Um saco-cama, comida, água e um desodorizante. Isto foi tudo o que Rita levou para o NOS Alive, quando chegou à porta do recinto pelas 22 horas de dia 9 de julho. Ou seja, um dia antes do arranque do festival no Passeio Marítimo de Algés. A razão? Olivia Rodrigo.
A rapariga de 24 anos viajou de comboio de Almada para Oeiras, com a amiga Inês Queiroz, três anos mais nova, que vive no Porto. As duas conheceram-se, curiosamente, noutro espetáculo, dessa vez de Tate McRae.
A experiência de dormir à porta do recinto foi um misto de emoções. Por um lado, como seria de esperar, não conseguiu descansar com o barulho dos carros e da passagem dos comboios na linha ali ao lado. Por outro, ficou amiga de outras fãs da cantora de 22 anos que sobe ao palco principal pelas 23h15. “O contacto com os outros é sempre a melhor parte de acampar”, conta à NiT.
A sua história com a artista norte-americana é longa. Conheceu-a em 2019, quando a cantora ainda estava na Disney, mais especificamente em “High School Musical: O Musical: A Série”, onde era a protagonista — e na qual se tornou viral com a faixa “All I Want”. “Vi que tinha muito talento e fui imediatamente captada por ela”, recorda Rita Ferreira.
Além da música, a jovem admira os valores e as causas que Olivia Rodrigo defende, como o fim da guerra na Palestina, os direitos das mulheres e dos membros da comunidade LGBTQIA+. “Ultrapassa a relação de cantora. É uma pessoa que se preocupa muito com problemas reais.”
Sobre a parte da música, que realmente é a que mais interessa num festival, Rita diz-se cativada pela forma como a autora consegue transitar entre géneros, a presença no palco, a criatividade e a voz.
“Ela com 22 anos está bem melhor do que eu alguma vez vou estar”, brinca. “Tem todo o potencial para ser o futuro da Pop.”

Acampar para um concerto da performer é uma estreia, mas não é, de todo, a primeira vez que Rita vai ver a sua cantora favorita. Esteve no espetáculo da MEO Arena no ano passado e viu-a duas vezes no Reino Unido.
“É muito especial poder vê-la de tão perto e tudo o que ela própria sente em palco. Vai ser, sem dúvida, o melhor concerto de hoje e da edição inteira.”
Pode parecer uma afirmação audaz, mas a verdade é que o primeiro dia do festival é o único que se encontra esgotado na bilheteira do NOS Alive. Assim que as portas do recinto abriram, por volta das 15h30, a relva à frente palco principal foi invadida por um mar de gente com roupa roxa (uma das cores de assinatura da artista) e de merchandising oficial.
Entre todas as pessoas que aguardavam ansiosamente à porta do NOS Alive, Rita foi a escolhida por Isaltino Morais, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, para ser a primeira a entrar no festival. “Não sei porque é que ele me escolheu. Só pediu uma menina e eu fui.”
Ao longo do concerto, que terá cerca de uma hora, acredita que vai ser levada numa viagem de emoções. Num momento, diz que vai estar a chorar e, no seguinte, estará a saltar, aos berros, num estado de total euforia.
“Digo sempre que já não tenho idade para chorar em concertos, mas depois vêm as baladas e não aguento. Sentir faz parte do ser humano.”
Apesar da alegria que lhe anima o rosto inteiro a falar com a NiT, quando pensa na cantora norte-americana, há sempre uma história assustadora que lhe vem à cabeça: um acidente de carro. Este episódio surgiu após um ensaio de dança e o final de uma relação amorosa.
“Estava a conduzir enquanto ouvia uma canção dela e espetei-me contra um poste”. Logo depois acrescenta: “Os rapazes não prestam. A Olivia tem temas muito específicos sobre isso.”







