Música

Sol da Caparica cancela espetáculo do DJ CelesteMariposa após pena de prisão

A organização do festival emitiu um comunicado onde explica o motivo da decisão e anuncia um DJ substituto.
CelesteMariposa é DJ.

O festival Sol da Caparica cancelou o espetáculo do DJ CelesteMariposa, agendado para o dia 15 de agosto. O DJ foi condenado a dois anos e meio de prisão, em regime de pena suspensa, por agressão a uma mulher com quem vivia.

“O Sol da Caparica, tendo tomado conhecimento da condenação do DJ Wilson Vilares, por violência doméstica, vem comunicar o cancelamento do espetáculo de Celeste Mariposa, agendado para o dia 15 de agosto. O Festival pretende sublinhar, nas próximas três edições, a necessidade de construir uma sociedade mais inclusiva e respeitadora das minorias e das mulheres. Sendo Portugal um Estado de Direito, o artista poderá, em sede própria, defender-se e, se for o caso, provar a sua inocência”, anunciou a organização do festival na Margem Sul.

CelesteMariposa será substituído por Sérgio Onze, o DJ vencedor do concurso SAGRES — Prémios Play. A organização terminou o comunicado com um desejo para todas as mulheres: “desejamos um futuro sem agressões físicas ou psicológicas”.

A vítima é uma mulher brasileira, que vive em Portugal há cinco anos e foi agente do DJ, com quem, a dada altura, iniciou uma relação amorosa. Os relatos da acusação revelam que o agressor começou a exibir alguns sinais de violência quando começaram a viver juntos. “Gritos, agressões verbais, desrespeitos, tudo isso virou rotina”, explica. Atualmente, a mulher tem sempre consigo um botão de pânico, caso o artista se volte a aproximar de si, vivendo sob um estado total de tensão.

O DJ foi condenado, mas pagou uma fiança que lhe permite cumprir a pena em regime aberto, levando a que a vítima se encontre sob proteção policial. A mulher acredita que se não fossem as gravações, a sentença teria sido favorável ao agressor, como geralmente acontece em casos de violência doméstica. “A Justiça portuguesa é machista e praticamente ignora as agressões sofridas por mulheres estrangeiras”, afirma.

Vilares começou a sua carreira musical no techno e “acid house”, tendo mais recentemente apostado na música da “diáspora” de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Dedica-se a promover a música da África lusófona por todo o mundo. Através da sua editora — a Celeste Mariposa Discos — o artista dá a conhecer talentos africanos que, por várias razões, enfrentam dificuldades para ingressar na indústria musical. 

 
 
 
 
 
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