Foi uma ameaça legal do gigante Rock in Rio que tornou o pequeno Rock no Rio Febras num dos festivais mais conhecidos em Portugal. Este sábado, 30 de maio, foi anunciado o cartaz completo da nova edição, com artistas que se juntam aos previamente revelados Clã e Wolfmother. Este ano, o evento decorre entre 24 e 25 de julho.
Na sexta-feira, a partir das 18 horas, o palco da Quinta da Ponte, em Briteiros, no concelho de Guimarães, recebe espetáculos dos The Last Internationale e Them Flying Monkeys. A banda local This Penguin Can Fly também vai atuar nesse dia. No sábado, a música começa pelas 16 horas. Pode contar com apresentações de Blind Zero, Dapunksportif, The Twist Connection, Noise At Valve e Correr Andar.
“Já são cinco anos a dar um festival de rock comunitário, que cresce de ano para ano, sem esquecer as suas raízes. E sempre com o mesmo objetivo: angariar fundos para as valências sociais da Casa do Povo de Briteiros”, diz a organização.
Embora a entrada seja gratuita, foram disponibilizados vários kits para quem quer passar pela enorme festa em julho. Os preços destas opções — que incluem um saco, uma T-shirt, um copo e 50 por cento de desconto n’Aminha Óptica — variam entre os 10€ (para miúdos) e 15€ (para os adultos).
A ameaça que deu origem ao fenómeno
O festival, que se chamava originalmente Rock in Rio Febras, tornou-se viral em 2023, após a organização ter revelado que foi contactada por advogados, em representação da Rock World Lisboa — entidade que organiza o Rock in Rio Lisboa.
Nessa altura, foi “veementemente sugerido” que o nome fosse alterado. “[A empresa] teme a confusão que a semelhança entre a designação dos dois eventos pode provocar no cidadão incauto”, revelaram os organizadores.
“Acusam-nos ainda de ‘concorrência desleal’ (não é piada). Desta forma, foi-nos veementemente sugerido que alterássemos o nome do festival, sob pena de sermos alvo de ação legal”, notaram, na altura. Novamente em tom de brincadeira, os fundadores do Rock in Rio Febras pediram desculpa “a todos os que possam ter ficado baralhados”, isto “apesar da óbvia diferença entre os dois eventos”.
E acrescentaram: “Um tem uma alegria contagiante, uma parte solidária, e as melhores bandas e DJ do mundo; o outro acontece em Lisboa. Se por acaso cobrássemos bilhete, certamente nos disponibilizaríamos para devolver a quantia paga.”
Assumidamente imbuídos pelo “espírito de ‘queremos lá saber do nome’”, os organizadores decidiram “aceder ao pedido” que foi “vigorosamente feito”.
“Assim, vimos anunciar que o festival de Rock que se realiza nas margens do Rio Febras será, de hoje em diante, denominado ‘Rock no Rio Febras’. Ou talvez ‘Rock near (but not in) Rio Febras’. Quiçá ‘Rock around Rio Febras’. Ainda há alguma indecisão, mas asseguramos o nosso público de que estamos a trabalhar no assunto com a seriedade que o momento exige.”
O humor com que os responsáveis responderam à ameaça legal tornou-se viral nas redes sociais. Naturalmente, o interesse pelo evento cresceu exponencialmente. O Rock in Rio caiu e passou a ter o nome oficial de Festival de Rock Que Acontece Perto do Rio Febras. Porém, toda a gente continua a referir-se ao evento pela sua denominação original.
Seja como for, o que se perdeu no nome, ganhou-se na fama. O incidente tornou a pequena festa da freguesia de Briteiros S. Salvador conhecida em todo o País — e os pretendentes aumentaram exponencialmente.
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