Música

Diogo Piçarra: “O que se segue à Altice Arena? Talvez um estádio”

A NiT falou com o cantor antes dos concertos marcantes em Lisboa e Guimarães. Também se mantém como um dos mentores em “The Voice”.
Diogo Piçarra tem 31 anos.

Ao longo da última década, desde que conquistou a edição de 2012 de “Ídolos”, que Diogo Piçarra se afirmou como um dos maiores nomes da música pop nacional. Há três anos, em setembro de 2019, anunciou o seu primeiro concerto na maior sala de espetáculos do País, a Altice Arena, em Lisboa — ia acontecer em março de 2020.

A pandemia, claro, alterou bastante os planos do músico. Esse concerto, que está completamente esgotado há muito tempo, só vai acontecer na próxima semana, a 1 de outubro. Depois, Diogo Piçarra ruma a norte para um espetáculo que se prevê que seja igualmente marcante, quando tocar a 8 de outubro no Pavilhão Multiusos de Guimarães.

Em Lisboa, a primeira parte fica a cargo de Ivandro. Os convidados especiais são Bispo, Carolina Deslandes e o argentino Antonio José. Em Guimarães, Bispo também o acompanha, além de Anselmo Ralph. Será o culminar da tour de apresentação do álbum “South Side Boy” e, como o próprio músico assume, o encerramento de um ciclo. 

Este domingo, 25 de setembro, estreia mais uma temporada de “The Voice Portugal” com Diogo Piçarra numa das cadeiras dos mentores. Tudo isto foi pretexto para uma conversa da NiT com o músico português de 31 anos. Leia a entrevista.

Tendo em conta os atrasos motivados pela pandemia, serão estes os concertos mais aguardados da sua carreira?
Claro, sem dúvida. A Altice Arena, que já foi anunciada há três anos, em setembro de 2019, tem sido assim uma ansiedade enorme… Acima de tudo a pandemia não nos deixou fazer o concerto quando era altura de o fazer. Porque era suposto ser a apresentação de um disco. Mas de repente parece que as coisas até fizeram sentido, porque ficou quase o encerrar de um ciclo depois de dois ou três anos deste disco, o “South Side Boy” — o meu terceiro —, e depois de uma tournée de verão acabar com concertos desta dimensão é quase uma cereja no topo do bolo. Ao contrário do que estava previsto, que seria o início de um ciclo. Depois de todo o mal, porque a pandemia não foi uma coisa boa, até fez sentido.

Vai ter vários convidados especiais nos dois concertos, um reflexo dos duetos marcantes que tem feito nos últimos anos. Como foi definir os convidados para cada data?
É uma boa pergunta, a questão de se escolher os convidados para uma data tão importante. Às vezes faço a escolha quase que baseada no facto de que se já fiz ou não vários duetos com essa pessoa, e principalmente a [Carolina] Deslandes, e o António José, foram raras as vezes em que cantámos a nossa música juntos, “Anjos” e “A Dónde Vas”, respetivamente. O Bispo fazia todo o sentido porque foi uma música marcante durante a pandemia, a “Monarquia”. Foi uma música que mudou o meu rumo, foi quase uma luz ao fundo do túnel no meio da pandemia, numa altura pouco inspiradora e até bastante sombria da minha vida e da de toda a gente. A “Monarquia” veio dar-me alento e por isso fazia todo o sentido, até porque marcou este último ano e meio da minha vida. Claro que se tivesse três ou quatro horas naquele palco, podia ter toda a gente, mas também não fazia sentido e, claro que cada um faz como quer, mas tento não encher o concerto de duetos e convidados porque também é uma coisa que demora muito tempo — as entradas e saídas — e o concerto perde a dinâmica e o público. Tento sempre que seja dinâmico, com poucas paragens, há sempre música a dar, e isso também faz a diferença.

Canta a solo, mas trabalha com muita gente tanto em estúdio como no palco, com os seus músicos. Fazer colaborações deste género com outros vocalistas é algo que lhe agrada especialmente?
Sem dúvida. Até porque, às vezes, quando estou a compor com o artista ou o produtor, a colaboração não é um objetivo. Mas às vezes a música, a produção ou nesse dia estamos tão inspirados que às vezes acontece e a voz da maquete ou a composição fica lá e de repente surge um dueto inesperado. Isso aconteceu com o Bispo, e com muita gente, em que mostrei a ideia ou a maquete, era só para mostrar, e de repente as pessoas quiseram participar. 

Acima de tudo é uma consequência, não um objetivo.
Exatamente. Claro que há duetos que foram pensados e até planeados como o da Carolina Deslandes porque quando escrevi a “Anjos” imaginava mesmo a voz dela naquela música e então convidei-a para estar no estúdio comigo e terminámos a música muito rapidamente. No caso da Carolina era mesmo um objetivo trabalhar com ela pela primeira vez.

Referiu que estes concertos simbolizam a cereja no topo do bolo. O que é que se segue?
O que se segue a uma Altice Arena? Essa é a minha pergunta nos últimos três anos. E por isso é que nunca quis, ou pelo menos não queria fazer, a Altice Arena tão cedo. Não é que seja cedo, mas na minha perspetiva é um concerto de consagração de carreira, e acho que ainda sou tão novo, tenho tanto para mostrar e muitos discos para fazer. Mas claro que não queria perder essa oportunidade de estar num bom momento de carreira e fazer a Altice Arena. Mas na minha cabeça, na minha perspetiva, a Altice Arena seria para celebrar os 20 ou os 25 anos de carreira. Dá-me ainda mais responsabilidade e fico sem resposta quando penso no que fazer a seguir. Mas é claro que não vai faltar música, não vão faltar discos. Só que fica sempre no ar o que se seguirá, porque é o maior palco do País. Fica mais outra Altice Arena ou um estádio, se calhar o próximo objetivo é um estádio [risos].

Está ansioso em relação a estes espectáculos?
Ainda não. Começo a ficar mais ansioso um dia antes, ou no próprio dia, mas quando está tudo pronto, bem ensaiado, e estamos a preparar tudo ao pormenor, depois é só chegar à Altice Arena e implementar tudo o que ensaiámos aqui. O que sinto é mais ansiedade para que comece do que medo e nervos. Isso é raro acontecer — só quando não estou preparado.

Para terminar, uma pergunta dupla sobre televisão: como tem sido gravar a nova temporada de “The Voice Portugal” com novos colegas mentores; e como foi ser um dos Lords da Mocada na série “Pôr do Sol”, também na RTP?
O “The Voice” começa já este domingo e conta com a novidade do Dino D’Santiago e da Carolina Deslandes. Acho que eles encaixaram como uma luva no formato, que é familiar e bastante solidário e sensível à história das pessoas. E eles têm isso neles, essa personalidade. São sensíveis, dão um abraço quando tem de se dar um abraço, tem de se dar uma palavra de apoio e eles estão sempre lá. E sinto que está ali um bom leque de jurados que encaixa. Também já nos conhecíamos e não foi difícil. Por isso, fico feliz de terem sido eles os convidados e de eu também ter sido convidado para mais uma edição, espero que fique por muitas mais. Adoro o programa, já era fã e agora ainda sou mais na fila da frente a assistir a todos estes talentos. Quanto aos Lords da Mocada, foi uma surpresa. O convite para a primeira temporada de fazer uma sátira do que seria quase uma battle entre duas bandas pouco comuns… Dois cantores pop a fazerem de cantores metal ou pelo menos mais duros. Eu e o Fernando [Daniel] adorámos a experiência porque pudemos sair da nossa pele e fazer coisas parvas. A série é gira porque não tem regras e é toda ela uma sátira a tudo o que se faz na televisão, no entretenimento. Fiquei tão feliz de ter sido convidado para a segunda temporada e ter mais falas e interações — até a própria Marisa Liz fez uma cena connosco. E tudo isso foi quase de improviso. Vale não só pela experiência como ator, mas por toda a diversão que tivemos durante o dia das gravações.

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