Música

Rock no Rio Febras regressa em julho e conta com os britânicos The Subways no cartaz

O pequeno festival mudou de nome, mas mantém o cariz solidário. Continua gratuito e vai contar também com bandas nacionais.
É um fenómeno.

Na primeira edição do Rock no Rio Febras, realizada em julho de 2022, o recinto contou com a presença de cerca de 1500 pessoas ao longo de todo o dia. Os organizadores do pequeno festival preparavam a edição de 2023 quando foram ameaçados pelos advogados do Rock in Rio Lisboa a mudarem de nome — na altura, foi batizado de Rock in Rio Febras.

Os responsáveis responderam à ameaça legal num tom ligeiro e bem-humorado que se tornou viral nas redes sociais. Naturalmente, o interesse pelo evento cresceu exponencialmente. O resultado? Tornou-se um dos eventos mais falados do verão passado e, em 2024, está de regresso.

A próxima edição do Rock no Rio Febras está marcada para 27 de julho, em Briteiros São Salvador, concelho de Guimarães, e contará com a atuação da banda britânica The Subways. O cartaz deste ano promete inclui também várias bandas portuguesas a anunciar.

“Após árduas negociações (e de conseguirmos encontrar alguém que fale inglês), temos o enorme prazer de anunciar que os The Subways associaram-se à causa e vão atuar pela primeira vez em Portugal, em concerto exclusivo no Febras!”, anuncia a organização do festival.

À semelhança das edições anteriores, o evento mantém o cariz solidário. A entrada é gratuita e todas as receitas revertem para a Casa do Povo de Briteiros – Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), que organiza o evento.

“Esperamos este ano proporcionar as condições para acolher muitos daqueles que não pudemos receber no ano passado, e redimirmo-nos em grande. O conceito do festival vai manter-se, dando oportunidade a todos de conhecer boa música – local e não só”, acrescentam. Em 2023, passaram pelo recinto cerca de cinco mil pessoas.

A ameaça que deu origem ao fenómeno

Numa publicação a 2 de julho, a organização revelou que foi contactada por advogados, em representação da Rock World Lisboa — entidade que organiza o Rock in Rio Lisboa —, e que foi “veementemente sugerido” que o nome fosse alterado. “[A empresa] teme a confusão que a semelhança entre a designação dos dois eventos pode provocar no cidadão incauto”, revelam.

“Acusam-nos ainda de ‘concorrência desleal’ (não é piada). Desta forma, foi-nos veementemente sugerido que alterássemos o nome do festival, sob pena de sermos alvo de ação legal”, notam. Novamente em tom de brincadeira, os fundadores do Rock in Rio Febras pedem desculpa “a todos os que possam ter ficado baralhados”, isto “apesar da óbvia diferença entre os dois eventos”.

E acrescentam: “Um tem uma alegria contagiante, uma parte solidária, e as melhores bandas e DJ do mundo; o outro acontece em Lisboa. Se por acaso cobrássemos bilhete, certamente nos disponibilizaríamos para devolver a quantia paga.”

Assumidamente imbuídos pelo “espírito de ‘queremos lá saber do nome’”, os organizadores decidiram “aceder ao pedido” que foi “vigorosamente feito”. “Assim, vimos anunciar que o festival de Rock que se realiza nas margens do Rio Febras será, de hoje em diante, denominado ‘Rock no Rio Febras’. Ou talvez ‘Rock near (but not in) Rio Febras’. Quiçá ‘Rock around Rio Febras’. Ainda há alguma indecisão, mas asseguramos o nosso público de que estamos a trabalhar no assunto com a seriedade que o momento exige.”

O tom bem-humorado com que os responsáveis responderam à ameaça legal tornou-se viral nas redes sociais. Naturalmente, o interesse pelo evento cresceu exponencialmente. O Rock in Rio caiu e ficou a ser conhecido por Festival de Rock Que Acontece Perto do Rio Febras. O que se perdeu no nome, ganhou-se na fama. O incidente tornou a pequena festa da freguesia de Briteiros S. Salvador, no concelho de Guimarães, nacionalmente conhecida — e os pretendentes aumentaram exponencialmente.

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