Música

Robbie Williams trocou as “strippers e a cocaína” pela pintura

O músico deu a conhecer o"novo superpoder" e apresentou a primeira exposição. "Estou mais feliz do que alguma vez estive”, diz.
É um homem novo

“Antigamente, era só cocaína e strippers — agora dedico-me a colorir”, explicou o artista de 48 anos ao jornal “The Times”, na antecipação da sua primeira exposição. Robbie Williams, antigo membro dos Take That, decidiu apostar numa transformação total da sua carreira.

“Fiz a mesma coisa durante 30 anos: fazer um disco, promovê-lo, ir em digressão. Mas a arte levou-me a ser uma pessoa totalmente diferente”, conta. Na última semana, as suas pinturas estiveram em exibição no Reino Unido. Uma estreia que foi o resultado de um trabalho em parceria com Ed Godrich e que resultou em 14 quadros, expostos no contexto do London Gallery Weekend.

As pinturas estão assinadas pelo pseudónimo Williams Godrich e receberam, cada uma delas, nomes femininos populares na década de 80. Há uma Janet, uma Donna, uma Tracy ou uma Trish. São também obras de grandes dimensões que estarão disponíveis para venda através da Sotheby’s.

O duo artístico conheceu-se em 2012. Godrich era um arquiteto de interiores que acabaria por ser contratado para renovar uma das casas de Williams. “Formámos uma ligação criativa. Acabámos por desenvolver uma técnica e aprendemos a trabalhar juntos”, recorda o músico, que criou muitas das obras numa “enorme garagem” em Los Angeles.

Apostaram no poliestireno, em telas enormes e em elementos “extravagantes e absurdos”. “Há também um elemento nostálgico integrado nas pinturas a preto e branco, com referências subtis à cena musical onde cresci.”

“Sair da cena pop para fazer arte… Foi uma aposta na imprevisibilidade, num estilo brincalhão. É isso que eu sou, que quero ser. Sei que o mundo da arte é muito sério, mas eu não sou assim, não é isso que nós somos”, explica. “Se ao olhares para isto não te recordas dos desenhos animados dos anos 80, de como te sentirias se entrasses num cartoon, não estás a compreender [a obra].”

Williams e Godrich apresentam Sharon, uma das obras.

Sobre a revelação das suas criações ao mundo, Williams assumiu sentir-se “aterrorizado”. “No Reino Unido, não te deixam sair da tua caixinha e a minha caixinha era o mundo da pop”, refere. “Por isso, preocupo-me com eventuais pontapés na cabeça que possa levar por me atrever a sair da minha caixa. Ao mesmo tempo, estou absolutamente convicto e obcecado, por isso vou fazê-lo.”

Williams não é apenas pintor. É também colecionador. Ao longo dos últimos anos, tem revelado um pouco da sua coleção pessoal — ainda em 2021, ofereceu três peças de Banksy para um projeto de beneficência, que foram vendidas por perto de dez milhões de euros.

As obras criadas por Robbie ainda não atingem esses valores, mas estima-se que uma delas tenha sido já vendida por perto de 50 mil euros, mais do dobro do que se esperava.

Com um passado problemático, o músico revela que a arte é o seu novo “superpoder”. Williams já havia confessado ter tido diversos problemas de saúde mental, sobretudo desde os 16 anos, quando se tornou famoso graças à boy band. As drogas não ajudaram a combater as sucessivas crises depressivas e de ansiedade.

A pintura surge, assim, como uma espécie de remédio caseiro para a mente atormentada do cantor. “Definitivamente, diria que tenho conseguido evitar passar demasiado tempo a lidar com o Radio Rob [nome que dá aos seus demónios interiores].”

“É mais seguro para mim estar a fazer isto [a pintar], do que aqui dentro [na minha cabeça]”, conclui. “Creio que não passei muito tempo no mundo real, mas uma coisa posso garantir: estou mais feliz e mais satisfeito do que alguma vez estive.”

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