Música

“Pedro, Pedro, Pedro”. A história da canção que toda a gente anda a cantar

O tema de 1980 regressou para as rádios, discotecas e redes sociais. Tudo graças a um guaxini dançarino.
Raffaella Carrà é a voz por detrás do tema original.

O vídeo de um guaxini a dançar no TikTok ajudou uma canção de 1980 a subir até ao topo de algumas das principais tabelas musicais do mundo, entre as quais o top Global do Spotify. Na aplicação, o post original que usou um remix deste tema já conta com 65 milhões de visualizações. Embora tenha sido publicado em setembro de 2023, tornou-se viral apenas em março. Desde então, o áudio foi usado na plataforma mais de dois milhões de vezes — e também já se ouve nas estações de rádio e discotecas.

Mas afinal, quem é a voz que interpreta este super hit? A resposta é a italiana Raffaella Carrà, que entrou na indústria do entretenimento logo quando era miúda. Nascida em Bolonha em 1943, começou a sua carreira cinematográfica no início dos anos 50. Aos oito anos, participou no filme “Tormento del Passato”, um melodrama que pôs milhões de espectadores a chorar. Seguiram-se outros pequenos papéis no cinema.

Em 1960, Raffaella decidiu inscrever-se no Centro Experimental de Cinematografia para levar o seu talento mais além. O esforço foi recompensado: nesse mesmo ano participou em “La Lunga Notte Del 43′”, de Florestano Vancini e “Il Peccato Degli Anni Verdi”, do realizador Leopoldo Trieste. Ao mesmo tempo começou a trabalhar no teatro.

Nunca abandonou os palcos e sempre se manteve à frente dos holofotes. Sedenta por mais atenção, a italiana foi para um estúdio de gravação em 1969 e começou a trabalhar no seu primeiro disco. No ano seguinte, apresentou “Raffaella” ao público.

O seu grande êxito só chegaria em 1980, quando lançou “Pedro”, um tema que faz parte do álbum “Mi Spendo Tutto”. O hit conta a história de uma turista que, durante um passeio por Santa Fé, na Argentina, é abordada por um jovem guia turístico chamado Pedro. A mulher sentiu-se imediatamente cativada pelo rapaz que representava “o melhor de Santa Fé”.

Há duas teorias sobre a canção. A primeira diz que Pedro é inspirado num dos dançarinos de Carrà. A segunda diz que foi escrita a pensar num famoso argentino. Segundo o que a “RadioWise” escreveu a 2 de maio de 2024, a cantora poderá estar a referir-se a um concerto que deu em 1979 no estádio Club Atlético Unión, em Santa Fé.

De acordo com várias pessoas presentes, houve um fã que tentou entrar no espetáculo sem pagar, mas acabou por ser detido. Soube-se depois que este homem era Diego Maradona. Isto, contudo, nunca foi confirmado pela cantora ou pelo jogador de futebol argentino.

Raffaella Carrà lançou mais de 20 álbuns ao longo da carreira. A demanda era elevada, por isso, partiu em inúmeras digressões nacionais. Muitos dos temas que interpretava eram baseados nos seus casos amorosos. Uma das principais relações — e a mais mediática — foi com Gino Stacchini, um ex-jogador de futebol da Juventus.

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Estiveram juntos durante três anos na década de 60, quando a performer era uma adolescente e ainda desconhecida ao grande público. Segundo o que contou Stacchini ao jornal “Di Piú” em 2021 — ano em que Raffaella morreu aos 78 anos, a 5 de julho — os dois terão começado a namorar quando ela tinha 16 anos e ele 21. Naquela altura o atleta já jogava pela Juventus e pela seleção italiana.

Ambos conheceram-se por mero acaso na região de Emília-Romanha. Carrà estava a passar o verão com a família e Gino estava a pernoitar num hotel. Foi “amor à primeira vista”. “Os olhos dela e a gentileza conquistaram-me. Ajudei-a a manter a forma e era quase como o seu treinador. Ela para mim já era perfeita, mas importava-se muito com a sua figura, embora não conseguisse dizer que não à mesa”, contou o antigo jogador.

A ligação entre ambos foi mantida em segredo durante algum tempo porque tinham medo daquilo que poderia ser escrito nos tabloides. No entanto, foram forçados a contar a verdade ao mundo quando Omar Sivori, outro jogador da Juventus, começou a flirtar com Raffaella num hotel em Belgrado.

“Começou-se a atirar a ela assim que a viu. Abraçou-a e convidou-a para um café e para um jantar. Para o afastar, ela gritou que só estava lá para dizer olá ao namorado. Depois correu para mim e abraçou-me.”

A relação acabou por chegar ao fim depois de três anos de namoro. Ele queria formar uma família, mas ela tinha outros planos. “Raffaella só se interessava pelo trabalho e a nossa relação só existia quando ela estava livre. Distanciámo-nos aos poucos. Mas a amizade e o carinho permaneceram”, explicou Stacchini.

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