Música

Os meses de loucura de Kanye West — que vão ajudar a criar o novo disco

Depois do divórcio, o rapper foi morar para um estádio onde prepara o lançamento de "Donda". Muitos questionam a sua saúde mental.
"Donda" vem aí

De calças brilhantes e reluzentes, blusão insuflado vermelho vivo e a cabeça completamente tapada com uma meia de nylon, a figura que despontou nas bancadas do estádio Mercedez-Benz, em Atlanta, era singular. Nem todos o que assistiam à partida de futebol dos Atlanta united perceberam imediatamente de quem se tratava.

Com a cara tapada e irreconhecível, foi a vestimenta bizarra que permitiu reconhecer a identidade do homem que passeava pelas bancadas enquanto tirava fotografias com o telemóvel. Dias antes, o relvado tinha sido só seu. Nas bancadas, os fãs de Kanye West substituíram os fãs de futebol.

Daquela que foi a primeira festa de audição conjunta do seu novo álbum, “Donda”, ficou o look bizarro que permitiu ser reconhecido dias depois — e que tornou famoso o casaco vermelho que é uma colaboração sua com a GAP. Mas, passado todo esse tempo, o que estaria West a fazer no estádio? Aparentemente, era a sua nova casa, em mais um episódio da louca vida do rapper que se tornou ainda mais imprevisível no último ano.

Imprevisível tem sido também a chegada do décimo disco de originais de West, do qual já se perdeu a conta aos sucessivos adiamentos. Da primeira data a 24 de julho, chegamos a meio de agosto com várias potenciais datas. A última aponta para 20 de agosto, mas no louco mundo de Kanye West, tudo é possível.

Já em 2020 se faziam as contas de uma carreira recheada de polémicas e que culminou com a confissão do músico sobre a sua condição mental. Muito se especulava sobre potenciais problemas que o próprio revelou em 2019, ao explicar que sofria de doença bipolar. o do músico sobre a sua condição mental. Muito se especulava sobre potenciais problemas que o próprio revelou em 2019, ao explicar que sofria de doença bipolar.

“Qualquer pessoa que o tenha ou que conheça alguém nesta situação, sabe o quão complicado e doloroso é entender tudo isto”, revelou a ex-mulher Kim Kardashian. “Ele é uma pessoa brilhante, mas complicada. Além das pressões naturais de ser artista e ser negro, além de ter vivido a perda dolorosa da mãe, ainda tem que lidar com a pressão e isolamento de ser doente bipolar”, escreveu.

Donda West é, aliás, uma das figuras que inspiram o novo disco do rapper. Mas não só.

A aparição de West nas bancadas

O casamento de West e Kardashian estava já sob tensão — são pais de quatro filhos, North, Chicago, Saint e Psalm —, sobretudo depois das polémicas declarações do músico na campanha eleitoral onde concorreu ao cargo de presidente dos Estados Unidos. Em 2021, a relação terminou com um estrondo.

Depois de em 2020 West ter abordado o possível fim do casamento — isto depois de revelar que o casal havia discutido a possibilidade de recorrer a um aborto durante a gravidez do primeiro filho —, acusou ainda a família Kardashian de o ter tentado “prender”. A oficialização chegaria apenas em fevereiro de 2021, com a apresentação oficial do pedido por parte de Kim Kardashian.

O divórcio haveria de avançar com a custódia partilhada dos quatro filhos e sem quaisquer necessidade de pagamento de pensão de alimentos. A saúde e o estado mental de Kanye West terão sido alguns dos motivos para o fim da relação.

Quatro meses depois, West anunciava o regresso aos palcos e uma festa de audição prévia do novo trabalho. O mundo da música agitava-se.

A 22 de julho, West regressava à cidade onde nasceu. O estádio com capacidade para 71 mil pessoas estava lotado. Nas bancadas, dezenas e dezenas de famosos. Entre gravações da mãe, Donda, as músicas — na sua maioria ainda inacabadas — foram reproduzidas pelo sistema de som do estádio a um volume excessivo, de tal forma que pouco foi possível perceber. Também ainda não seria desta que os fãs saberiam quando é que seria possível comprar o disco.

Os milhares das bancadas voltaram para casa. Kanye West não. Viria a descobrir-se mais tarde, depois da aparição do músico nas bancadas do mesmo estádio, que o rapper nunca tinha saído do local.

O quarto improvisado

O estádio Mercedes-Benz era, afinal, a sua nova casa. West ocupou de forma provisória uma pequena sala. No interior, apenas uma pequena cama, vários pares de sapatilhas, uma televisão e um relógio. Não sairia dali enquanto “Donda” não estivesse finalizado.

Ao longo das últimas semanas, o percurso de West tem sido acompanhado através das fotos e de ocasionais diretos nas redes sociais. Por vezes sozinho, outras acompanhado de colaboradores, a verdade é que a escolha invulgar reflete um duvidoso estado mental do artista.

A 6 de agosto, novo convite para um regresso dos famosos às bancadas do estádio. A mais recente festa de audição de “Donda” trouxe um disco mais próximo da sua versão final — mas outro momento curioso protagonizado por West.

Contrariamente ao que seria de esperar, nas bancadas estava a ex-mulher, Kim Kardashian. Tinha já surgido na primeira festa num fato vermelho a combinar com o do ex-marido. Do relvado, West deixou uma mensagem em forma de música.

Um dos temas apresentados ao vivo refletia sobre a vida familiar do músico e garantia que Kardashian ainda está apaixonada por si. O músico terá mesmo chorado durante a apresentação do tema que fala sobre a perda da família.

Com o mundo em suspendo a tentar perceber se “Donda” chegará mesmo a 20 de agosto ou se será mais uma partida em falso, muitos questionam-se se não estará Kanye West no meio de outra crise de saúde mental, à imagem da que sofreu em 2016 e que o levou a ser internado num hospital psiquiátrico.

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