Com mais de 10 edições a conquistar os portugueses, o Rock in Rio Lisboa mudou de casa em 2024: passou do Parque da Bela Vista, para o Parque Tejo. O espaço é maior, tem novas infraestruturas, o melhor cenário da cidade e é também o pretexto para nova campanha do festival para atrair público internacional.
A ativação chama-se Road to Rock in Rio e está a convencer os turistas a aliarem uma viagem a Portugal com um dia recheado de concertos. O mote foi lançado a 27 de fevereiro em Londres, mais concretamente na estação de King’s Cross. Esta campanha contou com o mural dos sonhos, uma parede na qual foi possível deixar um post it com uma mensagem, um sonho. No final, depois de passar ainda por Madrid, Braga, Porto e Lisboa, esta parede fará parte de uma ativação no Palco Mundo, durante o festival, nos intervalos entre concertos.
A melhor parte é que mesmo quem não estiver por estas cidades, pode juntar-se a este desejo de sonhar alto sem sair de casa. As mensagens podem ser adicionadas através do site oficial e também elas contam para a possibilidade de ganhar bilhetes para um dos dias do festival. Já sobre o resultado final, por enquanto, mais não foi revelado sobre este momento para que seja surpresa para os festivaleiros.
Aos 47 anos, Roberta Medina quer continuar a surpreender. Em 2001, sucedeu o pai, Roberto, que criou o Rock in Rio, e ainda mantém viva a alegria de partilhar a música com um objetivo maior. Afinal, este festival surgiu em 1985, para dar voz à juventude do Rio de Janeiro e promover a cidade como um destino turístico de valor. Agora, a filha do criador do projeto quer fazer o mesmo por Lisboa.
A edição deste ano, que decorre a 20, 21, 27 e 28 de junho, voltará a ter grandes nomes no cartaz, como Linkin Park, Katy Perry, Rod Stewart, Pedro Sampaio, Charlie Puth ou Cyndi Lauper. Mas a última data continua em aberto.
“Vai ser um dia para um público jovem adulto urbano” foi a única revelação que arrancámos a Roberta Medina, que prometeu mais novidades para breve, durante a conversa com a NiT em Londres.
Os bilhetes para o Rock in Rio 2026 já estão a venda, com a entrada para um dia a começar nos 89€.
Se não estamos no Reino Unido para revelar um Rock in Rio Londres, o que fazemos nesta ativação em plena estação de King’s Cross?
Estamos a vender um pacote. O Rock In Rio tem uma característica de que as pessoas vão um dia, porque cada dia é desenhado de uma forma muito específica para públicos diferentes e complementares. Por isso, o turista que vem para o festival não passa os dias no festival. Vem um dia para o festival, o que é uma grande oportunidade para a cidade e para a região à volta. E no caso de Portugal, que se consegue viajar com pouquíssimo tempo de comboio, de carro ou de avião, é possível oferecer um city break para a Europa em geral, para países como Inglaterra, Espanha, França, Alemanha. Ainda é um mercado muito acessível, apesar de ter oferta de luxo, uma oferta sofisticada, com preço muito mais abaixo do que eles têm na sua própria região. Acho que é o mix perfeito para usar como gancho de entretenimento internacional, que é o que a gente faz, mais o bolo completo, que é o destino, e aumentar o convite. O que fazíamos no passado era uma comunicação muito direcionada para o público festivaleiro, mas o que estamos a fazer agora é diferente. Por isso, a parceria mais forte nos turismos, a parceria com a TAP para criar formas de divulgar pacotes. Estamos a falar com muitos operadores, agências de turismo, outros atrativos, como o Oceanário ou o Quake, com os players locais, para que possamos juntos promover o destino para todo mundo.

