. Os nossos remixes são sempre caricatos. Ali o importante não era a notícia, mas sim como foi apresentada. Sabíamos logo que tinha de ser uma canção”, diz Carlos Silva, um dos membros do duo, à NiT. E acrescenta: “Fazemos misturas de tudo o que achamos que tem algo de musical. Vemos música em tudo”.

Normalmente, não associaríamos uma frase como a proferida por José Rodrigues dos Santos a música. Porém, os Karetus, duo de DJ também constituído por André Reis, encontraram logo uma relação que os fez avançar para a criação. O momento fez com que se lembrassem do videojogo “Mortal Kombat”, lançado originalmente em outubro de 1992 em diversas máquinas de arcade — naqueles salões de jogos que se tornaram populares nos anos 80. O jogo é conhecido pelas lutas sangrentas, pelas decapitações e pela extração de órgãos das personagens. “‘Morreram todos é uma frase que gritaríamos durante um jogo”, brinca.

Fundado na década de 90, o grupo foi buscar inspirações à musicalidade dessa década, caracterizada pelos ritmos que recorriam muitas vezes a sintetizadores — também muito ao estilo dos anos 80. A estas batidas adicionaram a voz de José Rodrigues dos Santos que ia ficando cada vez mais aguda. A música de fundo, por sua vez, ficava mais acelerada.

Os artistas não estão a pensar lançar uma versão completa desta criação — aquela apresentada no espetáculo no Entroncamento apenas 40 segundos de duração —, “exceto caso haja muitos pedidos.” Também não pensam voltar a tocá-la porque, a maioria dos memes “morre passado algum tempo”. “Essa janela temporal está cada vez mais curta, o que é um pouco assustador”, confessa Carlos.

Os dois elementos Karetus conhecem-se desde miúdos, altura em que já faziam vídeos e música juntos, mas como brincadeira. “Nunca imaginámos que esta seria a nossa vida”, acrescenta Carlos. Durante a adolescência afastaram-se, mas quando estavam na casa dos 20 surgiu uma proposta para produzirem canções para outros artistas.

“Em 2010, quando acabámos esses trabalhos pensámos que seria bom fazermos coisas originais”, recorda. Os temas nõ são apenas “originais”, têm também um estilo muito próprio. A verdadeira essência do grupo, porém, “só pode ser vivenciada nos espetáculos ao vivo”, explica. “Os nossos concertos são uma viagem pelas emoções”, como o objetivo de potenciar as gargalhadas no público. Os remixes especiais com memes e casos da atualidade acabam por funcionar como momentos de comic relief durante os espectáculos.

Carlos recorda-se de que a 10 de julho de 2016, na noite em Portugal venceu o Campeonato Europeu do Futebol, atuaram em Freamunde. Para celebrarem esta conquista nacional, em 15 minutos criaram uma canção com o momento do golo do Éder. “As pessoas demoraram uns 15 segundos para perceberem o que acontecia e depois riram-se”, conta-nos Carlos.

Os Karetus do Cacém

Embora sejam da Linha de Sintra, Carlos e André quiseram homenagear uma componente da cultura que está intrinsecamente ligada à nossa nacionalidade: os caretos do Norte do País. “Nós usamos muito aquela imagem. São diabos que andam à solta e essa é a energia que transmitimos”, garante o artista.

O duo formou-se em 2010 e desde então que têm apostado bastante nas redes sociais como o Facebook, Instagram e TikTok. “Quando fazemos música queremos ter sempre algo visual associado”, explica.

Desde então que já colaboraram com diversos artistas portugueses como Diogo Piçarra, Wet Bed Gang, Dino D’Santiago, entre outros. Um dos seus temas mais populares, porém, não é uma colaboração, mas sim um remix de “Bella Ciao”, a canção que se ouvia em “La Casa de Papel”. Tem 6,5 milhões de visualizações no YouTube. Também já partilharam nas redes sociais canções com memes do presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Para 2023 têm já agendadas mais de 40 atuações, inclui nos festivais MEO Marés Vivas (15 de julho) e no MEO Sudoeste (11 de agosto).

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