Música

The Strokes deram um bom concerto (mas o vocalista não se conseguiu conter)

Julian Casablancas voltou a protagonizar uma atuação constrangedora, desta vez no NOS Alive.
The Strokes.

Na última vez que Julian Casablancas tinha atuado em Portugal, um desastre acontecera. No Super Bock Super Rock de 2018, o músico e os seus The Voidz atuaram para uma Altice Arena praticamente vazia, que estava com um som incompreensivelmente alto e estridente — talvez até prejudicial para a saúde. Se o festival já se encontrava bastante despovoado nesse dia — tanto que a organização até decidiu que todos aqueles que tinham um bilhete podiam trazer um amigo de borla — a performance de Casablancas foi o cúmulo do falhanço.

Posto isto, a fasquia para o espetáculo dos The Strokes — a banda com que Casablancas se popularizou — no NOS Alive de 2022 estava baixa. Até porque as notícias vindas de alguns concertos recentes (em particular um em Copenhaga, na Dinamarca) não abonavam nada a favor da banda americana.

Num dia em que eram os principais cabeças de cartaz, a par de Stromae e dos compatriotas The War On Drugs, os The Strokes tinham uma responsabilidade significativa. “Desculpem, não somos os Queen”, disse Casablancas assim que entrou em palco, após uma música do grupo de Freddie Mercury e Brian May ter soado das colunas do festival durante o intervalo, que se prolongou durante mais 20 minutos do que o suposto. Logo após a primeira música, o vocalista deixou cair o microfone. “Desculpem, bêbado outra vez.”

Para bem do sucesso do primeiro dia de festival, os The Strokes deram um bom concerto no NOS Alive. As músicas enérgicas, muito baseadas nos alegres riffs de guitarra, serviram na perfeição para encantar o público em frente do Palco NOS. A banda vinha apresentar o seu disco mais recente, “The New Abnormal”, de 2020, mas sobretudo os principais êxitos da sua carreira, que já começou há mais de 20 anos.

Enquanto tocavam as músicas, os The Strokes foram bastante competentes — embora quem os tenha visto no seu auge talvez possa considerar que sejam um fantasma daquilo que já foram, ainda que nunca tenham sido considerados propriamente uma banda virtuosa a tocar ao vivo. Interpretaram canções como “What Ever Happened”, “You Only Live Once” ou “New York City Cops”.

Entre músicas, Julian Casablancas foi expondo o seu espírito rock n’ roll com tiradas imprevisíveis e por vezes constrangedoras, como é seu apanágio. “Estamos a tocar há 20 anos a mesma música”, “Podes começar a música, não tens de esperar pelas minhas merdas” ou “estou vestido um bocado à alt-right” foram algumas das frases da noite, entre outras que se perderam nos seus murmúrios e o som abafado do microfone. Sendo que também ficou visivelmente atrapalhado quando se viu a si próprio no ecrã gigante e chegou a abordar o que aconteceu em Copenhaga. 

“Não vou falar mais, meto-me em sarilhos. Não sei se vos disse, mas disse umas merdas em Copenhaga. Achei que era uma palavra dinamarquesa fofinha, não foi por mal. Disse que não ia falar e cá estou eu”, partilhou.

No final, já no encore, a voz também deu de si. “Perdi a minha voz esta manhã”, contextualizou, acrescentando depois que não sabe se está com uma constipação ou com alergias, mas que o está a afetar. “Até fiz um teste de Covid-19.”

O momento mais surpreendente, contudo, terá sido uma espécie de medley de Clairo — a cantora americana cancelou o seu concerto no NOS Alive, após não ter conseguido apanhar o voo com destino a Lisboa. Os The Strokes tocaram a sua música, colmatando a lacuna, a partir de uma brincadeira iniciada nos bastidores do festival.

No fundo, o espetáculo dos The Strokes foi eficaz — as suas canções geraram as reações esperadas junto do público — e também divertido. Consciente da sua postura, Julian Casablancas fez algum humor auto-referencial e agradeceu muito aos portugueses. “Adoramo-vos, tenham uma ótima noite”, despediu-se, sem tocar a esperada “Last Nite”.

Carregue na galeria para ver mais imagens do concerto.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT