Música

Yungblud faz crowd surfing numa cadeira de rodas em Vilar de Mouros

O britânico atuou com a perna engessada e partilhou nas redes sociais algumas das imagens mais insólitas da noite.

Uma perna engessada, uma cadeira de rodas e milhares de pessoas dispostas a segurá-lo. Yungblud não deixou que uma lesão o impedisse de protagonizar um dos momentos mais insólitos da primeira noite do Vilar de Mouros. O músico britânico chegou mesmo a fazer crowd surfing sentado numa cadeira de rodas, levado pelos braços do público.

O momento ficou registado em várias fotografias do concerto desta terça-feira, 18 de agosto, que o próprio artista partilhou esta quarta-feira, 19, no Instagram. Numa das imagens, Dominic Harrison, verdadeiro nome do músico, surge de braços abertos, sentado na cadeira e rodeado por dezenas de mãos que o transportam por cima da multidão.

“Boa maneira de partir a perna… obrigado, Portugal.”, escreveu em inglês Yungblud na publicação, numa referência bem-humorada à lesão. O músico aproveitou ainda para avisar que seguirá para a Bélgica, onde atua esta sexta-feira no festival Pukkelpop.

A imagem resume bem aquilo que aconteceu durante o concerto em Vilar de Mouros. Yungblud chegou a Portugal com a perna esquerda engessada e podia ter optado por uma atuação mais contida. Contudo, aconteceu o contrário. Entrou em palco numa cadeira de rodas, acompanhado por elementos da equipa vestidos de enfermeiras, e passou o resto do espetáculo a encontrar formas de contornar a limitação.

Ora agarrado ao microfone, ora equilibrado numa perna, o britânico recusou praticamente sempre ficar quieto. A certa altura, decidiu levar a cadeira para junto do público e acabou literalmente nas mãos dos fãs, que o transportaram pelo recinto enquanto continuava a interagir com a multidão.

A atuação tinha uma importância especial para o próprio festival. Esta é a primeira edição do Vilar de Mouros com cinco dias de programação e a extensão do evento aconteceu exatamente para permitir a presença de Yungblud. O britânico apenas tinha disponibilidade para atuar esta terça-feira e a organização acrescentou um dia ao calendário para o receber.

O concerto começou com “Hello Heaven, Hello” e passou por “The Funeral” e “Lovesick Lullaby”. Seguiu-se “My Only Angel”, colaboração com os Aerosmith, antes de “fleabag” e “Lowlife” manterem as guitarras e a energia em alta.

Houve também espaço para uma versão de “Changes”, dos Black Sabbath, tema com um peso particular na relação de Yungblud com Ozzy Osbourne. “War”, “Loner” e “Zombie” completaram o alinhamento apresentado em Vilar de Mouros.

A condição física acabou, porém, por transformar-se numa parte importante do próprio espetáculo. Em vez de esconder a lesão, Yungblud incorporou-a na atuação, com a cadeira de rodas e o gesso a tornarem-se elementos cénico. O crowd surfing foi o exemplo mais evidente dessa estratégia e também um dos momentos que mais aproximaram o cantor dos fãs portugueses.

Aos 29 anos, Dominic Harrison tornou-se num dos nomes mais populares da nova geração do rock britânico, com uma mistura de punk, pop e rock e concertos marcados por uma forte componente física. Mesmo lesionado, em Vilar de Mouros manteve grande parte dessa filosofia.

O Vilar de Mouros continua até sábado, 22 de agosto. Esta quarta-feira, 19, o cartaz conta com Dropkick Murphys, The Hives, Ugly Kid Joe, Less Than Jake, Fishbone e Grade 2. Na quinta-feira, 20, atuam Kasabian, Kaiser Chiefs, Kula Shaker, The Lathums, The Lilacs e The Covasettes. Ben Harper & The Innocent Criminals, Kaleo, War, Triggerfinger, Sydney Ross Mitchell e Monstro sobem ao palco na sexta-feira, 21.

O festival termina no sábado com Body Count feat. Ice-T, Skindred, Rudeboy plays Urban Dance Squad feat. DJ DNA, Marky Ramone e Travo.

Carregue na galeria para ver as imagens partilhadas por Yungblud do concerto em Vilar de Mouros.

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