Música

Sara Cruz: “Vencer o New Talent permitiu-me criar um estúdio e ganhar liberdade”

A artista açoriana de 26 anos foi a vencedora do concurso de 2019 e explica como o prémio ajudou a impulsionar a carreira.
Sara Cruz venceu o NiT New Talent em 2019

Criou um estúdio profissional de música em casa e dedicou todo o seu tempo durante a pandemia a usá-lo para compôr a mais recente música, “Sunday Riddles”,  em Ponta Delgada. Dois anos depois, mudou-se para Lisboa e continua a perseguir o sonho. O estúdio veio consigo. Este pulo para o continente deve-se a duas coisas: o seu talento, claro; e ao material que pôde comprar com o prémio de dez mil euros que recebeu ao vencer a edição de 2019 do concurso New Talent, promovido pela NiT,  pela TVI e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Sara foi a mais votada de um conjunto de dez finalistas e conta agora à NiT como a sua vida mudou radicalmente graças ao concurso que se prepara para nomear outro vencedor em 2021.

Aos 26 anos, a artista açoriana confessa que a conquista do primeiro lugar chegou na altura perfeita, precisamente durante os confinamentos, quando a sua carreira — e a da maioria dos músicos — teve que ficar em stand-by por causa do cancelamento de espetáculos e eventos.

Agora é a vez de outros dez talentos concorrerem pelo prémio que será entregue a um de uma dezena de jovens que se têm destacado nas diferentes áreas do lifestyle, da música à fotografia, do cinema ao design. Pode conhecê-los já, no site New Talent, e depois aguardar pelo arranque das votações, marcado para 3 de dezembro.

Passaram quase dois anos desde que venceu o concurso. De que forma é que ele o ajudou a mudar a sua vida?
Investi tudo em material de estúdio, para criar um home studio em casa. Comprei um interface, um computador, colunas, microfones. Foi algo que me deu muito jeito porque ganhei muita liberdade com isso.

De forma criar o seu espaço alterou o seu processo criativo?
Quando queria gravar alguma coisa tinha que alugar estúdios ao dia e tinha de ir para lá com as ideias um bocadinho fixas relativamente ao que queria. Agora isso já não acontece, porque tenho a oportunidade de gravar tudo por mim, de explorar as várias formas até ter um produto que já esteja mais próximo do final. Dá-me margem para experimentar muito mais coisas.

Qual é o resultado visível de tudo isso?
O meu último single que saiu em junho, chamado “Sunday Riddles”. Mais de metade foi gravado no meu estúdio, guitarras acústicas, vozes, coros, o baixo. Outra parte foi gravada em Lisboa que é onde trabalha o meu produtor, o Luar. Adicionou alguns instrumentos, mas a maioria do trabalho foi feita no meu estúdio. Ficou como se tivesse sido gravada noutro estúdio e isso deixa-me muito feliz.

Ter um estúdio sempre à mão ajudou durante a pandemia?
Ajudou muito. A minha mãe até me dizia — o prémio veio no momento certo. Ganhei o New Talent em dezembro de 2019 e consegui ter o estúdio pronto no final do verão. E ainda construí uma cabine insonorizada para gravar vozes. Ficou tudo funcional numa altura em que não havia festivais, eventos, bares abertos, e o meu trabalho estava muito reduzido. Acabei por passar mais ainda mais tempo no estúdio do que passaria se as coisas estivessem normais.

A ideia agora passa por lançar um EP, um disco…
Estou a tentar perceber qual será o molde do meu próximo trabalho, se vai ser um EP ou um álbum. Neste momento estou a viver em Lisboa, trouxe o meu material — isso é uma coisa muito fixe, porque o estúdio é portátil. Tenho colaborado com amigos, conhecidos e pessoas talentosas. Tenho algumas coisas em vista e quero mesmo lançar uma colaboração com as pessoas que tenho conhecido aqui. Têm sido tempos interessantes para mim porque estou num meio muito rico nesse aspeto.

Que conselho daria aos novos finalistas e ao vencedor, sobre a forma como devem investir o dinheiro do prémio?
Acima de tudo, e falo por mim, o melhor passa por investir em algo que nos seja útil todos os dias e a longo prazo. O estúdio é algo que uso todos os dias e que vou continuar a usar enquanto trabalhar como música, que espero que seja para sempre. Não podia ter investido o prémio de melhor forma. Deve ser sempre usado a pensar no futuro.

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