Música

Rock in Rio: Black Eyed Peas fizeram a festa e mostraram do que (ainda) são feitos

A NiT assistiu ao concerto no Parque da Bela Vista. O alinhamento focou-se nos grandes hits, tanto clássicos como recentes.
O grupo atua agora com a cantora J. Rey.

No segundo dia de Rock in Rio Lisboa, este domingo, 19 de junho, Ivete Sangalo atraiu uma enorme multidão ao Palco Mundo (que a artista brasileira tão bem conhece) e fez a festa. Ellie Goulding acabou por dissipar grande parte do público com um concerto morno e contido — e a celebração só voltou à séria quando apareceram os cabeças de cartaz Black Eyed Peas.

O trio de Will.i.am, Apl.de.ap e Taboo — cuja carreira começou nos anos 90 — é agora acompanhado por J. Rey, que canta em palco algumas partes de Fergie, que saiu do grupo há cerca de cinco anos, quando os Black Eyed Peas iniciaram uma nova fase no seu percurso.

Os Black Eyed Peas tornaram-se imensamente populares no início dos anos 2000, sobretudo depois do álbum “Monkey Business”, de 2005. Nos cinco anos que se seguiram essa tendência acentuou-se e o grupo chegou aos píncaros da música pop — os seus hits tocavam constantemente nas rádios e discotecas, e venderam milhões de discos em todo o mundo. Seguiu-se um hiato que interrompeu esta trajetória ascendente, enquanto inúmeros outros artistas ascendiam ao topo e a indústria passava por transformações significativas.

Pouco tempo depois do regresso, Fergie abandonou a banda e Will.i.am, Apl.de.ap e Taboo — também embalados pela conturbada atualidade política e social americana — foram recuperar as suas raízes ativistas do hip hop para construir um disco de rap sério e consistente, longe das sonoridades pop e eletrónicas que haviam adotado entretanto. Contudo, ao vivo sempre preferiram fazer a festa com os hits e nunca deram grande ênfase ao tal disco editado em 2018, “Masters of the Sun Vol. 1”.

Dois anos depois, voltaram à missão de criar singles mais orelhudos com o álbum “Translation” — onde se juntaram a muitos dos nomes do momento para conceberem temas que explodiram nos clubes, nas plataformas digitais e nas rádios. Falamos de faixas como “Mamacita” (com Ozuna), “Ritmo (Bad Boys for Life)” (com J Balvin) ou “Girl Like Me” (com Shakira).

Foram estes temas que os Black Eyed Peas vieram apresentar ao Rock in Rio Lisboa — além de canções já clássicas como “Pump It”, “Where is the Love” ou “Let’s Get It Started”, e músicas da fase mais eletrónica como “Boom Boom Pow”, “I’ve Got a Feeling” e “The Time (Dirty Bit)”. “Scream & Shout” ou “This Love”, temas a solo de Will.i.am, e o recém-nascido single “Don’t You Worry”, também não faltaram no alinhamento.

Em palco, o quarteto de vocalistas foi acompanhado por um baterista que solidificou a percussão dos temas — enquanto os beats eram disparados a alto e bom som. A máquina está bem oleada e “Pump It”, tocado com guitarra em vez de samples, foi um dos momentos mais altos e eufóricos do espetáculo. A eficácia dos efeitos de voz e a sintonia entre os rappers também foram outro dos pontos fortes.

Os Black Eyed Peas pareciam genuinamente animados por serem recebidos pela uma enorme multidão que estava no Parque da Bela Vista a vibrar com a sua música. Os hits radiofónicos mais recentes são uma receita fácil para desencadear o efeito desejável, claro, mas a festa foi ainda mais agitada quando apelaram à nostalgia do início dos anos 2000. 

De todos, Will.i.am sempre foi aquele que mais se destacou, tanto no estúdio como no palco — apesar de todos serem ótimos entertainers. O rapper e produtor do grupo improvisou rimas, agradeceu inúmeras vezes a Lisboa e a Portugal, transmitiu parte da atuação em direto no seu Instagram e durante “Scream & Shout” percorreu toda a língua do palco, desceu ao corredor e foi o mais longe possível entre a multidão no Parque da Bela Vista. 

Os Black Eyed Peas proporcionaram uma enorme festa e provaram porque, embora já não sejam um dos grupos mais refrescantes ou na berra, continuam a ser relevantes e a atrair milhares e milhares de pessoas. Fizeram história e continuam a fazê-la — sem grandes pretensiosismos, com uma mensagem positiva e uma celebração genuinamente bonita.

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