Música

Xutos & Pontapés: “Dar concertos é um vício mais difícil de deixar do que o tabaco”

A NiT falou com a banda portuguesa pouco antes de subirem ao Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa.
A banda abriu o Palco Mundo do Rock in Rio.

Há mais de 40 anos que os Xutos & Pontapés estão no ativo e são uma das maiores bandas da história da música portuguesa. Além da cantora brasileira Ivete Sangalo, têm marcado presença em todas as edições do Rock in Rio Lisboa, desde 2004.

Este ano, regressaram ao Parque da Bela Vista para abrir o Palco Mundo, na tarde deste sábado, 18 de junho, depois de uma ausência de dois anos graças à pandemia. Os Xutos & Pontapés fizeram a festa com os seus temas mais icónicos, muitos deles autênticos hinos da cultura pop nacional.

Antes de subirem a palco, Tim, Gui e Cabeleira trocaram algumas (rápidas) palavras com a NiT nos bastidores do festival. Leia a entrevista.

Ao longo do vosso percurso já deram milhares de concertos. O que vos dá energia, vontade e estímulo para continuarem a tocar?
Tim: Acho que é o que dá vontade a todos os músicos e artistas. É uma grande emoção estar em cima de um palco, o trabalho que dá preparar as coisas e inventar as músicas e definir tudo, toda essa parte de imaginação que é preciso ter, para depois subirmos ao palco e recebermos os aplausos e a aprovação do público. É um vício muito mais difícil de largar do que o tabaco [risos].

Além de darem entrevistas, o que costumam fazer antes de subir a palco?
Tim: Vestir o traje e pouco mais [risos]. O ritual é alguns fazerem uns alongamentos.

Gui: Não digas nomes.

Cabeleira: E depois cumprimentamo-nos antes de entrarmos no palco. 

Tim: E desejamos um bom concerto, é uma espécie de saudação.

Neste momento, estão a trabalhar em novas músicas?
Tim: Estivemos até começarmos os ensaios para os concertos que vamos ter agora. Temos uma série de peças em andamento. Vamos ver se o verão não estraga tudo e se continuamos a trabalhar. Quando estiver pronto estará, mas já temos mais de sete ou oito peças prontas para arrancar.

À espera de um disco, é isso?
Tim: Exato.

Exploram algum conceito específico ou sonoridade nessas novas composições?
Tim: Não, não, as coisas ainda estão na fase de se mostrarem e aparecerem. Muitas delas não têm título, nem sequer letra. Portanto, estamos a trabalhar a base musical, vamos andando e logo veremos onde chegamos. Todos os discos são um desafio para cada um de nós, para tentarmos fazer diferente do que já fizemos, ou melhor, ou aproveitar a oportunidade para crescer um bocadinho individual e coletivamente.

Tendo em conta tudo o que já fizeram, sentem que ainda têm coisas para concretizar?
Tim: Sim, é sempre aquela coisa de se fazer outra música, outro concerto, por aí fora. É uma maçada no dia a dia, mas há sempre uma expetativa grande de se chegar à semana seguinte depois de acabarmos um concerto e prepararmos a cabeça para outro — e até ansiar pelo próximo. É isso que nos faz estar aqui.

Imaginam algum dia retirarem-se ou este vício é demasiado difícil de abandonar?
Tim: Sim, claro.

Cabeleira: Eu, pessoalmente, não penso retirar-me. Só quando cair para o lado.

Gui: Muito velhinhos, muito velhinhos, só nessa altura.

Cabeleira: Há pessoal a tocar com 80 anos, portanto.

Tim: Não fazemos ideia.

Carregue na galeria para ver imagens da atuação dos Xutos & Pontapés no Rock in Rio Lisboa.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT