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Pedro Abrunhosa regressa aos álbuns de originais com “Inverbo”

O nono disco do cantor e compositor portuense põe fim a um hiato que durava há sete anos, desde “Espiritual”.

Após uma pausa de mais de sete anos, Pedro Abrunhosa regressa aos discos de estúdio com “Inverbo”. O seu nono trabalho chegou este sábado, 17 de janeiro, às lojas e plataformas digitais, marcando o seu primeiro registo de originais desde “Espiritual” (2018). 

O álbum, disponível em CD, vinil e formato digital, assinala um novo capítulo na carreira do cantor e compositor de 65 anos. Ao longo de 11 temas “meditativos”, a palavra é o centro. “É no poema que residem a intimidade e o mistério da canção”, afirma o autor.

Este trabalho confirma a maturidade e profundidade de escrita que têm acompanhado a trajetória de Abrunhosa desde a sua estreia, em “Viagens” (1994), obra que o catapultou para o reconhecimento nacional, com temas como “Não Posso Mais”, “Socorro”, “Lua”, “É Preciso Ter Calma”, “Estrada” e “Tudo o Que Eu Te Dou”.  

“Acredito ser pela palavra que a canção se enraíza e perdura no inconsistente de tantos”, sublinha Abrunhosa, sobre o novo disco, lema que poderia resumir toda a sua carreira.

Na capa de “Inverbo” surge a figura solitária de um homem (que não é o artista), imersa numa paisagem enevoada e desolada.  Esta dimensão visual sublinha a carga emotiva que atravessa o disco e reforça o diálogo entre imagem e som, relação que o músico vem explorando desde “Momento” (2002) e “Luz” (2011).

O lançamento é acompanhado pelo vídeo de “Leva-me P’ra Casa”, que conta com a participação de Carolina Deslandes. O tema, descrito como uma das composições centrais de “Inverbo”, já havia sido gravado ao vivo no Porto, em 2023, — e anunciado, na altura, como “uma revelação inédita do novo disco a sair em breve”.

Abrunhosa descreve o disco como um exercício de “simplicidade, contida em histórias de rendição e ausência“. Contudo, a facilidade é apenas aparente, porque “só para as máquinas o simples significa o expectável”, sublinha. “Toda a simplicidade tem raiz profunda“, acrescenta. “Considero que a poesia é a capacidade inelutável da Humanidade para conversar com os deuses.”  

Em simultâneo, o universo de “Inverbo” inspirou a conversa “Elogio do Silêncio”, realizada na passada quarta-feira, 14 de janeiro, na Biblioteca do Vaticano. Nessa sessão à porta fechada, Pedro Abrunhosa juntou-se ao cardeal Tolentino Mendonça e à pianista Maria João Pires num diálogo sobre a palavra, a cultura e o processo de criação.

A conversa, gravada naquele cenário histórico, propõe “uma reflexão sem pressa sobre a escuta, o tempo e o espaço que permitem o surgimento da arte autêntica”, e será brevemente disponibilizada online.

Nos últimos meses, Pedro Abrunhosa tem estado numa vertigem de lançamentos, que “revisitam e condensam três décadas de criação literária e musical“. Em novembro do ano passado, publicou dois títulos: o livro de poemas “Vem Abrir a Porta à Noite”, e “Cancioneiro”, com os seus temas transcritos para pautas, por Manuel Dias e Paulo Gravato. Ambos editados pela chancela Contraponto, contam com prefácios de Lídia Jorge e Fernando Alvim, respectivamente. 

“Inverbo” será apresentado ao vivo na Super Bock Arena, no Porto, nos dias 23, 24 e 25 de janeiro (duas datas já com lotação esgotada), seguindo-se uma atuação na MEO Arena, em Lisboa, a 31 de janeiro. 

Ainda há bilhetes disponíveis para compra online, com preços entre os 25 € e 75 €.

Carregue na galeria para conhecer outros grandes concertos que vai poder ver em Portugal em 2026.

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