Porque é que escolheu Londres para o arranque deste roadshow internacional?
Os ingleses são importantes para o festival, já são um público que marca presença. Na última edição vendemos bilhetes para para 106 países, mas é Espanha prioritariamente, Inglaterra, França e Alemanha, os quatro primeiros, que são também os primeiros destinos de turistas para Portugal. Então está super alinhado com o que o próprio País recebe. Esta ação é assim uma forma de vender destino e Rock in Rio com a temática dos sonhos, falando dos artistas. E como quando falamos de Rock in Rio pode ser difícil explicar o que tem de diferente, viemos aqui e vamos depois a Madrid, além de levarmos influenciadores locais à edição deste ano, para mostrarem como é. Queremos dar outra dimensão ao festival. Está na hora de olhar para a Europa, aproveitando que Lisboa acaba de ser eleita de novo no top 10 das cidades mais desejadas enquanto destino.
Parte da iniciativa consiste no mural dos sonhos, no qual as pessoas estão a deixar aqui em Londres mensagens pessoais, e o mesmo vai passar-se em Madrid. Qual é o conceito por trás desta ideia?
A motivação é levar essa galera toda para Lisboa. Foi por isso que fizemos o convite, porque temos trabalhado muito para que se perceba que o Rock in Rio é mais do que música, é música em prol de alguma coisa, é a força da música para a construção de uma sociedade mais forte, mais harmoniosa. A temática que escolhemos este ano foi dar voz às pessoas, recolher os seus próprios sonhos, porque se estivermos a falar de construção de uma sociedade mais harmoniosa para todos, é através de todos, não é alguém que faz, somos todos que temos que fazer. O mundo melhor só é possível somando e acolhendo os sonhos de todos, porque cada um tem uma perspetiva de mundo melhor diferente, certo? A nossa intenção foi: “vamos dar voz a essa soma de bons sonhos”. É uma jornada de recolha de mensagens, também com oferta de bilhetes e tudo mais, para que, no final, cheguem ao Palco Mundo e assistam a um mega espetáculo, onde vamos mostrar e dar voz a esses sonhos.
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Em relação ao cartaz, temos grandes nomes, mas ainda há um dia que tem apenas o Carlão… Há algo grande a ser planeado para o último dia desta edição?
Divulgámos o Carlão porque estávamos a fazer uma ação com a Liga, mas o dia 28 vai ser mais um dia em grande. Começamos este ano com o dia da família, com a Katy Perry, o Pedro Sampaio, os Calema, Charlie Puth… Depois será o dia da galera do rock, com o Linkin Park. Há também o dia de não levar as crianças, que é o dia das lendas. Rod Stewart, Cyndi Lauper, 4 Non Blondes, vai ser brutal. E o último dia está a ser construído. Espero que, em breve, possamos divulgar para o público dos jovens adultos. Mais urbano, uma pegada mais atual.
Não há mesmo nada que se possa revelar?
Não, adoraria, mas estamos a fechar os detalhes.
Este ano o cartaz traz também uma sonoridade que é uma nova tendência no panorama musical. Apesar de ser norte-americana, Audrey Nuna dá voz a uma das personagens do filme “Guerreiras do K-Pop”. O sucesso atual da música sul-coreana, com algumas bandas a serem reconhecidas em Portugal, ou os atuais sucessos latinos podem vir a fazer parte dos cartazes do Rock in Rio Lisboa?
Acho que assim. O Rock in Rio segue sempre a tendência mainstream, é um projeto de grande dimensão e foca-se naquilo que faz sucesso junto do grande público. É muito pontual a presença de artistas novos, normalmente tem o que já está a fazer sucesso. O que eu acho que vai acontecer, naturalmente, à medida que formos capazes de atrair mais público internacional, é, por exemplo, passar a fazer sentido a alguns artistas espanhóis, que hoje para Portugal não fariam efeito, mas farão para o público espanhol. Mas, obviamente, normalmente o talento nacional toca muito no seu próprio país. Então não é isso que vai fazer as pessoas virem, mas pode ser uma soma positiva. Mas isso só vai fazer sentido porque hoje o nosso público é português. Construímos o line-up para o público português, mas é um line-up internacional, serve para fora. Lá na frente pode ser que possamos trazer alguns elementos que comuniquem de uma forma mais direta com alguns mercados. Mas será muito mainstream, muito internacional.

Esta vai ser a segunda edição no Parque Tejo. Qual é o balanço da primeira edição e que novidades estão previstas para este ano?
Não temos a menor dúvida de que o Parque Tejo é uma casa melhor para esta nova etapa do Rock in Rio. Traz muita força em termos de características físicas e de associação ao País com a Ponte Vasco da Gama ali atrás. Virou um cartão postal e passou a trazer uma identidade com Lisboa que não acontecia. A Bela Vista era um parque que podia estar em uma cidade qualquer. No primeiro ano no Parque Tejo, o que aprendemos foi como as pessoas se movimentam. Estamos a aumentar o espaço, mais 25 mil metros quadrados, não só para poder ter mais público, mas para aliviar determinados fluxos de circulação que percebemos que ficaram um pouquinho empacados na edição anterior, principalmente entre o Palco Mundo e o Music Valley. Tivemos também um desafio no primeiro fim de semana em 2024, com o funcionamento das casas de banho. Estamos a investir muito nisso também, mais 40 por cento de casas de banho espalhadas pelo recinto, com uma operação mais forte. Estamos a tentar resgatar os sensores e tudo que ajuda com o funcionamento, usando tecnologia para tornar a operação mais fluida. No segundo fim de semana, já com a operação humana, já melhorou, mas no primeiro dia não foi uma boa experiência. O outro desafio que tivemos nesta localização foi a logística externa de mobilidade, porque houve alguma descrença dos próprios parceiros responsáveis de que o público iria aderir ao shuttle. Seria necessário fazer alguns bloqueios de rua, por exemplo, e não acharam que ia ser necessário. Provou-se que é necessário. Conseguimos melhorar à medida que os dias foram passando. O segundo dia já foi melhor que o primeiro, e o segundo fim de semana fluiu muito melhor. Mas deixou ali alguns impactos de estacionamento descontrolado nas ruas, o que depois impedia que o shuttle conseguisse sair na velocidade prevista. E isso tudo já está a ser ajustado para que a operação este ano seja muito suave. A primeira edição num local é sempre um desafio, e acho até que foi muito bom para primeira. Nesta edição, o espaço vai estar pronto para ter 100 mil pessoas, se for o caso. Não estamos a contar chegar já a essa marca, mas estamos a criar infraestruturas e a planear para ir nessa direção, de trazer ainda mais impacto económico para a cidade. Então, para fortalecer essa história que temos vindo a construir, conseguir trazer mais mercado internacional sem abrir mão do público português, porque isso é essencial, vai fortalecer economicamente as possibilidades do festival. Isto permite trazer patrocinadores globais, como este ano já temos a Coca-Cola.
Por fim, na onda deste mural dos sonhos, qual é o sonho da Roberta?
Ah, eu tenho vários. Mas acho que o que desejo é que as pessoas consigam ser mais responsáveis e comprometidas com o todo. Não é só eu compreender-te, mas também me responsabilizar para que esteja bem. Que se atue no mundo entendendo o impacto que se tem e construindo para que seja um bom impacto. Se estivermos mais atentos ao nosso papel no nosso ecossistema, por menor que ele seja, vamos construindo coletivamente. Por isso, desejo que sejamos mais unidos. E muitos sorrisos. Muitos sorrisos sempre. Eu acho que sorrisos fazem o mundo ficar melhor, não é?


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