Televisão

“O Tal Canal”: Herman José e os 35 anos de um dos melhores programas de humor em Portugal

Estreou em horário nobre, num sábado à noite logo a seguir ao telejornal. Em quatro meses criou personagens eternos no humor e sociedade portuguesa. O criador? Herman José.

O estúdio está praticamente às escuras. Fora do plateu iluminado há técnicos de régie, operadores de câmara concentrados, produtores de bloco na mão e auriculares nos ouvidos, uma banda em silêncio à espera do sinal. Herman José é o anfitrião num cenário de ambiente familiar. Gravado como se fosse em direto, o programa desta tarde – “Cá Por Casa”, na RTP – tem uma convidada especial: Helena Isabel, actriz fetiche do humorista português, com quem partilhou um dos momentos mais importantes da sua carreira: o Tal Canal, que esta segunda-feira, dia 22 de outubro, celebra 35 anos.

O pretexto da conversa é o livro que Helena Isabel, 66 anos, acaba de editar – intitulado “A Idade Não Me Define”. Mas a atriz é apresentada como “a menina Cilinha”, personagem de “O Diário de Marilu”, uma das várias rúbricas apresentadas no “Tal Canal”. Helena Isabel não traz o vestido inocente de filha de condessa apaixonada pelo jardineiro, não tem os óculos encaixados no bico do decote, nem o laço pueril que usava no cabelo. “A menina Cilinha cresceu”, responde ao apresentador, que se desfaz em elogios à atriz com quem voltaria a colaborar em “Hermanias”, ainda nos anos 80.

Helena Isabel tinha 31 anos quando estreou o Tal Canal. Foi num sábado à noite, em horário nobre, emitido logo a seguir ao telejornal. Numa altura em que havia apenas dois canais de televisão, o programa teve tudo para se tornar uma referência: rasgou com o humor “muito revisteiro” da época – segundo uma definição de Herman José -, juntou gerações de pais, filhos e netos, com uma série de personagens que ainda hoje fazem parte do léxico humorístico nacional. Falamos de José Esteves, Tony Silva, Marilu ou o menino Nelito. E de tantos outros.

O programa ficcionava em torno de um canal de televisão, presidido pelo doutor Oliveira Casca (interpretado por Herman José), que parodiava os dois canais concorrentes, ambos estatais, desse tempo: a RTP 1 e RTP 2. Tal como numa televisão real, existia um momento de informação – “O Informação 3”, apresentado por Carlos Filinto Botelho (Herman José) -, um dedicado aos mais novos – “Momento Infantil” com o terrível menino Nelito e a paciente terapeuta, Palmira Peres (Lídia Franco) –, uma rúbrica desportiva – “Esférico Rolando Sobre a Erva”, que deu a conhecer o mítico Esteves – o espaço culinário de Filipa Vasconcelos, “Cozinho Para o Povo” – a gozar com o programa de Filipa Vacondeus. 

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