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“Rooster” está a dividir os críticos. O consenso é só um: Steve Carell

A comédia dramática estreou esta segunda-feira, 9 de março, na HBO Max.

Chegou esta semana à HBO Max e já está a dividir opiniões, tanto no público como entre os críticos. “Rooster”, a nova comédia dramática, protagonizada por Steve Carell, estreou esta segunda-feira, 9 de março, na HBO Max, com alguns elogios ao elenco e várias reservas em relação à história.

A produção acompanha Greg Russo, autor de thrillers populares, que aceita um lugar como escritor residente numa universidade chamada Ludlow College. A decisão tem um motivo pessoal: a filha, Katie, é professora no campus e está a atravessar uma crise depois de o marido a ter trocado por uma estudante.

Ao mudar-se para a universidade para apoiá-la, o escritor acaba por mergulhar num ambiente universitário que já não é exatamente o dele — com aulas, afirmações politicamente incorretas e festas estudantis até de madrugada.

Criada por Bill Lawrence (responsável por séries como “Ted Lasso”, “Scrubs” ou “Shrinking”), a série está a ser elogiada pelo elenco. Steve Carell lidera a história como Greg Russo, enquanto Charly Clive interpreta Katie, a professora de história de arte que tenta reconstruir a vida depois do fim do casamento.

Phil Dunster dá vida a Archie, o marido infiel, e Lauren Tsai interpreta Sunny, a estudante com quem ele teve um caso. A série conta ainda com Danielle Deadwyler no papel de Dylan, professora de poesia que se torna uma aliada improvável de Greg no campus, e John C. McGinley como Walter Mann, o excêntrico presidente da universidade. No elenco secundário surgem também Connie Britton, Alan Ruck, Annie Mumolo e Rory Scovel, que ajudam a reforçar o lado mais cómico da história.

Apesar da premissa curiosa, as opiniões da imprensa internacional não podiam ser mais diferentes. Um dos poucos temas que gera consenso é que Steve Carell carrega a série. O “The New York Times” considera que a produção é irregular, mas destaca o trabalho do ator. “Rooster é uma confusão, mas Carell nunca deixa de ser entretenimento”, escreve o jornal. A crítica acrescenta ainda que o ator consegue tirar partido de um papel relativamente simples graças ao seu “timing cómico incrível”.

O “The Guardian” também elogia a interpretação e lembra que Carell continua a dominar o humor desconfortável que o tornou famoso. O jornal descreve-o como “o mestre da figura do homem comum que nos faz rir e quase chorar ao mesmo tempo”.

Já o “IGN” vai ainda mais longe e diz que a série funciona sobretudo graças ao elenco. Para o site, “Rooster é uma verdadeira aula de interpretação”, destacando não só Carell, mas também Danielle Deadwyler, Phil Dunster e John C. McGinley.

Uma história simpática, mas pouco ousada

Outros críticos elogiam o tom leve da série, mas apontam falta de ambição. O “Los Angeles Times” descreve “Rooster” como uma comédia bastante “gentil”. Segundo o jornal, a série aposta num humor baseado em embaraços e mal-entendidos, mas evita ridicularizar as personagens. “Ninguém aqui está realmente interessado em humilhar ninguém”, diz.

Esse tom humano pode agradar a alguns espectadores — sobretudo a quem gosta das séries anteriores de Bill Lawrence — mas também faz com que o projeto pareça relativamente inofensivo.

A crítica mais dura veio da “Variety”, que considera que a série recicla ideias já exploradas em várias produções semelhantes. A revista escreve que “Rooster está cheio de personagens e situações previsíveis” e que a narrativa acaba por parecer uma repetição de histórias que já vimos antes. No final da crítica, a publicação resume a opinião de forma bastante direta: “quando tudo termina, a série simplesmente não encanta”.

Entre elogios e críticas, parece haver uma conclusão clara: “Rooster” depende muito da atuação de Steve Carell. Para alguns críticos, isso é suficiente para tornar a série divertida. Para outros, não chega para esconder um argumento que tenta misturar comédia universitária, drama familiar e sátira cultural — nem sempre com sucesso.

A divisão de opiniões continua nas redes sociais

A divisão de opiniões não acontece apenas na imprensa. Nas redes sociais, os comentários mostram que o público também não chegou a um consenso. Num tópico recente no Reddit, um utilizador escreveu que esperava o pior devido às críticas negativas, mas acabou surpreendido: “Acabei por achar a série bastante divertida, melhor do que estava à espera.”

Outro comentário resume bem o clima em torno da série: “As críticas são completamente diferentes umas das outras.” Há também quem prefira ignorar as opiniões e tirar conclusões sozinho. “Acho que a melhor solução é formar a minha própria opinião”, escreveu um utilizador.

Mas nem todos estão sequer interessados em dar uma oportunidade à série. Um comentário mais crítico diz: “Acho que ‘Rooster’ tem uma das premissas menos interessantes que já vi numa série. Gosto do Steve Carell, mas aposto que isto vai ser péssimo”.

No agregador de críticas Rotten Tomatoes também é possível ver essa discrepância nas opiniões sobre a série. “Rooster” tem, para já, uma receção relativamente positiva por parte da imprensa, com 87 por cento de aprovação no Tomatometer, o índice que reúne críticas profissionais. Já entre o público a reação é mais moderada: a série tem 62 por cento no Popcornmeter, que reflete as avaliações dos espectadores. Os números acabam por ilustrar bem o que se tem visto nas análises e comentários online — uma série que agrada a alguns críticos, mas que continua a dividir opiniões entre quem a vê.

De qualquer forma, a série tem apenas 10 episódios, de meia hora cada, e novos capítulos a chegar todas as semanas à HBO Max. Mesmo com críticas divididas, pode ser uma aposta interessante para quem gosta de comédias leves com personagens imperfeitas e um toque de humor cringe à mistura.

Carregue na galeria para conhecer algumas das séries e temporadas que estreiam em março nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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