Música

Stromae deu um dos melhores espetáculos da noite no NOS Alive

O belga estreou-se em Portugal e apresentou o novo álbum, com uma performance tão visual quanto sonora.
Stromae.

Um dos momentos mais esperados no NOS Alive deste ano era o concerto de Stromae, que se estreou em Portugal nesta quarta-feira, 7 de julho — tantos anos depois de ter iniciado o seu percurso. Depois do rock n’ roll de The War On Drugs e The Strokes — que, de alguma forma, espelham o passado (lamento) —, chegou a altura do artista sem geografias nem géneros definidos que é o cantor e produtor belga. Alguém que respira vanguarda.

Influenciado pela tradição francófona (a mãe é belga) e pela riquíssima música africana (o pai é ruandês), além de sonoridades da América do Sul e de géneros ocidentais como o rap e a eurodance, Stromae é um poço criativo onde várias estéticas se fundem através da tecnologia para darem origem a algo singular. Porque é isso que este músico é.

Acompanhado por uma banda de quatro elementos, Stromae foi um frontman aparentemente tímido que ainda assim não deixou nada por cumprir. Dançou enquanto cantava, usou adereços como um sofá ou um púlpito em diversos momentos da performance.

Além de sonoro, o espetáculo foi bastante visual. Cinco painéis recheados de luzes foram colocados especificamente para a atuação de Stromae, tornando a experiência mais imersiva, enquanto no fundo havia imagens que iam adornando o concerto.

Numa quarta-feira já bem tarde, como seria de esperar, várias pessoas abandonaram o Passeio Marítimo de Algés após o final de The Strokes. Mas muitas outras ficaram para ver Stromae — e essas que ficaram, sobretudo nas filas da frente, vibraram como ainda não se tinha visto este ano no Palco NOS.

Stromae foi simpático, humilde e generoso, falando em francês, inglês e até português nalguns momentos. Pediu ao público para o ir acompanhando ao longo dos temas, batendo palmas ou dançando desta ou daquela forma. O alinhamento passou sobretudo pelo seu mais recente álbum, “Multitude”, editado este ano, do qual se destacaram canções como “Santé”, “Fils de Joie” ou “L’Enfer”.

Os grandes momentos de êxtase, contudo, aconteceram com as mais célebres “Papaoutai” e “Alors On Danse”, antes de um final apoteótico em que o artista se juntou aos músicos que o acompanhavam para uma versão especial acapella de “Mon Amour”. “Formidable” também foi muito bem recebida.

Stromae é um artista pós-globalização, contexto em que a fusão de estilos é cada vez mais natural e pode gerar sonoridades e visões artísticas diferentes e interessantíssimas. E provou também aos mais céticos que a música eletrónica pode ter muitas cores, mundos e uma enorme substância e conteúdo. Se for numa língua que não o dominante inglês — apesar de estarmos numa altura em que a cultura anglo-saxónica começa a perder o poder que tinha — ainda melhor. Um símbolo de uma mudança cultural irreversível.

Carregue na galeria para ver mais imagens do concerto.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT