Chegaram com quase 10 minutos de atraso, mas bastaram poucos segundos para provar por que continuam a ser uma das bandas mais explosivas do punk. Os Skunk Anansie subiram ao palco principal do NOS Alive esta sexta-feira, 10 de julho, perante um recinto já mais composto do que em qualquer momento da noite anterior, e levaram o Passeio Marítimo de Algés numa viagem no tempo. Temos a sensação de que a vocalista Deborah Dyer, conhecida como Skin, não mudou nem envelheceu um segundo desde os anos 90. A voz e a energia continuam exatamente iguais.
O concerto arrancou com “This Means War”, enquanto a vocalista atravessava o palco aos saltos, fiel à intensidade que a tornou uma das figuras mais carismáticas do cenário musical das últimas décadas. Vestia uma T-shirt onde se destacava uma suástica riscada com uma cruz, uma imagem que antecipava a forte mensagem política que marcaria vários momentos da atuação.
Sem perder tempo, dirigiu-se ao público. “Estão prontos, caraças?”, perguntou antes de seguir para “Charlie Big Potato”. A resposta chegou em forma de aplausos e de um coro que acompanhou praticamente todos os temas.
“Because of You” agarrou o público. “Obrigado. Este é um alinhamento fantástico, não é?”, disse, referindo-se ao cartaz do festival, antes de lançar uma provocação bem ao seu estilo: “Seus sortudos de merda.”
Depois de “An Artist Is An Artist”, o ambiente mudou de tom. Skin fez um discurso político sobre a perseguição e discriminação de vários grupos, desde as pessoas transgénero e gays às mulheres e negros, por parte dos cristão extremistas. “Escrevemos esta canção porque vimos uma divisão”, explicou antes de interpretar “God Loves Only You”, um dos momentos mais marcantes da noite.
A intensidade deu lugar a um momento mais emotivo com “Hedonism”, acompanhada em uníssono por milhares de vozes. Foi mesmo um dos momentos mais especiais do concerto, ao provocar uma onda de nostalgia no público. Pouco depois, durante “Weak”, Skin voltou a fazer aquilo que já se tornou uma das suas imagens de marca: desceu do palco para cantar no meio da plateia, rodeada pelos fãs da primeira fila.
A proximidade repetiu-se mais tarde em “I Can Dream”, voltando a abandonar o palco para ficar junto da plateia. Pelo meio, em “Twisted”, desafiou todos os presentes a saltarem ao mesmo tempo — e o recinto respondeu sem hesitações.
O concerto terminou com “Tear the Place Up”, num final explosivo que deixou o público a pedir mais e “Little Baby Swastikkka”, encerrando uma atuação intensa do princípio ao fim. “Foi uma experiência fantástica”, disse Skin antes da despedida. “Amo-vos.”
Conheça o alinhamento do espetáculo
— “This Means War”
— “Charlie Big Potato”
— “Because Of You”
— “An Artist Is An Artist”
— “God Loves Only You”
— “Hedonism (Just Because You Feel Good)”
— “Weak”
— “Twisted”
— “I Can Dream”
— “Tear The Place Up”
— “Little Baby Swastikkka”
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