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Spotify lança urna funerária que toca a playlist favorita do morto

A urna tem um design minimalista, inclui cabo de carregamento USB-C e pode ser colocada em casa ou num columbário.

Quando pensamos que já está tudo inventado, há sempre forma de sermos surpreendidos com o lançamento de um produto que nunca imaginámos. Falamos de uma urna funerária que, além do seu papel habitual, serve também como coluna que passa as músicas favoritas da pessoa falecida. O conceito parte de uma premissa simples: a vida precisa de música e, pelos vistos, o pós-vida também.

Por detrás da ideia está o Spotify, que decidiu juntar-se à marca norte-americana Liquid Death, empresa de água enlatada, para lançar a “Eternal Playlist Urn”. A urna funerária tem um altifalante bluetooth integrado na tampa, capaz de reproduzir uma playlist personalizada.

O lançamento aconteceu a 24 de fevereiro, com uma edição limitada de 150 unidades, apenas nos Estados Unidos da América. Cada uma custava 495 dólares (cerca de 420 euros) e o stock esgotou em poucos dias, segundo o “Hollywood Reporter”.

Com um design discreto e linhas simples, a urna foi pensada para se integrar facilmente numa casa ou num columbário. Na tampa tem um altifalante integrado. Inclui ainda um cabo USB-C para carregar a bateria.

A parte digital faz-se através do telemóvel. Ao entrar no Eternal Playlist Generator, dentro da app do Spotify, o utilizador responde a algumas perguntas rápidas (como qual seria a sua “vibe eterna” ou que música melhor o representa) e o sistema cruza essas respostas com o histórico de audição da conta. O resultado é uma playlist personalizada.

Essa lista pode ser partilhada com amigos e familiares e reproduzida diretamente na urna através de bluetooth. Na prática, funciona como uma coluna sem fios incorporada num objeto funerário.

A campanha promocional de lançamento aposta num humor assumidamente macabro. A marca brinca com a ideia de que manter os mortos “felizes” pode evitar assombrações e sugere, com humor negro, que a música é essencial até depois da morte. A urna é apresentada como “a primeira do mundo com coluna sem fios”, como se pode ver no anúncio da plataforma de streaming.

A urna musical encaixa no tipo de ações provocadoras pelas quais a Liquid Death se tornou conhecida. A marca já vendeu enemas em edição limitada com Travis Barker, numa referência ao álbum “Enema of the State” dos Blink-182. Já lançou latas de chá de 450 dólares alegadamente com vestígios de ADN de Ozzy Osbourne e comercializou skates pintados com tinta misturada com uma pequena quantidade de sangue de Tony Hawk. A colaboração com o Spotify segue essa mesma lógica irreverente.

Do lado do Spotify, a iniciativa encaixa numa estratégia mais ampla de diversificação de produtos e experiências ligadas à música. A marca descreve a urna como um “item de colecionador” para fãs que querem eternizar a sua relação com as suas canções favoritas.

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